A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa. Luís Carmelo, Coordenador
Não é apenas a tradução de um poema; é ser tocado por um texto, partir à sua descoberta, à forma como foi construído, inspirado... pintado. É uma simbiose perfeita não só entre um original e a sua tradução mas, mais fundo ainda, entre o tradutor e a alma do poeta, cujo poema é já em si a “tradução” de uma pintura em palavras. Dito de forma mais simples, Ana Maria Chaves, ao traduzir "The Disquieting Muses" de Sylvia Plath, teve de traduzir o quadro do mesmo nome de Chirico, tudo o que esse quadro despertou em Plath e, ainda, a própria Plath....
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Partindo do quadro de Chirico com o mesmo título, depois da denúncia do papel da mulher-esposa, Sylvia Plath sufoca-nos com o seu retrato da mulher-filha, sobre a qual recai o peso insuportável de tudo o que a mãe (e a sociedade) dela espera e a que jamais ela poderá ou quererá corresponder.THE DISQUIETING MUSESMother, mother, what ill-bred auntOr what disfigured and unsightlyCousin did you so unwisely keepUnasked to my christening, that sheSent these ladies in her steadWith heads like darning-eggs to nodAnd nod and nod at foot and headAnd at the left side of my crib?Mother, who made to order storiesOf Mixie Blackshort the heroic bear,Mother, whose witches always, alwaysGot baked into gingerbread, I wonderWhether you saw them, whether you saidWords to rid me of those three ladiesNodding by night around my bed,Mouthless, eyeless, with stitched bald head.In the hurricane, when father's twelveStudy windows bellied inLike bubbles about to break, yo...
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Parto das palavras de Luís Carmelo, “A literatura é um rio...”, e pergunto: a tradução será um dos seus principais afluentes ou um rio paralelo que transporta o mesmo caudal de continente para continente? Tudo o que a literatura nos dá a tradução dá aos que não a recebem na língua em que nasce. O afluente alimenta o rio, mas perde-se nele. Na foz, não se sabe que parte daquela água veio do afluente. Mas Camões, Eça, Fernando Pessoa, Saramago chegaram a todo o mundo, atravessando mais do que rios – oceanos!Com os sonhos, acontece o mesmo. Não têm limites, levam-nos a recantos desconhecidos, a paisagens inexistentes, a dimensões insondáveis.Traduzindo... é um sonho, um desejo e agora uma realidade. É um espaço que pretende pôr tradutores literários, escritores, alunos de tradução, revisores, e...
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Poema de Sylvia Plath, inspirado no quadro Homenagem a Mack Sennett, de René Magritte, o primeiro de um ciclo de poemas em que a autora, partindo de uma pintura, aborda a abrangente e sedutora temática do feminino. .........................................................................THE APPLICANT/O CANDIDATOFirst, are you our sort of a person?Do you wearA glass eye, false teeth or a crutch,A brace or a hook,Rubber breasts or a rubber crotch,Primeiro, é a pessoa que queremos?Acaso usaOlho de vidro, muletas ou dentaduraPrótese ou gancho,Seios ou sexo de borracha,Stitches to show something's missing? No, no? ThenHow can we give you a thing?Stop crying.Open your hand.Empty? Empty. Here is a handPontos a mostrar que lhe falta qualquer coisa? Não, não?Então como podemos dar-lhe alguma coisa?Páre de chorar.Abra a mão.Vazia? Vazia. Ora aqui está uma mãoTo fill it and willingTo bring teacups and roll away headaches...
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Não é apenas a tradução de um poema; é ser tocado por um texto, partir à sua descoberta, à forma como foi construído, inspirado... pintado. É uma simbiose perfeita não só entre um original e a sua tradução mas, mais fundo ainda, entre o tradutor e a alma do poeta, cujo poema é já em si a “tradução” ...
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Partindo do quadro de Chirico com o mesmo título, depois da denúncia do papel da mulher-esposa, Sylvia Plath sufoca-nos com o seu retrato da mulher-filha, sobre a qual recai o peso insuportável de tudo o que a mãe (e a sociedade) dela espera e a que jamais ela poder&aacut...
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Quando o Carmelo convidou-me a participar do PNETLiteratura, especificamente no Folhetim, não sabia que me oferecia um presente de aniversário, festejado em 6 de setembro. Ao completar 61 anos de idade, completo 2 de participação contínua e prazerosa no espaço oferecido. Ter meus textos em terras de...
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Não tem princípio, nem fim. Como a vida. É um caderno de notas de viagem numa viagem ao Japão, cujas principais cidades visitadas são Tóquio, Matsuxima, Matsué, Hiroxima, Cagoxima, Nagasáqui, Tocoxima, Himeji, Osaka, Quioto, Nico. Um livro anónimo, de um narrador viajante anónimo, que ...
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O autor andarilho publicou em Junho passado sonhos em forma de caminhos percorridos. As rotas escolhidas trilham a continuidade do universo deste autor: exotismo, luxo, hedonismo. A cada vez que fecho o livro para o admirar - a sua capa é uma absoluta marca de bom gosto - esta escrita d...
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No verão quem não deseja viajar? E se essa sensação de liberdade e de encontro com o novo nunca desaparecesse? É disso que trata este livrinho pequenino em que o conceito de férias se vê imortalizado para sempre em forma de aventura a dois - dois bons amigos que viajam pelo mundo. Um mundo escolhido...
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Um arlequim passa de bar em bar recitando poemas de memória e pondo-se à prova ao oferecer declamar versos de poetas escolhidos pela sua plateia. Entremeia a poesia de observações quase políticas sobre a situação dos artistas de rua no Brasil. Na primeira edição da Flip a homenagear um escritor de n...
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Com pouco mais de uma dúzia de ruas, seis ao longo da ponta que dá para o oceano e outras tantas cruzando as primeiras, o centro histórico de Paraty é uma pequena Manhattan, que no início de uma visita independente da duração parece tão control...
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Nesta minha terceira Flip, encontro um evento muito mais institucionalizado do que a versão de 2006, quando ainda era fácil conseguir ingressos para as tendas dos autores durante a própria festa, e comer em restaurantes como o Banana da Terra sem ter que fazer a reserva "de São Paulo". Des...
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Esta é a oitava edição da festa que virou a principal atração turística de Paraty, e muita coisa mudou nesses anos. Neste encontro em que o principal homenageado é um dos autores considerados entre os maiores intérpretes do Brasil (formando jun...
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Foi em cafés e restaurantes e encontros com portugueses de vária espécie que o livro se viu nascer. Um livro escrito para agradar às massas, à hipérbole de turistas alemães que desertam o país ao longo do ano inteiro – e não s&oacu...
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Já não é uma novidade no panorama musical mundial, mas um nome destes desperta sempre curiosidade a um português, especialmente se os membros desta banda são provenientes do longínquo Alaska. Tenho andado a ouvir os Portugal.The Man desde o ano passado &ndash...
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Havia muito de Umberto Ecco na aula aberta ao público de Antonio Muñoz Molina ontem à noite no King Juan Carlos I of Spain Center, parte do campus da New York University, o edifício de número 53 ao sul do grandioso Washington Square. Na sala reservada ao evento, não se ouve o inglês enquanto uma se...
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A princípio, são as meias vermelhas que nos distraem e fazem reparar na combinação com a camisa também vermelha mas em outro tom, o terno é marron escuro, o blazer descasado. Um homem visivelmente mais jovem do que a idade, um sotaque aplicado à pronúncia rastejante, um pessimista, medroso, por nat...
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Quadras ao gosto popular escritas por Pedro Melo, técnico de cinema, «pai de quatro filhos e poeta de improviso», a propósito da inauguração da barragem do Alqueva, cuja construção implicou o desapare... Ler Tudo >>
Continuação do Circo da i margin’ar-te por Maria LavaA Escrita de Viagem (ou os Vigieiros do Corpo) insere-se no já enunciado e anunciado Projecto do Circo da i margin... Ler Tudo >>
Quando, no falar comum e quotidiano, nos referimos a “literatura de cordel”, usamos a expressão num sentido depreciativo, desvalorizando uma determinada obra como sendo de inferior ... Ler Tudo >>
Terceiro volume das Crónicas do Vampiro Valentim. O primeiro livro desta colecção tem por título Vampiros ou Nem por Isso, mas, se o leitor começar pelo livro 3, ficará a compreender tudo na mesma. O ... Ler Tudo >>
Estreia do premiado autor, Francisco José Viegas, no género infantil. Se Eu Fosse... Nacionalidades faz-nos descobrir a vida que o Lio teria se fosse japonês, brasileiro, norueguês ou italiano.
Ilustrado a quatro cores, oferece às crianças, a partir dos 5 anos, a oportunidade de conhecer a realidade gastronómica, linguística e patrimonial de diferentes países.
Humorada, lúdica e didáctica, é uma obra para ser lida com os pais e descobrir, em cada país, aquele pormenor, contribuindo para a construção da memória referencial das crianças relativamente às diferentes nacionalidades do mundo