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<title>PNETliteratura</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt</link>
<description></description>
<lastBuildDate>Sun, 05 Feb 2012 20:23:31 GMT</lastBuildDate>
<language>pt-pt</language>
<item>
<title>Peso</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4420</link>
<description><![CDATA[<br>Caminho e assobio. No alto de uma árvore um pássaro responde-me. Paro e olho para cima. Não consigo ver o animal. Assobio de novo. Escuto um resfolegar de folhas e vejo o pássaro a voar para longe, levando consigo o seu canto. <br />Ponho as mãos nos bolsos e bato com um pé, impaciente. Pesa-me a espingarda a tiracolo. Pesa-me a bala que não disparei. Só não me pesa a consciência do tiro que ficou por dar.<br /><br /><i><b>Bruno Barão da Cunha</b></i><br /><br /></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4420</guid>
<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 20:13:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>UM OVO DE AVESTRUZ (Como as baratas que conhecem as trilhas do escuro) Folhetim em Setenta e Seis Episódios da autoria de Carlos Pessoa Rosa. Trigésimo quinto Episódio</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4404</link>
<description><![CDATA[<br><br>Primeiro surto</br> <br>Assim a história. Tudo pulsa anos depois. A(r)t(e)mosfera. Do país,
(ex)pulsos. Átimo.
Gente. Entre
luzesnéonoutdoor. Fugas. Simulacro. O estudado e o analfabeto
são a mesma
merda. MeRda. MErDa. MERdA. No poderfoder. Dissimul(ação).
Quem lá
chega é venda.
Secos & Molhados.
Miudezas. Que
Congr(Esso) é esse? RecePTaDor.
CEptAdOr. PtdoR. <i>Outlet</i>. Onde o rei?
Manufaturado. Pacto. Acorde(om). O mágico
de Óz. Estrela nenhuma pulsa. Nebulosa.
Nós da contravenção.
Malha. MaLHa.
mAlhA. Ilha. Fuga. Estrangeiros.
A mãe-terra amordaçada. GenEticaMente. Se foram. As irmãs gêmeas. Mídia. Medeia. Aldeia.
É boteco. Rabo-de-Galo.
Afe! Ganistão. Bum! Bum! Bum! Baba-se metálicos
explosivos no cangote
da fome. Extermina-se a fome com a própria fome. Salteador e assaltado. Quem
a lei protege? O justo
delinquente. Pulsa na prisão
especial. <i>Nonne dissimulavi? Nonne silui? Nonne quievi?/ et venit super me indignatio.</i> Jó,
3, 26. não dissimu(lei)?
Não ca(lei)?.
Não me
mantive tranquilo?/ e veio sobre mim a indignação. Enterra-se. Pragassalto. Sequestros. Estros. Astros
pulsam. A bola pula.
GooooOOOOOoooooOllllLLLLLlllll. Assim
Alexandre, Eu; Matilde, Ela. Contra(l)to.
Desiderativo. A Lula. UlaUlaUla. Onde o pedestre?
Nas estradas de terra.
Pó social.
Rodamoinho. Turb(olência). Cheira podre. ‘São tempos
de...’ Estilo Camões. Entreter.
Não ter.
Iníciofim. Dignitário eclesiástico.
Goza...</br> <br> </br> <br> (continua)</br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4404</guid>
<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 09:00:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Libido aos pedaços de Carlos Trigueiro</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4401</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/imagens/20122215515_5.JPG border=0><br/><br><br>É o décimo segundo e último romance de Carlos Trigueiro e acaba de
ser publicado pela Record. O título parece dar sentido à solidez da obra. Quem
o diz é Lúcia Bettencourt, autora de <i>A
Secretária de Borges</i>: “Amores
proibidos são geralmente irresistíveis numa boa história. O que dizer, então,
de amores duplamente proibidos, envolvendo tabus? No sofisticado romance de
Carlos Trigueiro, nestes tempos de amores líquidos, somos obrigados a
reconhecer que a libido, aos pedaços ou não, continua sólida, servindo de
espinha dorsal para a construção da narrativa”.</br> <br><b>Ler mais em:  <a href=&quot;http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/01/09/resenha-de-libido-aos-pedacos-de-carlos-trigueiro-422798.asp&quot; target=&quot;_blank&quot;>O Globo</a></b></br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4401</guid>
<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 00:01:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Monte Selvagem já reabriu</title>
<link>http://feedproxy.google.com/~r/LetraPequena/~3/RCOmGUyqifo/monte-selvagem-ja-reabriu.html</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/images/Logo-LetraPeq_final100.gif border=0><br/>



Ná página Crianças do Público de hoje, o destaque de Helena Melo vai para Montemor-o-Novo. (Agasalhem as crianças e&nbsp;visitem o Monte Selvagem.)



Depois
de três meses encerrado para manutenção e defesa de algumas espécies, o Monte
Selvagem acaba de reabrir para nova temporada. Habitado por cerca de 400
animais de 75 espécies, o Monte Selvagem é uma reserva animal e um parque de
lazer localizado num montado típico alentejano de sobreiros e azinheiras. Oferece
aos visitantes a possibilidade de realizar percursos pedestres e passeios de
tractor, brincar na quintinha de animais domésticos, no parque infantil, em
escorregas tubulares ou nas casas construídas nas árvores e ainda saltar num
trampolim gigante. Um macho de cobra pitão albina, resgatada no Verão passado
em Alcabideche e com cerca de 2,50 metros, é a mais recente "estrela" do
parque.

Montemor-o-Novo Monte Selvagem (Monte do Azinhal - Lavre). Tel.: 265894377; 3ª
a dom. das 10h às 17h (de Abril a Outubro das 10h às 19h). Bilhetes a 10 e 12,50
euros (37 para 2 adultos e 2 crianças até aos 12)

As nossas sugestões de leitura&nbsp;vêm já.




O Que Vês Dessa
Janela?

Texto
Isabel Minhós Martins


Ilustração
Madalena Matoso

Edição
EDIA/Museu da Luz

28
págs., 12,50 euros






A
janela de que fala o título deste livro faz parte do Museu da Luz, na Aldeia da
Luz (a nova). O que dali se avista é "o lugar da aldeia antiga". Mas, para se
perceber onde ficava a povoação submersa por causa da barragem do Alqueva,
conta-se com a ajuda de um pinheiro manso que se ergue na paisagem. Poupado ao
"dilúvio", é ele que narra a história da mudança. Uma boa ideia. Há o cuidado
de integrar no texto várias gerações, diferentes sensibilidades e medos. O
ambiente rural está bem retratado nas ilustrações e os mapas ajudam na
percepção do que se alterou (fica a dúvida sobre se "pano de água" não seria
"plano de água"). O objectivo de O Que
Vês Dessa Janela? é, passados quase dez anos, contar/legitimar o que se
passou. Uma encomenda da Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do
Alqueva ao Planeta Tangerina. O livro foi distribuído gratuitamente às crianças
da aldeia. 










Onde Moram as
Casas

Texto
Carla Maia de Almeida

Ilustração
Alexandre Esgaio

Edição
Caminho


32
págs., 10 euros







Há janelas neste livro, mas olham mais para
dentro que para fora. A autora começa por dizer: "As pessoas moram nas casas,
mas o contrário também é verdade. As casas moram nas pessoas." Tem razão.
Depois, entra sem cerimónia, mas com delicadeza, nas "assoalhadas" de cada um
de nós: coração-cozinha; sonho-sótão; cave-medo. Compara abraços a grandes
salões de festa e aconselha a "bater à porta", mesmo perante os que "são como
quartos muito bem arrumados". Um passeio poético em que Carla Maia de Almeida
vai bem acompanhada. O ilustrador Alexandre Esgaio revela-se um belo
"decorador" de interiores e de exteriores... Numa expressão colorida, mas não
berrante, cria imagens inesperadas com pormenores bem-humorados. Pressente-se
boa vizinhança. 

(Para cohecer melhor&nbsp;o ilustrador, venha connosco. Vai gostar.)


Pág. crianças 4 fev.













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Mais sugestões de actividades&nbsp;em família: lazer.publico.pt/Miúdos&nbsp;e indeks.pt/criancas.


]]></description>
<guid>http://feedproxy.google.com/~r/LetraPequena/~3/RCOmGUyqifo/monte-selvagem-ja-reabriu.html</guid>
<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 15:39:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Tua coxa é lisa</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4419</link>
<description><![CDATA[<br>Tua coxa é lisa, o lado de dentro. Você é peixe de uma única escama, liso com ela e sem ela. Meus dentes não te rasgam, escorregam, escoriar tuas pernas é um descuido que me agrada. A mulher raspa tua cabeça, dinâmica debaixo d’água pra te salvar das Iemanjás. Azar dela, eu não preciso de oxigênio debaixo dessa pressão. Tô te esperando no toalete das arraias, sem minha parte de cima. Sereia feliz, cabeça de peixe, quadril de mulher.<br /><br /><b><i>Andréa del Fuego</i></b></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4419</guid>
<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 10:32:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>UM OVO DE AVESTRUZ (Como as baratas que conhecem as trilhas do escuro) Folhetim em Setenta e Seis Episódios da autoria de Carlos Pessoa Rosa. Trigésimo quarto Episódio</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4403</link>
<description><![CDATA[<br><br>CAPÍTULO LVII<b></b></br> <br>Non-sense
4</br> <br>O sangue vaza pelo orifício
provocado pela bala
e coagula as frases no céu da boca. É
a hóstia dos medos
da infância. A lembrança:
o que é dela? Estou sempre
construindo passados que nem mesmo sei se existiram. Assim
engano a morte.
Mas o ponto
de partida cada
vez mais
distante; mais
próximo o de chegada.
E a sensação de não
ter saído
do lugar nessa viagem
planetária e infinita.
Observo uma rosa como
poderia estar
diante de um
cravo, a natureza
acontece, não se explica, repete-se em sua diversidade. Quando
o espírito abandonar
o corpo, não
haverá necessidade de oxigênio nem
sofreremos o aprisionamento provocado pela
gravidade.</br> <br>(continua)</br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4403</guid>
<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 09:00:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Cartas de Inglaterra de Eça em e-book</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4400</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/imagens/20122215498_5.JPG border=0><br/><br><br>seguintes
textos: <i>Afeganistão e Irlanda, Um Artigo
do &quot;Times&quot; Sobre o Brasil, O Inverno em Londres, O Natal, A
Perseguição dos Judeus, A Literatura de Natal para Crianças, A Irlanda e a Liga
Agrária, Lord Beaconsfield, Os Ingleses no Egito, Acerca de Livros, Uma Partida
Feita ao &quot;Times&quot;, A Festa das Crianças</i> e<i> Crónicas de Londres</i>.<b></b></br> <br><b>Ler mais em: <a href=&quot;http://librairie.immateriel.fr/fr/ebook/9789898392480/cartas-de-inglaterra&quot; target=&quot;_blank&quot;>Librerie Immateriel</a></b></br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4400</guid>
<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 00:01:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Livros ao vivo no Chiado</title>
<link>http://feedproxy.google.com/~r/LetraPequena/~3/J8nHz0_DFCU/livros-ao-vivo-no-chiado.html</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/images/Logo-LetraPeq_final100.gif border=0><br/>


"Uma
editora que é uma livraria, que é um espaço de contadores de histórias e que
há-de ser parceira de um grupo de teatro. Assim o sonhou Ana Paula Faria,
quando decidiu 'fugir' de Bruxelas e ficar em Lisboa. A Gatafunho mora no
Espaço Chiado e tem livros ao vivo." 

Foi
assim que iniciámos o texto da página Miúdos na Pública de 22 de Janeiro,
depois de visitarmos a loja de livros Gatafunho e de conversarmos com Ana Paula
Faria, Elsa Aço e Paulo César. Fica aqui a página completa. (Atenção à programação
deste mês, aí em cima).


Pág. miúdos gatafunho 220112

















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Uma
das contadoras residentes na Gatafunho é Elsa Serra,
acabadinha de ser premiada pela sua arte de narrar. (Parabéns!)








]]></description>
<guid>http://feedproxy.google.com/~r/LetraPequena/~3/J8nHz0_DFCU/livros-ao-vivo-no-chiado.html</guid>
<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 10:06:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Cultura Para Todos Os Gostos, E Para Quem Não Tem</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4402</link>
<description><![CDATA[<br><br><i>Todos os homens têm o direito de ser
estúpidos, mas o camarada MacDonald abusa do privilégio</i>.</br> <br>Leon Trotsky sobre o ensaísta americano Dwight MacDonald</br> <br> </br> <br>As
palavras citadas aqui em epígrafe desde há muito se tornaram lendárias na
cultura literária modernista dos EUA. Digo “lendárias” porque ninguém sabe ao
certo se foram ou não estas as palavras exactas dirigidas por carta ao grande
crítico e ensaísta nova-iorquino, Dwight MacDonald, por Leon Trotsky, então já
exilado no México, autor de <i>Literatura e
Revolução</i> (1924) e uma das principais figuras intelectuais bolcheviques no
seu país e no mundo, para além de todo o seu papel no triunfo da nova ordem
soviética. Poderá hoje parecer surrealista a um europeu pouco informado sobre
os Estados Unidos, mas a maioria dos intelectuais norte-americanos durante os
anos 20-30 estava quase toda alinhada à esquerda, do estalinismo ao trotskismo.
Se há uma constante temática na literatura do país será inegavelmente a
desconstrução impiedosa do sistema capitalista e seus respectivos valores,
muito especialmente o eufórico espectáculo de ostentação animalesca nos seus
primeiros anos do pós-Grande Guerra até à sua queda aplaudida nessas mesmas
páginas. Quando em Nova
 Iorque alguns capitalistas se suicidavam após a quebra da
Bolsa em 1929, Edmund Wilson, o maior crítico literário americano do seu tempo
e geração, diria simplesmente: “antes eles do que nós”. Se a ideologia que
enformava as <i>Vinhas da Ira</i> de um John
Steinbeck não seria tão facilmente detectada noutros e mais subtis modernistas,
a verdade é que a crítica corrosiva aos usos e costumes reinantes bastavam para
trivializar e acusar, por assim dizer, toda uma sociedade rejeitada pelos seus
artistas em geral.
 MacDonald girava desde essa época em publicações hoje
extintas que cavaram fundo um lugar no cânone cultural da nação. Depois de um
começo nas revistas da potência jornalística de Henry Luce, que viria a ter
como bandeira a revista <i>Fortune</i> (e
pouco depois, a <i>Time</i>), sairia por
vontade própria e rejeição ideológica rumo a publicações intelectuais como a <i>Partisan Review</i> (no começo, pertencente
a um órgão do Partido Comunista), <i>The New
Yorker</i>, <i>Commentary</i>, <i>The New York Review Of Books</i>, e <i>Politics</i>, que ele fundaria em 1944 e
editou durante algum tempo. Rodeado na grande metrópole pelos ascendentes
literatos de uma segunda geração da imigração judia do leste europeu, que
viriam a ser conhecidos como os New York Intellectuals, o bravíssimo crítico e
ensaísta cultural nascido em 1906 manter-se-ia vivamente presente até ao seu
falecimento em 1982. O seu sentido de humor era tão implacável como as
polémicas que manteve com todos à sua volta, tendo ele próprio feito questão em
fazer circular a referida frase de Trotsky que lhe fora endereçada, nunca se
ofendendo com outros ataques de um bom número de escritores do seu país,
adorando ser provocado nos mais baixos termos. Quando certa vez um colega lhe
fez notar que já tinha cedo no dia uma bebida sobre a sua secretária de
trabalho, respondeu sem mais: <i>Eu sou um
alcoólico, caramba!</i></br> <br>Hoje
será mais recordado pelos seus ensaios dos anos 50-60, quando se insurge,
sempre à esquerda, contra a nova condição cultural do seu país, agora dominado
pela chamada contracultura das novas gerações  o alegre caleidoscópio de
hippies e revolucionários de várias cores e inclinações ideológicas 
demonstrando mais uma vez o seu tremendo poder de permanência e chamamento de
atenção perante outros bem mais em voga naquela época. Parece haver
presentemente nos EUA, no que concerne tudo o que diz respeito à cultura em
geral e à literatura em particular, uma revisão teórica global do que provocou
a mudança da tradicional crítica que era dominada pelos intelectuais públicos e
independentes para as universidades durante as últimas décadas, subjugando as
próprias obras criativas ao acto da suposta teorização, tantas vezes absurda e
pretensamente “científica”, em que o prazer do texto dava agora lugar à mais
conturbada e obscura prosa ensaística, caracterizada por um pseudo-jargão
académico emprestado pelas ciências e não pelo saber que levava à análise
textual com o biografismo e a contextualização sociocultural de cada época ou
movimento literário em foco. Concomitantemente com esta vontade de uma
crítica de novo legível, abrangente e dirigida à classe culta para além dos
departamentos de línguas e literaturas, vemos também o regresso do realismo
linear e estruturado, rejeitando as acrobacias linguísticas inconsequentes e
despidas de sentido que o pós-modernismo literário, na sua primeira fase,
tentou impor a leitores sem paciência para estórias mal contadas ou demasiado
claustrofóbicas de narradores fechados nos seus pequenos e desequilibrados
mundinhos citadinos. Jonathan Franzen, em todos os seus romances até ao recente
<i>Liberdade</i> (<i>Freedom</i>), tem liderado a nova tendência, essa que anos antes havia
sido pedida por Tom Wolfe, mesmo trajando os seus esquisitos fatos e sapatos
brancos numa pose arrogante de diferenciação estilística.  </br> <br>Significativamente,
acaba de ser publicado uma nova colectânea de ensaios de Dwight MacDonald
intitulada <i>Masscult and Midcult: Essays
Against the American Grain</i>, com a chancela do elitista e sempre influente <i>The New York Review of Books</i>. O título
do livro refere o famoso ensaio de MacDonald publicado em 1960 pela <i>Partisan Review</i>, agora na sua fase
modernista em que ainda dominava a crítica mais ou menos marxista-freudiana que
tinha como referência principal a literatura europeia que os intelectuais de
Nova Iorque disseminavam constantemente entre os seus leitores mais
sofisticados. O antigo trotskista mantinha a sua ideologia esquerdizante, mas
na cultura clamava contra a banalização não só da literatura agora consumida
pelas novas classes-médias como das artes em geral. <i>Masscult</i> <i>e
Midcult</i> traduzem literalmente por “cultura de massas” e “cultura mediana”.
Poderia ser uma investida na defesa de uma estética pura, modernista ou não,
“arte pela arte”, mas envolvia também uma componente claramente ideológica por
parte de MacDonald: horrorizava-o um novo capitalismo outra vez desenfreado,
que tudo apropriava, tudo simplificava, só para depois tudo vender, com a
conivência de escritores sedentos da fama, celebridade e dinheiro só permitidos
pelos grandes números de “consumidores”, as novas classes medianamente
abastadas, medianamente educadas, e com pretensões a uma sociabilidade
aparentemente erudita e bem-pensante que surgiriam com a prosperidade do pós-Segunda
Guerra Mundial. Claro que MacDonald nomeia escritores e obras exemplificativas
desta nova realidade cultural, mas essencialmente pedia um regresso à seriedade
no acto criativo e na própria crítica apreciativa, analítica ou judicativa. A
influência do seu ensaio foi imediata e perturbadora: aqui renascia a crítica
da antiga esquerda cultural contra uma nova esquerda, que valorizava tudo
quanto chegasse ao maior número possível de cidadãos pretensamente “sensíveis”
às coisas do espírito, cujas consequências seria o contínuo rebaixamento do
acto artístico em geral.
 Que o organizador do presente volume, Louis Menand, ele
próprio um ensaísta de renome, achou por bem relançar o debate ou simplesmente
relembrar que outros tempos e outras vozes existiram deve querer dizer alguma
ciosa sobre a nossa condição no mundo das “artes” marcadas actualmente pelo
inócuo espectáculo puro e sem sentido.</br> <br>Um
dos ensaios mais contundentes em <i>Masscult
and Midcult</i>, tem como título “Parajournalism, or Tom Wolfe and His Magic Writing
Machine”. Uma vez mais, Dwight MacDonald investe contra o que se chamava o
“novo jornalismo”, que confundia deliberadamente factos e ficção, colocando o
“autor” de cada peça no centro dos acontecimentos. Por certo que Wolfe reagiu à
sua maneira: tentando denegrir e desacreditar o velho ensaísta, pertencente a
uma estirpe que ele, Wolfe, desejaria extinta. Não conheço outro ensaio mais
pertinente para quem segue com atenção os media actuais. </br> <br> </br> <br>Dwight MacDonald, <i>Masscult and Midcult: Essays Against the American
Grain</i> (Introduction by Louis Menand), New York,
The New York
Review of Books, 2011. A tradução da epígrafe é da minha
responsabilidade.</br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4402</guid>
<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 09:00:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Do &quot;Livro das Pequenas Coisas&quot;</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4418</link>
<description><![CDATA[<br>5<br /><br />Só o canto, que nem sei o que seja, me possui. Como se houvesse aqui uma faúlha de eternidade.<br /><br /><b><i>Casimiro de Brito</i></b><br /></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4418</guid>
<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 08:58:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>O homem nu revisitado</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4399</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/imagens/20122215471_5.JPG border=0><br/><br><br>Os leitores brasileiros têm agora acesso à versão integral de <i>Mitológicas</i>, obra de Claude Lévi-Strauss
(1908-2009). Com tradução de Beatriz Perrone-Moisés, a Cosac Naify acaba de
lançar (no final de 2011) o último volume da tetralogia, intitulado <i>O homem nu</i> (original de 1971). Ao longo
das 747 páginas, o livro dá continuidade à longa viagem através da mitologia
dos índios das duas Américas.<b></b></br> <br><b>Ler mais em:  <a href=&quot;http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/01/14/resenha-de-homem-nu-de-claude-levi-strauss-426318.asp&quot; target=&quot;_blank&quot;>O Globo</a></b></br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4399</guid>
<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 00:01:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Entreacto</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4417</link>
<description><![CDATA[<br>Repassada do desejo daqueles risos que se perderam e da lembrança dos encantos que nunca chegaram a acontecer, está a casa, palco deserto, onde outrora fantoches ensaiavam uma monótona coreografia. Aí, já não cabem as aparentes histórias nem o som de vidas a fenecer. Ouve-se, somente, o rangido das tábuas do soalho sob os passos das turbulentas memórias. Os segredos adormecem nas sombras, que desenham um retábulo de recortes esfumados, na espessura oca dos tectos negros.<br />O tempo ficou retido na fuligem que abraça o passado. <br />Lá fora, as manhãs desafiam a perenidade do momento.<br /><br /><b><i>Julieta Ferreira</i></b><br /></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4417</guid>
<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 17:20:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Dicke: a reparação de uma injustiça literária</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4398</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/imagens/20122210328_5.JPG border=0><br/><br><br><b>I</b>         </br><br>            Em algum lugar, este articulista já escreveu – e repete-o agora – que, daqui a cem anos, o historiador literário que pretender traçar um inventário da melhor literatura produzida no Brasil na segunda metade do século XX e nas primeiras décadas do século XXI não poderá se limitar a consultar as listas dos livros mais vendidos das revistas semanais nem os catálogos das grandes editoras.</br><br>            Se o fizer, correrá o risco de cometer equívocos, tal como o investigador que se satisfaz ao compulsar apenas a documentação oficial de determinado período histórico – porque acaba por ficar com a visão de apenas um lado da História e exatamente o mais forte e opressivo. Afinal, boa parte da literatura de melhor qualidade vem sendo publicada no Brasil por pequenas editoras fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro.</br><br>            Basta ver que nenhuma das casas editoriais paulistas e cariocas de hoje ocupou o vácuo deixado pela Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro, que, da década de 1940 até meados da década de 1980, cumpriu exemplarmente o papel de incentivar os jovens talentos, revelando um grande número de romancistas, contistas e poetas que hoje fazem parte da história da Literatura Brasileira.</br><br>            Uma prova do que se escreve aqui é o romance <i>Deus de Caim</i>, de Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008), que agora sai em terceira edição pela editora Letra Selvagem, de Taubaté-SP, depois de ter sido publicado pela Edinova, do Rio de Janeiro, em 1968, e pela Gráfica Sereia, de Cuiabá, em 2006. Se tivesse sido lançado à época pela José Olympio, teria seguido um percurso natural, ganhando maior divulgação na imprensa e adquirido o foro de grande revelação literária. Afinal, em 1967, o romance conquistara o quarto lugar do Prêmio Nacional Walmap, o mais importante do País à época, depois de analisado por um júri integrado por Guimarães Rosa (1908-1967), Jorge Amado (1912-2001) e Antonio Olinto (1919-2009).</br><br>            O primeiro lugar ficou com <i>Jorge, um brasileiro</i>, de Oswaldo França Júnior (1936-1989). Olhando-se a uma distância de 45 anos, é de reconhecer que o júri não andou mal ao escolher o livro de França que, talvez até em função da premiação ou do ativismo literário do próprio autor, tornou-se mais conhecido e teve melhor fortuna crítica, assim como boa parte da produção do escritor mineiro, ainda que se possa dizer que, literariamente, o romance de Dicke é mais bem trabalhado e cerebral. Por isso, mereceria ter tido melhor sorte.</br><br>                                                           <b>II</b></br><br>            Ao contrário de Oswaldo França Júnior, que, morando em Belo Horizonte, teve alguns de seus livros publicados pela Nova Fronteira, do Rio de Janeiro, e, dentro das limitadas dimensões da literatura num país ainda extremamente inculto, tornou-se um nome conhecido nacionalmente, Dicke teve uma carreira literária, praticamente, ignorada, ainda que tenha sido citado por alguns raros autores e estudiosos, que conheciam a sua obra e reconheciam sua importância. Entre aqueles que se referiram com entusiasmo à obra de Dicke estão Hilda Hilst (1930-2004), Nélida Piñon (1937) e até o cineasta Glauber Rocha (1939-1981), que chegou ao exagero de afirmar que Dicke era “o maior escritor vivo do Brasil, mas que ninguém o conhecia”.</br><br>            Quem consultar hoje o Google talvez venha a concluir que foi preciso que Dicke morresse para que seu nome passasse a se tornar mais conhecido. De fato, hoje, já não é tão desconhecido assim. E até já ultrapassou os muros da universidade. Em 2005, Juliano Moreno Kersul de Carvalho, mestre em História pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), apresentou a dissertação “Do sertão ao litoral: a trajetória do escritor Ricardo Guilherme Dicke e a publicação do livro <i>Deus de Caim</i> na década de 1960”. Para escrevê-la, teve a oportunidade de consultar o arquivo particular do autor. É de sua autoria o prefácio da segunda edição, reproduzido também nesta terceira edição.</br><br>            Em 2011, Luciana Rueda Soares, professora de Língua Portuguesa, também obteve o seu mestrado em Letras pela UFMT com a dissertação “A configuração das personagens em <i>Madona dos páramos</i>, de Ricardo Guilherme Dicke”, mas, antes disso, já escrevera o artigo “Ricardo Guilherme Dicke e a marginalização do sistema literário tradicional brasileiro”, fruto das pesquisas para a sua tese de mestrado, em que aborda a questão da ausência de escritor no cânone literário nacional. </br><br>            Luciana afirma que essa constitui apenas uma das muitas injustiças que ocorrem em uma sociedade em que uma elite intelectual determina o que tem valor estético ou não. Para ela, “são muitos os excluídos da lista canônica, mas com o avanço e a globalização das informações é só uma questão de tempo e oportunidade para que essa questão seja revista”. Ainda bem. Aliás, a reparação dessa injustiça começa a ser feita pela terceira edição de <i>Deus de Caim</i>, pela Letra Selvagem, que vem alcançando grande repercussão nos jornais que ainda dedicam espaço à literatura. Com essa (re)descoberta do grande autor que Dicke sempre foi, o que se espera é que as dissertações de Juliano Moreno Kersul de Carvalho e Luciana Rueda Soares também sejam publicadas em livro em breve.</br><br>            Sem contar que a terceira edição de <i>Deus de Caim</i> traz também uma apresentação de Nelly Novaes Coelho, professora titular da Universidade de São Paulo, em que a renomada crítica literária diz que este labiríntico romance “deu início à grande obra que Ricardo Guilherme Dicke realizou durante toda a sua longa vida”.</br><br>                                                           <b>III</b></br><br>            Dicke nasceu em Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, onde passou a infância. Era filho de um alemão que viveu no Paraguai e mudou-se para o Brasil. Já adulto, passou a morar em Cuiabá, onde chegou a escrever o seu primeiro livro, <i>Caminhos de Sol e Lua</i>. Ainda bastante jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se licenciou em Filosofia e especializou-se em Merleau-Ponty (1908-1961) e fez mestrado em Filosofia da Arte na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estudou pintura e desenho e participou do Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1966.</br><br>            A essa época, trabalhou como revisor, redator e tradutor e foi repórter de <i>O Globo</i>. Depois da publicação de <i>Deus de Caim</i> em 1968, resolveu voltar a Cuiabá, onde trabalhou como professor e jornalista e fez várias exposições de seus quadros. Ao morrer, aos 72 anos, deixava uma obra respeitada por alguns intelectuais, mas ao mesmo tempo ignorada. Seus livros, na maioria, foram publicados por editoras pequenas, em tiragens reduzidas, e repercutiram pouco na imprensa do Rio de Janeiro e São Paulo. Ao que parece, deixou ainda algumas obras inéditas nas mãos da viúva, Adélia Boscov, com quem casara aos 26 anos de idade.</br><br>            Publicou ainda <i>Como o silêncio</i> (1968), <i>Caieira</i> (1978), <i>Madona dos páramos</i> (1981), <i>Último horizonte</i> (1988), <i>A chave do abismo</i> (1986), <i>Cerimônias do esquecimento</i> (1995), <i>Rio abaixo dos vaqueiros</i> (2001), <i>Salário dos poetas</i> (2001),<i>Conjunctio oppositorum no Grande Sertão</i> (2002) e <i>Toada do esquecimento & sinfonia eqüestre</i> (2006).</br><br>                                                           <b>IV</b></br><br>            Inspirado em conhecido mito bíblico, <i>Deus de Caim</i> conta a história de dois irmãos gêmeos, Jônatas e Lázaro, que se apaixonam pela mesma mulher, Minira, localizando-os em Pasmoso, cidade inventada assim como a Yoknapatawpha, de William Faulkner (1897-1962), a Macondo, de Gabriel García Márquez (1927), e a Santa Maria, de Juan Carlos Onetti (1909-1994), imaginada no interior do Mato Grosso. Com estilo denso, Dicke leva o leitor para um mundo dominado pelo ódio e pela incompreensão, em que todos parecem condenados ao inferno.</br><br>            Na apresentação que escreveu para o romance, o escritor e crítico Ronaldo Cagiano diz que <i>Deus de Caim</i> “se converte numa escritura das paixões e desatinos humanos; é também fruto de uma catarse do autor e de seus personagens, tal o fluxo desordenado, eruptivo e fulminante com que sua narrativa, tecnicamente apurada, vai se processando”. E observa que, “ao traçar um painel da vida rural e urbana do Mato Grosso, <i>Deus de Caim</i> desvela também as tensões sociais da época, o garroteamento da liberdade, a relação entre a civilização e a barbárie, entre o campo e a cidade, entre a descrença e a utopia, entre o imperativo da modernidade e os grilhões do atraso”.</br><br>            Já no prefácio que escreveu para a primeira edição de <i>Deus de Caim</i>, o acadêmico Antonio Olinto comparou o estilo de Dicke com o de Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), embora soubesse que o escritor matogrossense nunca havia entrado em contato com a obra do francês. E observou que “o estilo e os temas de Céline andavam no ar e outros escritores os pegavam sem precisar de leitura”. Para o crítico, ambos os escritores usam “uma linguagem de ódio”, embora Dicke use também “uma linguagem de amor, não o romântico, o de puro sentimento, mas o erótico, o da loucura de Eros que, felizmente, o mais civilizado dos homens e a mais industrial das sociedades ainda são capazes de ter”.</br><br>            O que é de admirar é que um romance dessa qualidade tenha passado, praticamente, despercebido pela crítica e pelas grandes editoras (e, por extensão, pelo leitor) durante tanto tempo. A culpa, com certeza, não cabe ao autor.</br><br>____________________________</br><br><b><i>DEUS DE CAIM</i></b><b>, de Ricardo Guilherme Dicke. Taubaté-SP: Letra Selvagem, 2010, 400 págs., R$ 40,00. E-mail: <a href=&quot;mailto:letraselvagem@letraselvagem.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot;>letraselvagem@letraselvagem.com.br</a> Site: <a href=&quot;http://www.letraselvagem.com.br/&quot; target=&quot;_blank&quot;>www.letraselvagem.com.br</a></b></br><br>___________________</br><br>(*) <b>Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de <i>Gonzaga, um Poeta do Iluminismo</i> (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), <i>Barcelona Brasileira</i> (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e <i>Bocage – o Perfil Perdido</i> (Lisboa, Caminho, 2003).  E-mail: <a href=&quot;mailto:marilizadelto@uol.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot;>marilizadelto@uol.com.br</a></b></br></br>]]></description>
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<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 16:18:00 GMT</pubDate>
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<item>
<title>Imagens do Concelho de São Roque do Pico</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4397</link>
<description><![CDATA[<br><br>Não
é um livro recente. Mas  o facto de ir
numa segunda edição e, mais do que isso, o reconhecimento da sua qualidade
intrínseca justificam alguma atenção a estas 
<i>Imagens
do Concelho de São  Roque do Pico</i> (org. de José Manuel Martins Gomes e Paula Maria Oliveira
Gil; concepção e arranjos gráficos de 
Mário Leal. Câmara Municipal de São Roque). </br> <br>Em relação a este livro, creio que nos podemos deter,
fundamentalmente, em duas ordens de questões: a do próprio livro em si, a sua
organização interna, valor representativo e documental, por um lado; as
circunstâncias e as condições da sua génese, da sua concepção, por outro lado. </br> <br>Na origem remota destas <i>Imagens </i> está, de facto,  uma exposição fotográfica realizada em 2001
pelo Professor José Gomes com uma turma do 7.º ano na Escola Básica
Integrada/Secundária de S. Roque. A exposição organizara-se a  partir de fotografias recolhidas pelos alunos
junto das famílias e  acabou por suscitar
o interesse e  a adesão dos visitantes; o
projecto do livro nasceu aí, a ele veio juntar-se a Professora Paula Gil. </br> <br>Há em tudo isto alguns aspectos que julgo deverem merecer a nossa
atenção.Trata-se, em primeiro lugar, de um projecto que, embora tendo nascido
na Escola, ultrapassa o seu domínio físico e acaba por envolver a própria
comunidade, tornando-a participante ou, sob outra perspectiva,
possibilitando-lhe que se reveja numa actividade desenvolvida pela Escola. Este
é um aspecto particularmente grato de 
referir, por mostrar que “há mais vida para lá… da sala de aula” e que
essa vida implica disponibilidade pessoal, tempo, as tais horas que nenhuma
burocracia triunfante  saberá ou estará
disposta a contabilizar.</br> <br>Quanto ao livro propriamente dito, é de realçar o seu propósito
organizativo que pressupõe já uma metodologia “científica”, digamos assim,  na abordagem do Concelho e da sua realidade
histórico-social: a distribuição dos materiais fotográficos por freguesias e/ou
núcleos populacionais e de acordo com itens temáticos como locais e eventos,
associações, festas e actividades económicas, entre outros, fornece uma
uniformidade de critérios que permite, em contrapartida,  uma 
perspectiva da diversidade social, económica do próprio Concelho.</br> <br> </br> <br>Organizado desta forma, recolhendo imagens que vêm já desde o
final do século XIX e sobretudo documentam o século XX, este livro proporciona
uma visão da passagem do tempo sobre pessoas e lugares e atesta a existência e
o desaparecimento de dinâmicas económicas e industriais, de comportamentos
individuais  ou colectivos. No seu
particular carácter fragmentário e avulso ( próprio do registo fotográfico),
estas <i>Imagens</i> constituem, em último
caso, uma narrativa histórica, económica e social do Concelho, com abundante
matéria de interesse ainda para o antropólogo. </br> <br>Lendo o livro com atenção, é possível constatar aquilo que o tempo
tem vindo a introduzir na nossa vivência colectiva, como é também possível
reactivar uma memória pessoal ou social, evocar pessoas que conhecemos e com
quem deixámos já de cruzar-nos e confrontar-nos igualmente com a dinâmica dos
próprios espaços, pois, tal como as pessoas, eles nascem, crescem e
transformam-se. Mas há ainda  um
exercício intelectualmente estimulante (e neste sentido o livro tem um inegável
sentido de pedagogia cívica e até política) que consiste em ler as fotografias
ao pormenor, <i>reparar</i> (verbo
barthesiano) nos sinais que  nos enviam
do lado de lá desse tempo suspenso que é o delas: o que vestem as pessoas, ou
não vestem; o que calçam, ou não calçam; de que modo se colocam em pose frente
à câmara ou, no extremo posto, em que lugares e ocasiões foram surpreendidas
pelo ruído brusco do disparo. Fotos como a n.º 231 ( do grupo de presos políticos
dos anos 30)  ou a n.º 37, com as vítimas
da crise sísmica de 1973 a
dormir em barricas, dizem-nos mais do que o suficiente sobre as condições
sociais de um tempo de abandono e misérias (e 1973 está ainda ali,  ao virar da esquina) e trazem-nos a memória  da falta de direitos cívicos  e  o
aguilhão desse tempo em que os Açores funcionavam como uma espécie de
logradoiro político onde eram despejados os indesejados do regime (Nemésio,
eufemisticamente, dizia que os Açores serviam como “lugar de repouso para
políticos revoltados”). </br> <br>Este é, na verdade, um contributo valioso para a nossa memória
colectiva. E se é verdade que não devemos ficar reféns da memória, também é
verdade que sem ela dificilmente poderemos pensar, ou pensar bem, como afirma
Harold Bloom.</br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4397</guid>
<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 09:15:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>Domingo</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4396</link>
<description><![CDATA[<br><br>A manhã avança lentamente, cinzenta. As
árvores têm um silêncio pesado, inabitável, enquanto o Inverno se arrasta em
direcção ao Tempo. O chão ainda branco apesar da chuva de ontem. Descubro um
corvo no topo do pinheiro do vizinho, displicente, a olhar o vazio. Em baixo, a
piscina abandonada, as cadeiras, os vasos sem flores e cobertos de neve. Fecho
a persiana e pego no jornal.</br> <br>Oiço um piano, <i>A house is not a home</i> de Eliane Elias. É domingo. Esta manhã de Janeiro parece um deserto.</br> <br>No jornal descubro que Leonard Cohen, 77,
de casaco e chapéu pretos, lançou recentemente um novo álbum, <i>Going home</i>.
Na caixa, do lado direito da recensão (encomiástica) de Brad Wheeler, a
jornalista Laura Ferreiro faz um pequeno relato do lançamento do disco em Los
Angeles.</br> <br>Leonard Cohen não envelhece. Tem sempre o
mesmo ar de intelectual veterano e descontraído. A sua poesia, bem como a sua
música, degustam-se com o deleite das coisas que se instalam na nossa
sensibilidade com a consciência e a fluidez de uma asseveração. </br> <br>Algumas páginas a seguir reparo numa
recensão à biografia do cineasta americano John Huston: <b>John Huston</b> <i>Courage
and Art</i>, da autoria de Jeffrey Meyers. </br> <br>John Huston, como Hemingway ou Norman
Mailer, legaram-nos mais do que a impressionante radiação do seu talento. As
suas vidas privadas e públicas acompanharam as obras como apêndices
indissociáveis. A irreverência, as paixões, os amores e desamores, as
controvérsias e extravagâncias do génio, tudo isso foram marcas das suas
personalidades. </br> <br>Quem se recorda do clássico <i>Casablanca</i>,
de Michael Curtiz, onde contracenaram Bogart e Ingrid Bergman, terá igualmente
como referência cinematográfica outra grande película – <i>The African Queen</i>,
com Bogart e Katharine Hepburn, de John Huston.</br> <br>Se não for a imaginação e o
entretenimento, o que nos resta no mais deprimente dia da semana, o domingo? </br> <br>Folheio, folheio e volto a folhear o
jornal. Além da crise económica e de outras notícias deprimentes que nos
assaltam todos os dias, que me resta ler? Onde estão os artigos sobre a
corrupção e o cinismo do grande capital? Que me interessa a vida plástica das
figuras bamboleantes de Hollywood, ou inteirar-me das manobras dos políticos?
Não são eles também actores? Desporto? Hóquei no gelo? Futebol à moda dos
americanos? Do anúncio de um automóvel com quatrocentos cavalos e que só pode
andar legalmente a 50
 quilómetros por hora? Dos preços mais do que
inflacionados das casas? Da inveja dos cínicos ou do pedantismo dos cabotinos? </br> <br>Onde está o caixote do lixo?</br> <br> </br> <br>P.S. Lembro-me de que ainda não li, de
Gerard Martin, a biografia de Gabriel García Marquez. Ainda me restam algumas
ideias, melhor, opções. Afinal não é assim tão densa a minha névoa interior.</br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4396</guid>
<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 09:00:00 GMT</pubDate>
</item>
<item>
<title>A Nielsen e a GfK no Brasil</title>
<link>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4395</link>
<description><![CDATA[<img src=http://www.pnetliteratura.pt/imagens/201221205242_5.JPG border=0><br/><br><br>A <b>Nielsen </b>e a<b> </b><b>GfK,</b> duas
das maiores empresas de pesquisas de mercado do mundo, vão passar a avaliar as vendas
de livros no Brasil ao longo deste ano de 2012. Hoje em dia, o mercado
brasileiro não é aferido de forma fiável por nenhum instituto especializado,
dependendo de dados de editoras e livrarias que nem sempre veiculam dados reais.<b></b></br> <br><b>Ler mais em:  <a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1034110-gigantes-globais-querem-medir-vendas-de-livros-no-brasil.shtml&quot; target=&quot;_blank&quot;>Folha</a></b></br></br>]]></description>
<guid>http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=4395</guid>
<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 00:01:00 GMT</pubDate>
</item>
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