As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste.
João Cabral de Melo Neto
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Mini-entrevistasMini e Auto-Entrevistas
Literatura num Minuto

Andrea del Fuego: “Tentando ser leve como na primeira vez em que escrevi um texto”

[17-01-2012] |
Quais seus planos a curto prazo? Parir tranquila. Escrever livros é um longo trabalho racional, a gestação é fisiológica e não depende da razão, estou vivendo temporariamente uma troca de polaridade.   Quais seus planos a médio prazo? Terminar o próximo romance, tentando ser leve como na primeira vez em que escrevi um texto.   Quais seus planos a longo prazo? Escrever melhor.   Qual erro repetirá? Continuarei a ter medo.   Qual acerto jamais será repetido? Gerar Francisco José.   Acredita que escreverá até o fim da vida? Tenho certeza.   Como você cuida do refluxo criativo? Sim, lendo autores cuja qualidade é inalcançável.   Quanto de você há em seus textos? Tudo o que é possível dizer.   Quanto de você não há em seus textos? O meu cotidiano, aquela repetição que transforma atos delicados em rotina....  Ler Tudo >>

José Carlos Bernardes: “Do meu ponto de vista a matemática não está longe da poesia”

[29-12-2011] |
Porquê Palavras Imóveis?    A imobilidade, no sentido da contemplação e observação do mundo, é um tema transversal ao livro. É também o nome de um dos capítulos. Conforme o livro foi sendo escrito, tornou-se para mim óbvio que o título teria de rodar à volta desse tema. Uso o termo imobilidade num sentido muito particular. Não de inacção, mas de introspecção e de contemplação do mundo que nos rodeia.  O que são para si as palavras? Vivas ou imóveis? Ambas. No inicio as palavras apenas existem, sós e sem significado poético. Ganham vida e múltiplos significados quando se unem. Revelam-se mutuamente quando se libertam do léxico e se encadeiam pela mão do poeta. Seguidamente imobilizam-se no papel como que hibernando. E por fim, libertam-se cheias de significado e vida pela imaginação do leitor.       De que fala cada capítulo? Prólogo – É uma apresentação do “eu poeta”. Pode ser visto como uma abertura, onde são reflectidos os vários estados de alma que o livro contem.   ...  Ler Tudo >>

Miguel Real: “Um bom romance deve desmascarar a cultura “descartável”,”

[14-11-2011] |
1. – O que é um bom texto narrativo?   1. – Quando o texto une inteligência e sensibilidade, vibra contra o racionalismo na arte, o academicismo, o eruditismo, a retórica balofa, o estilo pedante e pomposo, a literatura livresca e moralista, a total vinculação ao estudo do passado literário sem compromissos estéticos actuais;   2. – Que critério pode ser detectado no texto que identifica a sua “boa qualidade” narrativa?   2. Quando o texto, como pulsão de desejo estético, munido de suficientes portas e janelas por onde corre o ar fresco da criação nova, interpenetra conhecimento e criação;   3. – O que um texto narrativo deve ser?   3. – O texto ganha a sua própria legitimação quando se estatui como espaço estético contra a cultura como efeito de propaganda e contra a cultura como forma de imbecilização de massas;   4. – A quem se dirige o texto narrativo?   4. – Ao leitor. Neste sentido, o texto não deve tratar o leitor nem como idiota nem como génio, e celebrar o paradox...  Ler Tudo >>

Patrícia Melo entrevista Ivan Salinas

[10-09-2011] |
Ivan Salinas - Reparar uma ausência          El sendero frugal         De Jacques Dupin         (Antologia Poética 1963-2000), prólogo de Paul Auster, seleção, tradução e epílogo de Ivan Salinas, ilustração de Pierre Alechinsky.         Edição Mexicana: Hotel Ambosmundos, 2010         Edição chilena: Chancacazo, 2010            Conheci o escritor e tradutor Ivan Salinas na primavera deste ano, num festival de literatura em Marseille. Ficamos amigos já no primeiro encontro, e desde então  nossa conversa gira em torno de Jacques Dupin, poeta nascido nos anos vinte, que se dedicou durante anos à edição de revistas e livros de arte em Paris, tendo sido diretor das edições de arte da mítica galeria Maeght. O exercício de crítico de arte realizado por Dupin tornou-o amigo de  Picasso, Tapiès e Giacometti, entre outros, e acabou por imprimir uma qualidade específica na sua poesia focada no homem, seus absurdos e seu temor à morte. Dupin embora utilize a natureza e sua força como ponto de part...  Ler Tudo >>

Auto-Entrevista - Obra: A Desilusão de Judas de António Ganhão

[29-08-2011] |
Autor: António Ganhão Obra: A Desilusão de Judas António Ganhão Editora: Lua de Marfim Lançamento: dia 6 de Setembro, 17.30h, El Corte Inglês, com apresentação de Miguel Real.   AUTO-ENTREVISTA   - Porquê a escrita?   Porque as palavras são eternas. Elas soltam-se dentro das frases, ganham vida própria e nunca mais ninguém lhes rouba essa vitalidade. Nós somos perecíveis, mal crescemos, entramos logo num processo de degradação. Somos, por breves instantes, o pó que ainda não assentou. A escrita tem esse lado de imortalidade que me fascina. De pó em permanente suspensão. Não altera a nossa natureza, mas exalta-nos e prolonga-nos.   - A religião surge como um factor aglutinador do seu livro. Existe no Barreiro uma comunidade religiosa tão expressiva como a que deu corpo no seu romance?   O Barreiro foi porto de chegada de muitos imigrantes vindos das terras do Alentejo, ficaram ali com Lisboa do outro lado. Foi uma espécie de fronteira entre o apelo do mundo moderno, a capit...  Ler Tudo >>

“O poema é para a palavra o que o fígado é para o corpo”

[01-08-2011] |
1. Nos 42 poemas de Versos Transeuntes Verbos Ausentes, lê-se diferentes propostas de assuntos, dentre eles o romântico, o humor e a política. A que suas poesias atribuem às temáticas? São assuntos simbólicos, de grande comoção, diga-se, desde já. Sem interessar o momento declarado, é vislumbrada a atenção do público e também o desenvolvimento de opiniões, elogios e sugestões. Conquista é a meta de qualquer um dos símbolos citados nesta pergunta. Mais ainda é despertar sentimentos e reações. Diversas situações aludem os poemas do livro. Eles preferem ser ativos e concluir-se (ou continuar-se) no leitor, tal como argilas e escultor. Para isso, é necessário que a leitura aprecie a circunstância e a interprete. A lembrança trata de analisar-se através dos casos omissos. Ou, ainda, trata de declarar-se a eles.   2. A partir do título Versos Transeuntes Verbos Ausentes pode-se notar a postura diferenciada da obra. O livro trabalha na mudança constante? Ao encontrar-se parado...  Ler Tudo >>

Henrique Normando: “A Poesia escapa a formas rígidas e definitivas”

[29-07-2011] |
1 - O que é para si aLiteratura ? H.N. –   Segundo oconceito tradicional,o Autor é uma pessoa que escreve usando exclusivamente opoder da sua imaginação. Para Barthes, no mundo moderno,este conceito estáobsoleto, pois segundo ele,o Autor combina” textos pré-existentes em novasformas.”       Estou em desacordo com opensamento de Barthes, talvez porque sou essencialmente um escritor de Poesia eacredito que um Poeta só é original e “verdadeiro” se inovar, sendo um Criadorque transmite  ao Leitor a essência da sua alma e das suas experiênciasenvolvendo, ainda que inconscientemente,as influências que recebeu dos autoresque leu,com destaque para os que mais o marcaram. 2 - O que pensa da Poesia que se fazactualmente em Portugal? H.N. – Penso que a maior parte  da Poesia que sepublica,é cosmética.Não resisto a c...  Ler Tudo >>

AUTO-ENTREVISTA - Julieta Ferreira

[25-07-2011] |
É errado pensar que uma auto-entrevista é fácil. Primeiro fiqueientusiasmada com a ideia por ser uma oportunidade de falar sobre o que ficageralmente omisso nas entrevistas que me têm feito. Depois, quedei-me a olhar obranco tremeluzente no monitor do meu portátil, sem saber por onde começar.Isso raramente acontece quando me sento para escrever porque o processo daescrita se inicia muito antes de as palavras ganharem forma e criarem imagensno espaço vazio da página. Ah! Afinal encontrei a primeira pergunta.1.      Onde e como se inicia o processo da escrita?R: A verbalização das minhasideias, em forma de escrita, deixa de ser um começo mas sim o desfecho de umpercurso, iniciado num momento atemporal, na esfera do meu pensamento, únicolugar onde existo despida dos atavios com que me enfeito e os que me sãooferecidos pelos olhares dos outros. É no pensamento que residem as palavrassem embuste. A seguir, há uma viagem que se inicia após a visualização dasprimeiras frases a desenharem ima...  Ler Tudo >>

Pedro Paixão: “Há muitos anos aprendi que a primeira coisa a esperar do público é a traição”

[18-07-2011] |
1.Por que razão insiste em escrever? R.: Não creio que haja uma razão, antes uma constelação delas. Consigo facilmente identificar duas. Primeiro, não saber, ou poder, fazer mais nada; segundo, ao escrever empresto um sentido ao que acontece, sentido que não encontro na vida. Escrevo por ter insuperáveis dificuldades em compreender: os outros e eu próprio. Mas também há certamente vaidade, vontade de poder, desejo de ser amado. 2. Se não pudesse escrever o que fazia? R.: Fechava-me, se me aceitassem, num mosteiro onde fosse interdito falar. 3. Qual é o tema principal deste seu último livro, A Rapariga Errada? R.: Não sei se os livros têm temas, pelo menos para quem os escreve. No que diz respeito a este poderia arriscar que trata do desajuste entre uma pessoa muito nova e o mundo em que vive. Ou o desajuste que existe nela própria, dentro de si, e que a lança numa procura que não consegue, no entanto, definir. Ou o irreconciliável desajuste entre amar e ser amado. Qualquer coisa assim....  Ler Tudo >>

Auto-entrevista - Maria Helena Ventura *

[11-07-2011] |
Baseio esta mini auto-entrevista num questionário pouco rígido, maleável, já que as perguntas, mais vezes formuladas em entrevistas ou por leitores comuns, têm sido colocadas de forma diferente.O objectivo principal é dar informação sobre o romance Cidadão Orson Welles, o meu décimo sexto livro publicado em Março deste ano. 1 – P. O que a levou a escrever sobre Orson Welles, ou quando se entusiasmou pelo trabalho e pela figura deste cineasta a ponto de querer escrever sobre ele?     R. Presumo que todos os autores escrevam sobre temas que os fizeram pensar e figuras que os marcaram, cumprindo uma das funções da literatura: questionar a vida. Afinal as ficções são construídas com símbolos, temas e personagens do real.                Já ouvia falar de Orson em criança, muito antes de alcançar a dimensão do seu talento com várias facetas. Naquela altura apenas intuía uma grandeza que os seus pares fingiam não reconhecer. Mais tarde chamaram-lhe génio.À medida que fui conhecendo melhor o s...  Ler Tudo >>

Entrevista a Miguel Almeida*

[01-07-2011] |
1.                   No contexto da sua obra, o que é que representa a publicação de Ser Como Tu?Até hoje, publiquei quatro livros, a saber, Um Planeta Ameaçado – A Ciência Perante o Colapso da Biosfera (2006), A Cirurgia do Prazer – Contos Morais e Sexuais (Abril 2010), O Templo da Glória Literária – Versão Poética (Julho 2010), e Ser Como Tu (Abril 2011). Pelo meio, participei ainda no livro Já não se fazem Homens como antigamente (Novembro 2010), um projecto de conjunto, meu e de mais três autores. No prelo está já Chireto: Uma Semana de Histórias para Contar ao Deitar (Lua de Marfim, 2011), o meu primeiro livro para crianças. Neste contexto, o que é que representa Ser Como Tu? Representa mais uma etapa num percurso, isto é, representa mais um desafio, que em dado momento assumi e consegui concluir. Nesta perspectiva, pode-se dizer que Ser Como Tu representa um sucesso. Mas sucesso ou não, caberá aos leitores decidir. Se Ser como Tu conseguir encontrar os seus leitores … Se vier a e...  Ler Tudo >>

Mini-entrevista à escritora Sônia Coutinho*

[22-06-2011] |
PERGUNTA1: No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?RESPOSTA: As formas podem mudar, mas a literatura continuará a ter sentido para além de todos os questionamentos, porque é uma das coisas que nos tornam o que somos: humanos.PERGUNTA2: Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou. Porquê?RESPOSTA: No início dos anos 2000 estive às voltas com um grave problema de saúde e isto me levou a parar de ler literatura. O grande acontecimento literário foi voltar à leitura, após recuperada. PERGUNTA3: Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.RESPOSTA: Não gosto muito de falar do que escrevo e dificilmente descreveria algum trabalho meu para um grupo de amigos. Mas cito aqui, sobre meu livro mais recente, o volume de contos “Ovelha negra e amiga loura”, uma frase...  Ler Tudo >>

Alexandra Malheiro, autora de "Luz Vertical" (prefácio de Pedro Abrunhosa); edita-Me, Editora, Lda

[17-06-2011] |
Questionário PNET/Literatura : 1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? A Literatura é uma arte, é estética, é uma transfiguração do real onde o real deixa de o ser e toma uma vida e uma realidade autónoma. A Literatura apela aos sentidos e à sua provocação bem como à provocação dos paradigmas que cada um transporta consigo, é uma oportunidade de interioridade e reflexão e ao mesmo tempo um apelo ao sonho e à sublimação.Assim sendo creio que apesar de instantista e cada vez mais tecnológico o mundo que vivemos não tem menos lugar à Literatura, esta serve, aliás, como uma forma de reestruturarmos o nosso equilíbrio mental, permitindo tantas vezes uma fuga à realidade e à realização pela sublimação. Não creio que a Literatura seja menos necessária e urgente hoje do que foi em épocas passadas. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natur...  Ler Tudo >>

Maria Sofia Magalhães: O “equilíbrio entre o real e o sonhado”

[07-06-2011] |
(Editora: edita-Me, Editora, Lda.)1.       No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?R.      Apesar do imediatismo e da tecnologia do instante, a literatura continua a fazer sentido no equilíbrio entre o real e o sonhado, no retrato do que há para além do segundo, como espaço de reflexão e depuração do reflexo no sentir do que se vive. 2.       Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?R.      A doação do espólio de Sophia de Mello Breyner à Biblioteca Nacional, porque a hipótese de poder apreciar, estudar, admirar, entender, a evolução e a criação poética de Sophia é, para mim e penso que para muitos, de um inegável interesse e funda emoção. 3.       Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.R.      Ciclo da Pedra é um livro que percorre um ca...  Ler Tudo >>

Cristina Carvalho e o recente lançamento de Casa das Auroras (Planeta)

[01-06-2011] |
Auto-entrevista: 1 – Qual a primeira pergunta que devo fazer a mim própria? CC – Devia começar por tentar, através desta auto-entrevista, esclarecer os leitores acerca de mim própria, alguns aspectos que eu considero realmente importantes, aspectos da minha vida, da minha obra, dos meus desejos literários, das minhas opiniões e, ao mesmo tempo, revelar as minhas relações com os leitores, o que é que os leitores pensam de mim e o que é que eu penso dos leitores. Trata-se de um exercício difícil porque uma entrevista, normalmente, pressupõe desde logo duas pessoas: uma que pergunta e a outra que responde. Não a mesma pessoa a perguntar coisas a si própria e isto é que é engraçado e insólito. Espero, pois, que os leitores compreendam a dificuldade disto mesmo.Não irei revelar absolutamente nada a respeito da minha pessoa enquanto pessoa, mas sim alguma coisa relacionada com aquilo que escrevo, porque escrevo e para quem escrevo.2 – Como se iniciou o processo de escrita que terminou com a ...  Ler Tudo >>

Auto-Entrevista de Patrícia Reis

[16-05-2011] |
Patrícia, estás bem?Cansada, mas bem, obrigada por perguntares. Nem todas as pessoas têm esse cuidado.Publicar um novo livro, neste caso o “Por Este Mundo Acima”, mete medo?Sim, de certa forma há sempre um medo associado ao seremos avaliados na forma como escolhemos partilhar ideias com o outro. Apesar disso, acredito que se escreve para que possam gostar de nós, para que se possam identificar com quem somos ou, no limite, para suscitar perguntas e respostas. Publicar é o fim de um processo. Quando o livro já nos saiu das nossas mãos há muito tempo é que começa a suscitar interesse, a chegar ao leitor. Essa sensação, a linha do tempo, é um pouco estranha. Por Este Mundo Acima é uma peregrinação futurista numa Lisboa destruída, mas não é um livro sobre um acidente nuclear, pois não? É sobre o quê?É sobre aquilo que mais me interessa: as pessoas, as dúvidas, os segredos, os medos, a forma como partilham, como descobrem afinidades. É um livro sobre a memória e sobre o bem e o mal. Num cen...  Ler Tudo >>

Auto-entrevista de Mário de Carvalho

[03-05-2011] |
A par das "Mini-Entrevistas" (dependentes de um questionário fixo, sucinto e apropriado à rede), as novas "Auto-Entrevistas" passam, a partir de hoje, a assumir um formato inovador. A regra é simples: sempre que uma editora esteja prestes a – ou acabe de – lançar no mercado um novo livro, o autor é convidado a criar dez perguntas particularmente adequadas sobre a obra (e o processo de escrita) e a elas… responderá. Mário de Carvalho deu-nos a honra de encetar o novo desafio: Auto-Entrevista: 1.P. O Homem do Turbante Verde é, de novo, um livro de contos. Trata de quê? R. Eis a típica pergunta da preguiça. Apetece sempre responder: «do que está lá dentro». Mas dada a consideração que tenho pelo perguntador, sempre direi que é um livro de contos de certa duração que se divide, não por acas...  Ler Tudo >>

Luiz Ruffato

[21-12-2010] |
Mini-entrevista a Luiz Ruffato por Kátia Bandeira de Mello-Gerlach1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura é o refúgio do espírito. Exatamente por vivermos num mundo onde a espetacularização é a palavra de ordem, onde o consumismo tornou-se uma espécie de bandeira existencial  e a tecnologia a panacéia para todos os problemas,  a arte, e particularmente a literatura, mantém-se como o lugar privilegiado para a reflexão sobre o que permanece, porque o Homem, mesmo a mais superficial das pessoas, tem consciência de sua finitude e busca, portanto, a transcendência. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Tive o privilegio de participar, efetivamente, do "renascimento" da literatura brasileira. Nós tivemos um boom na década de 1970, com uma relação autor-mercado-leitor bastante razo...  Ler Tudo >>

Lúcia Bettencourt

[15-12-2010] |
Entrevista à escritora Lúcia Bettencourt*por Kátia Bandeira de Mello-Gerlach - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?-  A literatura sempre fará sentido, o mundo é que vai deixando de ter um. Vamos aprender a ler as obras literárias a contrapelo, como disse o Walter Benjamin. E, fechando os olhos assustados do "anjo da história", desenvolveremos uma nova visão.-Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?- Talvez não seja o que se chama usualmente de literário, mas o que me tocou, nesses momentos de guerra no Rio, foram as inúmeras cartas entregues à polícia e aos repórteres. Creio que esse seria o best seller que todos gostaríamos de ler.-Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.- Um livro nascido da dor e da revolta contra a mort...  Ler Tudo >>

Rosa Regàs, uma ilustre escritora que o Brasil não conhece *

[29-11-2010] |
Entrevista conduzida por Urariano MotaA passagem de Rosa Regàs pelo Recife mal foi notada. A não ser por curtíssimas notas onde se anunciava uma espanhola que havia recebido certa vez um Prêmio Nadal, os repórteres locais não foram além do release do Instituto Cervantes. Pior para eles, pior para os amantes da literatura.  Em muito breve resumo sobre a escritora, poderiam ter anotado:Ex- editora de La Gaya Ciencia, trabalhou antes na editora Seix Barral, selo editorial que ocupou importante papel no boom da literatura latino-americana em toda Europa. Rosa Regàs se tornou escritora depois dos cinquenta anos, ao fim de um casamento de mais de 30 de convivência, quando vendeu a sua editora e  renunciou “também ao cigarro”, como conta. Hoje, aos 77 anos, é uma senhora lúcida, elegante, de aparência frágil, mas com um senso de humor sem freios nada politicamente correto. Isso não a impede de espalhar uma indignação contra a injustiça, como uma lembrança e atualização dos republicanos espanh...  Ler Tudo >>

Maite Carranza

[24-11-2010] |
Llosa: “Fue el autor más querido de mi juventud”1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?  Los humanos dependemos de la palabra y explicamos el mundo a través de las historias. La literatura es eso, nuestra palabra sobre el mundo. No importa si la palabra se difunde en papel o en pantalla.  2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?El Premio Nobel a Mario Vargas Llosa. Fue el autor más querido de mi juventud lectora y uno de mis maestros. A pesar de mis diferencias políticas con él lo sigo admirando y leyendo devotamente.  3- Fale-nos resumidamente do seu último livro*, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. Una muchacha desaparecida hace cuatro años y a quien todos dan por muerta se pone en contacto con una amiga a través de un teléfono móvil. En realidad ha estado secuestrad...  Ler Tudo >>

Reginaldo Pujol Filho*

[13-10-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Olha, às vezes parece que esse mundo quer nos levar a crer que não. Mas vou dizer o seguinte: talvez seja justamente nesse cenário que a importância e o sentido da literatura crescem. Não estou dizendo que isso seja uma percepção geral. Acho que é de poucos, mas é minha. Quero dizer assim: se é tudo cada vez mais imediato e instantanista, tudo o que não é assim deveria ser valorizado e ganhar um sentido maior. Ao responder esta pergunta começo a ver a literatura como uma ilha de pausa, de reflexão e de imaginação em um mundo de estímulos é-pra-já, de respostas prontas, de ansiedade e Google. Sim, a literatura, tem sentido e muito. Me parece que hoje nossas mentes estão ao mesmo tempo tão agitadas e anestesiadas por tantos e tantos e tantos estímulos. E a leitura concentrada de um bom romance, ou o simples pensar sobre um poema...  Ler Tudo >>

manuel a. domingos*

[05-10-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sinceramente não sei. Penso que a Literatura só faz sentido para quem com ela se identifica.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A recente descoberta de William Gaddis. Penso que muitos de nós chegamos a um ponto pedante da vida em que, por alguma razão que desconheço, pensamos que já nada em Literatura nos surpreende ou que já não há acontecimentos literários. William Gaddis foi uma surpresa para mim, foi um acontecimento literário. Não posso deixar de ficar surpreendido ao ler um texto (porque é disso que se trata, um texto) como Ágape, Agonia.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.Foi um livro escrito a quatro mãos (eu e António Godinho). Eu queria encontrar aqui ainda a terra é um v...  Ler Tudo >>

Rui Almeida*

[21-09-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura tem os sentidos que lhe formos (sociedade, autores e leitores) dando, portanto, terá sentido enquanto alguém a for significando assim, ainda que não exclusivamente.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Vou estando atento e procurando andar informado, mas não me entusiasmo com o que vulgarmente se chama de "acontecimentos literários", mesmo um ou outro a que, com gosto, compareça.Entusiasmam-me o que poderei chamar de "acontecimentos literários" mais pessoais, como a leitura de um livro, a descoberta de um novo autor interessante e soterrado pelo excesso de coisas que acontecem ou, e mais do que os anteriores, a possibilidade de partilha com amigos desta aventura que é descobrir nos textos outros mundos, outras vidas, outras p...  Ler Tudo >>

Pedro Eiras

[14-09-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Se tem sentido? Mas ela é o próprio sentido: por exemplo, o sentido da técnica, da tecnologia, do instante e do instantâneo.Seria preciso perguntar: e a técnica - teria sentido, sem a literatura que a interroga? E o instante - que seria o instante sem a palavra que o desafia?2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O Projecto Clarice, da autoria de Patrícia Lino. Ver aqui: http://projectoclarice.blogspot.com/Porque, na cidade onde trabalho, sobre as paredes das ruas, há agora frases de Clarice Lispector. Sou muito afortunado.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.Chama-se Pequeno Divertimento sobre Literatura em Cem Lições, também Conhecido sob o Título Substâncias Perigosas, em que se Expl...  Ler Tudo >>

Joaquim Magalhães de Castro

[27-07-2010] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura terá sempre sentido, a não ser que a abandonemos, rendidos à barbárie do irrisório efémero e do ultra visual. Num planeta a mil à hora, conspurcado por imagens de uma agressividade avassaladora, a literatura é mais do que nunca uma forma de resistência, um verdadeiro refúgio. Só ela nos fornece as imagens que nós queremos, e que só nós vemos. Digamos que é um caloroso espaço de intimidade nestes enormes e ruidosos parques temáticos em que se estão a tornar as sociedades em que vivemos, com todos em bicos de pés a quererem provar a sua individualidade, ignorando que, no fundo, não passam de uma massa homogénea. Vivemos no estranho mundo da individualidade uniforme.2 - Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Não acompanho de perto os actuais movimento...  Ler Tudo >>

Entrevista do escritor Urariano Mota a Marco Albertim

[23-07-2010] |
A bruxaria da criação literária Entrevista do escritor Urariano Mota a Marco Albertim  -  Conheci-o morando solitário numa pensão, na Boa Vista. Lendo Em busca do tempo perdido, comprando discos de jazz mesmo sem ter radiola em casa. O que mais o impressionou, então: Proust, Ella Fitzgerald ou as virtudes da inquilina do quarto vizinho?Morei em duas pensões, na Boa Vista. Uma, cujo prédio não existe mais, ficava na Princesa Isabel,  na área do Parque 13 de maio. A outra, ficava no cruzamento da João de Barros com a Suassuna, onde hoje está uma faculdade de direito. Eu não sei em qual delas eu fui mais angustiado, sozinho. Mas sem qualquer ética ou ideal de solidão. Na Pensão Princesa Isabel, enquanto subia a escada para um quartinho isolado lá no alto, da televisão da sala vinha a música de Paulinho da Viola, Simplesmente Maria, tema de uma telenovela. Ela me lembrava sempre que estava sozinho e sem mãe, cujo nome também era Maria. À hora dessa música sempre esperava algum golpe traiço...  Ler Tudo >>

Ana Cristina Silva

[14-07-2010] |
No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Obviamente que tem sentido. O célebre neurolinguista português António Damásio considera que os seres humanos talvez tenham nascido programados para contar histórias. Contar histórias, diz ele, talvez seja uma obsessão do cérebro. A boa literatura cria modelos ficcionais que representam seres humanos que se movem num espaço e num tempo - não necessariamente lineares - captando a densidade dos acontecimentos e das personagens através de recursos linguísticos e artíficios de intriga que conduzem o leitor à intensificação da consciência sobre a natureza humana. A boa literatura talvez seja um excelente antídoto para o mundo tecnológico e instantanista em que vivemos. Qual foi o últim...  Ler Tudo >>

António Carlos Viana*

[02-06-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creio que sim, porque podem mudar os suportes para a comunicação, mas os sentimentos nossos são sempre os mesmos. E a literatura é o meio de eles virem à luz com toda a força que só a palavra tem.2 – Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O lançamento dos livros de Roberto Bolaño, que teve para mim o mesmo impacto da descoberta de Cortázar nos anos 70. Seu Os detetives selvagens impressiona pela riqueza narrativa de seus inúmeros personagens.3 – Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.Meu último livro se intitula Cine Privê. São vinte contos em que procuro criar uma atmosfera de sufocamento, como se as personagens estivessem dentro de uma cabine sem ar.4 – Pensa que a literatura e a rede poderã...  Ler Tudo >>

Marco Aurélio Cremasco*

[19-05-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?O mundo tecnológico sempre existiu, o que mudou foram as ferramentas tecnológicas. A questão de ser instantâneo não é novidade, pois a Revolução Industrial trouxe o trem no século XIX e com ele uma velocidade até então inimaginável. E não só isso, propiciou um crescimento jamais visto na história da humanidade, afetando consideravelmente os setores produtivos, permitindo, entre outros, o desenvolvimento das comunicações. As artes foram afetadas e transformadas, incluindo a própria literatura sem, contudo, negar completamente manifestações artísticas passadas. Dessa maneira, perde-se o sentido quando se perde a memória e, por consequência, as referências. Os clássicos continuarão a ser clássicos. A literatura é fruto do que é humano e na medida em que este se transforma aquela o acompanhará, tendo ou não sentido.2 – Qual foi o...  Ler Tudo >>

Júlio Moreira*

[16-04-2010] |
 1 − No mundo tecnológico e instantanista em que vivemo crê que aliteratura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A  literatura, desde o “Iluminismo”, foi-se tornando um suporte fundamental do processo humanista, inclusive como factor de resistência. E, precisamente no nosso tempo, é como factor de resistência contra as inúmeras ameaças a que está sujeito o processo humanista, que a literatura se caracteriza e terá de se assumir. Sem pretender aprofundar esta questão essencial, considero que a própria literatura se encontra ameaçada, não tanto pela concorrência da imagem, de que tanto se fala, como pela pressão do mercado de subprodutos literários de efeito transitório. O tempo da resistência continua.  2 − Qual foi o último acontecimento literário, independentemente d...  Ler Tudo >>

João Almino

[07-04-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura precedeu o iluminismo e não se limita às fronteiras do mundo moderno. A necessidade de fabulação humana e a função crítica e de resistência da literatura se nutrem das mudanças por que passa o mundo.2 – Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Para mim os maiores acontecimentos literários são a produção das próprias obras literárias. Afirmar qual o acontecimento literário recente que mais me tocou coincidiria com a escolha de um livro que gostei de ler. Acabo de ler “A gate at the steps”, de Lorrie Moore, uma escritora cuja obra acompanho há muitos anos e que me atrai pela forma como elabora suas frases, juntando às vezes palavras ou ideias de maneira inusitada e com humor.3 – Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em...  Ler Tudo >>

Nelson de Oliveira*

[24-03-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Mais do que nunca, hoje a literatura faz muito sentido, porque apenas ela está enfrentando vigorosamente a mentalidade burocrática e mercantil do mundo contemporâneo. Os bons romances, as boas coletâneas de contos e poemas são invendáveis. Apesar disso, os grandes romances e as grandes coletâneas invendáveis não param de surgir no mundo todo. Isso é sinal de que ainda há algo poético, na natureza de algumas pessoas, que não se deixa reduzir nem simplificar.2 – Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Por quê?Já faz muito tempo... Mas me lembro de que fiquei bastante feliz, em 1998, com o primeiro Nobel para um autor de língua...  Ler Tudo >>

Marcelino Freire

[17-03-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sempre haverá teimosamente um campo para a palavra escrita, para as ideias, as histórias, a poesia. Não sou pessimista nesse sentido... Aliás, sou pessimista quanto ao sentido da literatura. Ela procura, digamos, dar sentido ao que não tem sentido. Ave nossa! Por isso, sempre continuaremos escrevendo...2 – Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?No final do ano passado, na cidade do Recife, um grupo de jovens escritores organizou o evento mais inusitado e original de que eu tenho notícia: a FREEPORTO. Eles fazem uma clara referência, uma bem-vinda paródia  a um evento literário que acontece perto do Recife, a FLIPORTO – Festa Literária de Porto de Galinhas. A FREE é bem mais informal, divertida. E tudo superbem organizado. Um barato!3 – Fale-nos resumidamente do...  Ler Tudo >>

André Carneiro*

[12-03-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Alguns séculos atrás: dois homens a cavalo conversam sobre algo emocionante. Podem estar usando o francês, o inglês, ou o português. Se a conversa fosse séculos para a frente estariam em um automóvel, mais alguns anos em um avião. A tecnologia que multiplicou e tudo alterou no funcionamento dos veículos, só fez na língua mudanças ortográficas ou palavras novas desprezíveis no conjunto.Uma simples e óbvia verdade cientifica é aquela que nos mostra que os instrumentos exteriores fabricados pelo ser humano evoluem em progressão geométrica, mas a língua permanece com a dificuldade das poucas dezenas de músculos dançando com as palavras. Livros eletrônicos já existem, imitando o livro de papel. Terão a eficiência de um lap-top, mas com inevitável obrigatoriedade da frase escrita com letra, exatamente igual á primeira Bíblia de Gute...  Ler Tudo >>

Cecília Prada*

[05-03-2010] |
1 – No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Mais do que nunca – a “verdadeira” literatura, a que tem resistido através dos tempos a todas as ondas de mediocridade, de selvageria, que tentaram submergi-la. Só considero literatura aquelas obras que nos dão algo a mais, algo novo, criativo, que nos faz pensar, sentir, principalmente – que me motiva a continuar escrevendo. É difícil distingui-la, em meio à enxurrada de livros que se publicam atualmente: estamos atolados em pilhas de coisas chochas, podres, confusas, idiotas. Mas sairemos desta.2 – Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê? Vivo afastada de “eventos” , grupos e “acontecimentos”, literários ou não... e a verdade é que nenhum livro contemporâneo, brasileiro, está fazendo balançar meu coração. Há alguns que leio com agrado, mas é tudo. Mas os roma...  Ler Tudo >>

Claudio Willer

[26-02-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Nosso mundo é tecnológico e imediatista há muito tempo. Sociedade industrial existe há uns 250 anos. No começo do século XX, o então prestigioso prosador francês Pierre Loti, um acadêmico, afirmava que o cinema ia acabar com a literatura. Já os surrealistas e outros inovadores assimilaram a sintaxe cinematográfica e a incorporaram á criação literária. Nunca se publicou tanto como hoje; e a literatura continua a renovar-se; a criatividade sabe dialogar com inovações tecnológicas sem que, por isso, os criadores se tornem ideólogos da sociedade burguesa. Quanto à outra pergunta implícita em sua pergunta, diria que literatura e meio digital interagem muito bem. O meio digital contribuiu para a criação (ah, como eu queria que existissem computadores pessoais quando re-datilografei sete vezes uma tradução de um poema de Ginsberg e a...  Ler Tudo >>

Andréa del Fuego*

[19-02-2010] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura sempre precisou de um drive, ela não se transporta sozinha pelo ar, no caso, o livro foi seu melhor suporte até agora. O livro chegou até aqui e acho que avançará porque é um drive seguro e estável. A literatura não deixará de nos encontrar, nem que seja apenas alguns poucos desocupados ou aqueles com menos pressa. A tecnologia acelerou nossa visão e nossas necessidades, a literatura é um descanso dessa aceleração pela própria leitura que ela exige, pelo tempo que ela exige para nos transportar.2 - Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O último acontecimento literário foi o que há de mais antigo, a...  Ler Tudo >>

Carlos Vogt*

[11-02-2010] |
1. No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A questão do veículo na circulação do fato literário, da produção literária tem, é claro, um papel importante, no que diz respeito ao alcance social dessa produção, tal como ocorreu de maneira impressionante e crescente com a invenção da imprensa e da multiplicação industrial do livro. O meio eletrônico, potencializado a partir da invenção do computador pessoal, com o desenvolvimento acelerado das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), tem e terá cada vez mais um papel fundamental na capacidade do alcance social da literatura, como aconteceu com a invenção da imprensa há séculos atrás. Num caso e no outro, ...  Ler Tudo >>

Miguel Sanches Neto*

[03-02-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Em uma idade de permanente superação tecnológica, a literatura faz cada vez mais sentido, mas dentro de um outro padrão de produção e de consumo. A forma de recepção do texto literário modificou, mas ele continua com uma grande força humanizadora. Antes, a idéia de totalidade do texto funcionava no sentido de propor uma compreensão pessoal da realidade. Um autor propunha um modelo. Hoje, fragmentou-se tanto o tempo, por conta das novas mídias, que esta compreensão se dá em pequenas fatias, e é multifocal. O leitor de hoje é um colecionador de fragmentos, e quer ele próprio construir uma percepção das coisas. As percepções são coletivas e mutantes, nascendo de um outro ponto de vista: não é mais o de um autor, mas o de um conjunto de autores, consumidos tumultuadamente, e que se unem apenas neste leitor criativo, que customiza ...  Ler Tudo >>

Raimundo Carrero*

[28-01-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?R - É claro que teremos sempre problemas com o imediatismo daqui para a frente. A urgência da leitura, a urgência do texto. Mas talvez por isso mesmo teremos mais tempo para o espírito. Contradição? Pressa? De forma alguma. Estou convencido de que o ser humano ganhará mais tempo e mais espaço à maneira que as máquinas trabalharem por ele. Nesse ponto sou radicalmente otimista. As revoluções tecnológicas serão feitas a favor do homem e não contra ele. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?R - A conquista do Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, com o meu romance "A minha alma é irmã de Deus". Eu estava inquieto, deprimido, tocado mesmo por "essa pressa que estraga o verso", de que fala o poeta. E eis que o telefone toca e a voz ...  Ler Tudo >>

Cida Sepúlveda

[21-01-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Não tenho dúvidas que a literatura tem sentido. Afinal, sua matéria-prima é o humano, a cultura humana. Não importa o estágio em que esteja a cultura. Se há algo a ser questionado são as condições de criação num mundo que não distingue o autentico do frívolo. Nem por isso a literatura perde o sentido, mas o mundo sim é que perde a poesia que a literatura exprime.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Foi a participação no Sarau promovido pelo Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, da Câmara Legislativa Federal, em Brasília, um evento que acontece a cada dois meses, fruto de um trabalho sério, sem fins lucrativos e sem fins exibicionistas, com  a participação de pessoas de vários setores da cidade, um acontecimento que o Brasil inteiro deveria aplaudir.3- Fale-no...  Ler Tudo >>

Maria Teresa Loureiro

[14-01-2010] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Precisamente por o mundo estar cada vez mais tecnológico e «instantanista» é que a literatura, tal como a aprendemos, tem cada vez mais importância. Haverá maior prazer do que folhear um livro e «sentir» o aroma do papel no comboio, no metro, no autocarro, na cama, no sofá, sentado num banco de jardim? Uma companhia inseparável que se adapta a todas as ocasiões.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O lançamento do meu segundo romance, MEMÓRIAS DE PAPEL.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. O último livro que escrevi? MEMÓRIAS DE PAPEL.No que uma zanga com as palavras nos pode transformar.4- Pensa que a literatura e a rede poderão vir a ter, de algum modo, um destino comum?A literatura ...  Ler Tudo >>

Cristina Carvalho

[07-12-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Para todos os que amam a literatura, o sonho que a leitura proporciona, a elevação aos céus e o esquecimento da terra que a leitura proporciona; o cheiro duma boa lombada de livro; o passar dos dedos por uma bela capa; o querer e o não querer o final da história; o procurar, a busca dum livro que há muito não líamos na nossa própria biblioteca, como ratos curiosos; o limpar do pó desses mesmos livros nessa mesma nossa biblioteca; o cuidado, o mostrar e o aconselhar dum livro a alguém de quem gostamos, um amigo, um filho, um vizinho e, sobretudo, o apresentar, pela primeira vez na vida, a uma criança, esse objecto de mistério que constitui um livro e saborear de seguida as suas perguntas e satisfazer a sua curiosidade. Tudo isto devia continuar a ser palpável, de "carne e osso". Livros em computador?? Sim, se calhar ...  Ler Tudo >>

Marcelo Moutinho

[18-09-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Acho que é uma liberação que a literatura não tenha o papel pedagógico que algum dia teve. Como diz o escritor argentino Sergio Chejfec, hoje a literatura voltou a ser uma “arte murmurada que reúne uns poucos ao redor do fogo”. Ela perde sua grandiosidade, mas fica mais próxima da experiência.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Estive na Flip, em Parati, que superou minhas expectativas. Em vários momentos, como na leitura de Eucanaã Ferraz de “Evocação do Recife” e nas falas de Atiq Rahimi e Antonio Lobo Antunes, pensei: “faz sentido”.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. “Mais ao sul” é um livro de contos que tem uma coesão relacionada com a estrangeiridade. Eles foram sendo constr...  Ler Tudo >>

João Mário Caldeira

[01-09-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Custa-me a crer que alguma vez o homem possa dispensar os impulsos afectivos e menos conscientes que dimanam da obra literária. Penso até que será nela que cada vez mais a humanidade se refugiará para escapar à alienação da vertigem tecnológica. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê? Talvez não seja um acontecimento mas o surgimento de uma camada de novos autores que irão deixar marca no panorama literário português, entre outros Miguel Sousa Tavares, Luís Peixoto, Rui Cardoso Martins, Figueira Mestre. 3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.  No meu livro "Discurso do Sol" pretendi arrumar coisas já escritas (e algumas publicadas) sobre o Alentejo, de modo a dar alguma coerênc...  Ler Tudo >>

Sofia Amaro

[24-08-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sim, a literatura terá sempre um lugar cativo mesmo perante a nossa herança histórica, embora as novas tecnologias tentem abrir novos caminhos à criação literária, possibilitando uma interacção com o leitor ou mesmo uma inclusão de outros elementos. A literatura neste mundo tecnológico traduz-se num certo desconstrucionismo e na dissolução do carácter linear do texto, mas no entanto penso que o livro em suporte papel nunca será substituído. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Foi A Estrada de Cormac McCarthy. Desvela-nos cruamente o instinto de sobrevivência de um pai e filho num mundo completamente devastado. É um mundo apocalíptico que provoca uma meditação sobre a finitude humana. Uma história de sobreviventes num mundo caótico e indigente.3- Fale-nos r...  Ler Tudo >>

Marsilio Cassotti

[19-08-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creo que, en primer lugar, sigue teniendo sentido “terapeútico” para la persona que la crea. Ahora bien, como la literatura implica la necesaria existencia de un lector ajeno a la obra, la transmisión y permanencia de esta dependerá de la capacidad que tenga su creador para sortear los “dictados” de la tecnología y las “tentaciones” de las satisfaciones efímeras sin valor. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?La reacción del escritor Roberto Saviano depués de haber sido amenazado de muerte por la “camorra” (la mafia napolitana), a raíz de la publicación de su obra “Gomorra”, convertida rápidamente...  Ler Tudo >>

Paloma Vidal

[07-08-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Acho que é uma liberação que a literatura não tenha o papel pedagógico que algum dia teve. Como diz o escritor argentino Sergio Chejfec, hoje a literatura voltou a ser uma “arte murmurada que reúne uns poucos ao redor do fogo”. Ela perde sua grandiosidade, mas fica mais próxima da experiência.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Estive na Flip, em Parati, que superou minhas expectativas. Em vários momentos, como na leitura de Eucanaã Ferraz de “Evocação do Recife” e nas falas de Atiq Rahimi e Antonio Lobo Antunes, pensei: “faz sentido”. 3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse ...  Ler Tudo >>

Marcelo Moutinho

[17-07-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Certamente. A tecnologia e a crescente aceleração do mundo, que Paul Virílio comenta tão bem, não são capazes de solapar o barro que constitui a literatura: a capacidade de falar sobre a realidade à medida que a constrói. Os grandes dramas humanos, seja na era de Guttemberg, seja na era da internet, são os mesmos. Em suma, mudam os meios, mas a essência permanece. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A recente palestra de Antonio Lobo Antunes na Festa Literária Internacional de Paraty. Porque ao falar com singeleza e profundidade sobre a arte da literatura, ele ajudou a renovar minha fé no ofício de escrever. Não é po...  Ler Tudo >>

Entrevista Lúcia Rosa - Coletivo Dulcinéia Catadora

[13-07-2009] |
1)      Fale um pouco da origem do coletivo.O coletivo segue a idéia básica do Eloísa Cartonera, um grupo que iniciou suas atividades na Argentina há seis anos, reconhecido em vários países por sua atuação artística e social, e convidado para participar da 27ª Bienal de São Paulo. Apresentou-se no pavilhão como uma oficina em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros. Eu já trabalhava com catadores de papel, e tinha contato com um dos fundadores do projeto, Javier Barilaro. Quando o Eloísa veio para a Bienal reproduzir sua oficina, tal como funcionava em Buenos Aires, foi solicitada minha colaboração pela curadoria da Bienal, por sugestão do grupo argentino. O contato e a parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis tornou po...  Ler Tudo >>

Clara Macedo Cabral

[03-06-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Esta pergunta parece-me partir de presunções curiosas. Primeiro, parece sugerir que a literatura não existia antes do Iluminismo. Depois, parte de uma grande dose imaginativa: o que é que a literatura tem a ver com tecnologia? Aqui em Londres onde vivo, ainda não vi uma única pessoa a ler e-books. Querem-nos convencer do contrário, eu sei, mas não vejo evidências nenhumas de adesão do público ao e-book e do desaparecimento do livro. Em terceiro lugar, tenho tido uma série de reacções de pessoas que me dizem ter lido o “Há Raposas no Parque- Crónicas de Uma Portuguesa em Londres” de rajada, por vezes até, em 24h. Querem mais “instantanismo” que isto?2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Estive numa festival de literatura juvenil em Londres em Fevereiro, no So...  Ler Tudo >>

João Pereira Coutinho

[27-05-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Tem todo o sentido. Por dois motivos. Em primeiro lugar, porque a literatura foi, é e continuará a ser coutada de uma minoria que tem com o livro e o seu mundo (o silêncio, o recolhimento, etc.) uma relação insubstituível. Em segundo lugar, porque a profusão de informações virtuais valorizará uma formação prévia e clássica que permitirá ao novo homem tecnológico do século XXI fazer uma distinção mais rigorosa e útil daquilo que lhe interessa no meio da lixeira e do caos. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A única coisa que me "toca", literariamente falando, é a descoberta de um novo autor. Isso aconteceu com um romance recente de um escritor que nasceu no mesmo ano que eu (1976): James Scudamore, com o seu "Heliopolis".3- Fale-nos res...  Ler Tudo >>

José Mário Silva

[20-05-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Tem sentido, sim. Aliás, acredito que a literatura tem hoje mais sentido do que nunca. É justamente por vivermos numa época de vertigem que precisamos do vagar e da profundidade que, em muitos casos, só a literatura nos dá. 2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Não foi um, foram dois. Primeiro, a descoberta de um autor extraordinário: Roberto Bolaño. Em 2008, a Teorema publicou Os Detectives Selvagens, um magnífico mosaico de histórias que se espalham pelo mundo (da Cidade do México a Espanha e ao deserto de Sonora), revelador da mestria de um narrador daqueles que só aparecem uma vez em cada 20 ou 30 anos. O outro acontecimento foi ...  Ler Tudo >>

Luís Proença

[22-04-2009] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido? Luís Proença: O livro tem sabido resistir às novidades tecnológicas. O sucesso universal em termos de vendas de sagas como a do Harry Potter, as memórias de celebridades, certas selecções de clubes de livros , e até mesmo a ficção literária, continua pujante entre os leitores. Apesar de tudo penso que os hábitos ainda resistem às mudanças tecnológicas, e que estas até têm promovido mais o livro. Já não será tanto assim com a indústria que serve esses hábitos. Uma prova disso é o aumento das vendas de livros pela internet.  Embora reconheça que os editores enfrentarão tempos difíceis, estou optimismo quanto ao futuro do livro. &nb...  Ler Tudo >>

Miguel Marques

[08-04-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Ao falar-se de um "mundo tecnológico e instantanista", no qual, sem sombra de dúvidas, vivemos, poder-se-ia pensar que, na história da Humanidade, em alguma altura, se colocou a "cultura", ou as artes, em que forma seja, em algum pedestal, ao contrário do que acontece nos nossos dias. Esta convicção é, em meu entender, errada. Em todas as épocas, as diversas formas de arte tiveram subjacente uma reacção, ainda que por vezes quase imperceptível, no que concerne ao conjunto de normas e convicções vigentes, sendo esta questão da sua necessidade, ou mera existência, sido sempre posta em equação de alguma forma. Por outro lado, não considero que esta nova realidade retire a vi...  Ler Tudo >>

Maria do Rosário Carvalhal

[01-04-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sim, sem dúvida.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê? O único português que ganhou o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.O meu livro "Uma Terra ao Sul" retrata paisagens habitadas por gentes simples e únicas, a quem a terra marca e prende, no seu poder de influenciar destinos e caminhos. Esses destinos ligam o passado ao presente, ainda marcado pela nostalgia e solidão, onde o futuro não tem "alma" para voar.4- Pensa qe a literatura e a rede poderão vir a ter, de algum modo, um destino comum?Não, nada poder&aa...  Ler Tudo >>

Rui Costa

[27-03-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?O livro sólido, com peso de papel manchado de tinta, continuará a ter sentido enquanto usarmos as mãos que ainda temos, e o som do virar da folha do livro que não desistimos de ler continuará a ter sentido - enquanto reconhecermos esse peso e esse som como elementos físicos e simbólicos do acto de ler. Mas o nosso corpo está a mudar, e um dia faremos o download de livros no nosso cérebro em poucos segundos. Nessa altura os livros serão ainda mais virtuais, exactamente como o nosso corpo.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Um acontecimento à minha (pequena) escala: as críticas arrasadoras, e em parte merecidas, ao primeiro romance de uma pess...  Ler Tudo >>

José Afonso Furtado

[18-03-2009] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Certamente que sim. A minha tentação imediata é responder com outra pergunta clássica: e depois de Auschwitz, a literatura ainda tem sentido? Mas não irei por aí. O estatuto do literário é um facto histórico e um constructo social, englobando posições ideológicas, jogos de poder e de exclusão e mecanismos de (auto) legitimação. A falência do projecto de uma «literatura universal» e, particularmente, o de uma literatura «nacional», representa, isso sim, a relativização da matriz iluminista que o enformava. Mas, antes e depois, o literário sempre encontrou, como o mostra Helena Carvalhão Buescu, «a capacidade de se ir transformando e mesmo de integrar perdas e as suas dificuldades num projecto que, por ser permeável ao rumor dos tempos, como queria Calvino, se torna por isso, simultaneamente, o que melhor inaugura outros tempos...  Ler Tudo >>

Onésimo Teotónio Almeida

[11-03-2009] |
1 - No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Posso autocitar-me de um textito que li nas Correntes d'Escritas deste ano a responder a uma pergunta/tema semelhante que foi dada à minha mesa?"Não há respostas; só estórias. E é aí que entra a literatura, a entreter-nos com as respostas dos outros, que têm a vantagem de poder ser lidas sem sofrimento, ou pelo menos com sofrimento apenas virtual. Vamos, por seu intermédio, sabendo como é que o nosso semelhante lidou com as grandes questões e como foi escorregando e batendo com a testa contra as paredes, ou esfrangalhando os ossos em abismos. Tudo isso no conforto de um sofá, ao calor da lareira. Poderá haver melhor? Ficaria assim ressalvado o tema que me deram: a literatura como último sentido tendo em conta a m...  Ler Tudo >>

Isabel Fraga

[04-03-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura terá sempre sentido. Apenas para um número menor de leitores.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Não sou muito de «acontecimentos literários» seja qual for a sua natureza.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos. O meu último livro foi «A Desenhadora de Malvas». É a história de uma casa na Lapa, onde persiste o espírito de uma mulher que lá viveu há cerca de cem anos. Esse espírito interage de uma forma muito subtil com a família actual, não só ao nível das relações amorosas, mas tamb&eacu...  Ler Tudo >>

Jorge Silva Melo

[27-02-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?*Não entendo a expressão "ter sentido". Na altura do Iluminismo, eu não era vivo. Nasci depois de Auschwitz, quando se perguntava, com justeza, se a literatura seria possivel. É. Aquilo que agora é mais difícil é sabermos onde e quem a faz, submersa, estrafegada pela mercadoria livresca. Mas não terá sido sempre assim, coisa entre nós os quatro (gatos-pingados)? Para Maiakovski, a literatura também deixou de ser possível - e porquê?2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A edição de WALLENSTEIN de Schiller na tradução de Herminia Brandão (Campo das Letras). Um trabalho gigantesco, primoroso, imp...  Ler Tudo >>

Carmo Miranda Machado

[18-02-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Todo o sentido e exactamente por vivermos neste mundo da pressa e do instantâneo. É a Literatura que ainda nos permite parar um pouco, olhar para dentro e sorrir.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A publicação da obra de Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.É um livro de mulheres para mulheres onde os homens se poderão rever pois fala da essência de estar vivo: nele se cruzam os temas que fazem uma vida... o amor, o desamor, a sanidade, a loucura, os encontros e desencontros, a profissão ou a falta dela. São personagens em busca do se...  Ler Tudo >>

Raúl Mesquita

[04-02-2009] |
1. No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creio que sim. Tal como a literatura de ficção científica tinha, no passado, um grande impacte, hoje em dia a literatura "clássica" tem-no na idade tecnológica. Evasão, chamemos-lhe assim.2. Qual o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?O 1º prémio Nobel Português de Literatura. Porquê? Porque mostra ao mundo que existem, actualmente, em Portugal, pessoas capazes de afirmar mundialmente a Literatuta Portuguesa. 3. Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.Pensem na solidão. Pensem quantas vezes falamos connosco porque não temos ninguém com quem falar, i.e, falar, realmente. Eis o meu romance O Pai e os outros! 4. Pensa que a literatura e a rede (Internet) poderão vir a ter, de algum modo, um destin...  Ler Tudo >>

Augusto Carlos

[22-01-2009] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Creio que hoje, mais do que nunca, grandes franjas da humanidade começam a chegar à conclusão de que a razão, por si só, jamais conseguirá explicar o Homem no seu todo. A crise económica, a degradação ambiental, a guerra, o egoísmo... se quisermos, o capitalismo desenfreado, alertam-nos para a falência do sonho tecnológico, da competição e do consumismo exagerado nos países ditos desenvolvidos. Assim, estou em crer que uma literatura que, para além de recreativa, patrocine, igualmente, uma reflexão baseada na experiência atenta do autor ao quotidiano, não só tem ainda sentido, como urge ser desenvolvida, de modo a massificar o conceit...  Ler Tudo >>

António Manuel Venda

[12-12-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura tem o sentido que cada pessoa lhe quiser dar, como aliás desde há muito acontece, e como acredito que sempre acontecerá. O mundo, mais ou menos tecnológico, mais ou menos instantanista, terá sempre lugar para as histórias que nos emocionam, que nos fazem pensar, que são capazes de nos arrancar um sorriso. E o mesmo, como se comprova cada vez mais, para as outras histórias, aquelas escritas tipo o que vem à rede é peixe.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Foi a edição de obras de José Cardoso Pires pelo editor Nelson de Matos. Talvez tenha sido o acontecimento decisivo para que o escritor fosse lembrado em Portugal de...  Ler Tudo >>

Mário de Carvalho

[28-11-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Teria sentido nos tempos dos caracteres cuneiformes, avenidas processionais, deuses grotescos e horrendos sacrifícios humanos? E nos tempos gregos de constantes guerras entre cidades, piratarias, escravatura e profundas crendices? E nos tempos italianos dos condottieri, das pestes e das batalhas de São Romano? E nos tempos pavorosos e abrasados dos holocaustos do século XX? Todo o texto é (sempre foi) um hipertexto. A nova tecnologia enriquece, o suporte é apenas uma derivante do sentido: o cheiro do barro, o crepitar do papiro, a macieza do pergaminho, o grão do papel, a claridade da tela, ou suporte nenhum. Bastam dois vocábulos e dois humanos para haver literatura.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, ...  Ler Tudo >>

Helena Carvalhão Buescu

[19-11-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Sem dúvida. Não acredito no apocalipse literário (ou artístico, aliás). Que as práticas se vão transformando, bem como os processos da sua comunicação e fruição, parece-me evidente. Será que isso significa necessariamente o fim da literatura (ou da arte)? Não me parece. A própria pergunta contém uma parte da sua resposta: antes e depois do iluminismo houve imensas coisas que, com o nome ou não de literatura, se dirigiram a essa capacidade de imaginação que, entre outras coisas, integra as artes - e a literatura em particular, específica imaginação verbal.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Po...  Ler Tudo >>

Sofia Pinto Correia Melo

[30-10-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura, é  fixar uma ideia, imortalizar um momento para que possa posteriormente ser vivido e sentido pelo leitor. Contrariamente  ao tal mundo, sobretudo ocidental e europeu, em que o instante, o  indivíduo, o apreender globalmente o mundo, adquiriu maior  importância. Nós precisamos de preservar os sentidos, as memórias, a imaginação. É isso que nos separa das máquinas. Por enquanto...2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Um simples gato senta-se no degrau da entrada da casa. Observa o que o rodeia, indeciso entre ser social e responder aos chamamentos carinhosos de quem passa ou, acomodar-se num canto. Intriga-o, por um m...  Ler Tudo >>

José Leon Machado

[24-10-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Não tem. Essa literatura era apenas para alguns, dirigia-se a uma elite. A literatura da actualidade, tirando algumas excepções, dirige-se ao público em geral, ignorante, pouco exigente e apressado. Os autores venderam a alma ao marketing. Vivemos numa ditadura do leitor e já muito poucos escrevem o que querem e como querem. E se o fazem, ou têm nome na praça e vão sobrevivendo à custa disso, ou ninguém os compra e lê. Os escaparates das livrarias e dos hipermercados estão cheios de lixo literário. Mas é disso que as pessoas gostam. Como os concursos e as telenovelas. A televisão dá o que a ralé gosta. Assim fazem as editoras e os escritores.2- Qual foi o último acontecimento literário...  Ler Tudo >>

Alexandre Coutinho (autor do livro O Mensageiro de Fidel/ Editora Guerra e Paz)

[08-10-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?A literatura é, por excelência, o grande espaço de comunicação entre os homens, mais precisamente, aquele que perdura para além do efémero da informação instantânea. Por mais evoluções tecnológicas e suportes que possam advir, haverá sempre espaço para bons textos, se possível em livros. No fundo contar estórias é a mais antiga forma de inter-agir entre os homens dotados de imaginário, fantasia e sonhos.2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?A reedição dos livros mais emblemáticos do escritor açoriano José Dias de Melo – “Pedras Negras”, “Mar Rubro” e “Mar pela Proa” – pela editora Ver Açor, em Abril de 2008. Com 83 anos de idade e mais de 50 de vida literária, Dias de Melo tem uma obra de referência que perpétua o seu nome, os Açores e as suas gentes, especi...  Ler Tudo >>

João Tordo

[25-09-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Tem sentido SOBRETUDO num mundo assim. A velocidade da fibra óptica não é a velocidade natural do homem. As palavras de um romance serão sempre as palavras mais importantes que lemos, por mais websites que se visitem - quantidade e fluxo não são sinónimos de qualidade e nunca foram. A literatura é pausada, tem respiração, pulmões e coração como o ser humano. E é preciosa, nos nossos tempos, para combater a efemeridade do digital.  2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Eu não sou um tipo muito "literário"...ou seja, frequento pouco o meio. Mas talvez tenha ficado particularmente contente quando, por exemplo, o José Saramago recuperou da doença que o afligia. Adoro os livros dele.3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê...  Ler Tudo >>

valter hugo mãe

[04-09-2008] |
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Não creio que as artes percam sentido. Poderão passar por entusiasmos diferentes, mas exercerão sempre fascínio. Fala-se muito na hipótese de morrer o romance. Em Portugal, quando se começou a levantar essa questão, apareceu o Saramago, o Lobo Antunes, o Mário de Carvalho, a Lídia Jorge e tantos outros, alguns dos quais dignificaram e popularizaram o género como nunca antes. O instantâneo está a criar uma literatura mais instantânea, uma boa e outra má. A maior parte talvez seja má, mas na história também não ficaram a maior parte dos escritores.  2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?Várias ...  Ler Tudo >>

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Editor: António Manuel Pacheco

Tua coxa é lisa


Tua coxa é lisa, o lado de dentro. Você é peixe de uma única escama, liso com ela e sem ela. Meus dentes não te rasgam, escorregam, escoriar tuas pernas é um descuido que me agrada. A mulher raspa tua cabeça, dinâmica debaixo d’água pra te salvar das Iemanjás. Azar dela, eu não preciso de oxigên...  Ler Tudo >>
[04-02-2012]  |  Andréa del Fuego
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Do "Livro das Pequenas Coisas"


5

Só o canto, que nem sei o que seja, me possui. Como se houvesse aqui uma faúlha de eternidade.

Casimiro de Brito
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[03-02-2012]  |  Casimiro de Brito
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Entreacto


Repassada do desejo daqueles risos que se perderam e da lembrança dos encantos que nunca chegaram a acontecer, está a casa, palco deserto, onde outrora fantoches ensaiavam uma monótona coreografia. Aí, já não cabem as aparentes histórias nem o som de vidas a fenecer. Ouve-se, somente, o rangido ...  Ler Tudo >>
[02-02-2012]  |  Julieta Ferreira
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Ohne Wasser


Ninguém sabia por que ela criava amebas ambíguas no aquário.  Não tinha peixes.   Com a sua cara de sardas, frequentava o Café Flor e sorvia Kir Royal em copo de Campari.  Sentia o beijo lambido que o argelino lhe dera na orelha, ainda de manhã.
Ele vestia black-tie.
Ela mal sentia a boca ...  Ler Tudo >>
[01-02-2012]  |  Kátia Bandeira de Mello-Gerlach
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Bomba atómica


A bomba vai explodir. Já está armadilhada. Só falta digitar o código de acesso e premir o botão.
— Vou-te deixar.
D. sufoca no ar que o rareia e leva as mãos ao peito. A dor fragmenta-se em inúmeros pedaços de amor tóxico. D. cai no soalho, fulminado por palavras terroristas, uma bomba at...  Ler Tudo >>
[31-01-2012]  |  Bruno Barão da Cunha
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Anotações


Ver é diferente de dizer o que se vê. Ver apenas, não incomoda o mundo. O homem está no remate da sua vida, mesmo que ignorasse como dedilhar o tempo há um espelho na parede, antes usado sobretudo para o ensaio de esgares mulherengos. Esse artefacto tem-lhe servido para desconvocar o eco da casa...  Ler Tudo >>
[30-01-2012]  |  Gabriela Ludovice
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Tintureiro


O china era mais cuidadoso com o ferro de passar. Seu empregado, ao contrário, usa-o como se fosse um trator. O resultado são as feridas em minhas costas. Às vezes, ele joga água em excesso sobre a roupa, e o contraste com o ferro quente tem-me provocado constipa&cced...  Ler Tudo >>
[29-01-2012]  |  Álvaro Cardoso Gomes
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O adeus


Nos clássicos movimentos de um cumprimento, a mão do doutor Proença desprendeu-se. Acidente: que, no aperto de dona Josefa, não houve ardor.
Ao sentir coisa grudada aos dedos, num gesto de automática defesa a senhora sacudiu. Projectada, a mão do doutor Proença caiu, enérgico desamparo, no em...  Ler Tudo >>
[28-01-2012]  |  Augusto Baptista
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Correspondências

Uma viagem à índia - 13

O tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os senti...  Ler Tudo >>
[05-08-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 12

"[...]a verdade é o dinheiro." CantoX, 16   "Ea estranheza é esta: mais contida fica a prostituta à medida que o vinhoavança." CantoX, 22   "Opior sítio para estar vivo é entre aquilo que um dia nos exige e aquilo que oeter...  Ler Tudo >>
[26-07-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 11

"Entre  dois cães raivosos em batalha, não há espaço para a pausa."Canto IX, 3 "[...] o melhor lado não é perfeito, porque é lado - e um lado tem sempre o lado oposto."Canto IX, 33 "O inesperado insinua-se no que parece definitivo e ninguém se conhece antes de morrer. Ámen.&...  Ler Tudo >>
[19-07-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 10

"O que é o passado? Tempo que cada vez ocupa menos espaço [...] O presente - agora neste momento - ocupa todo o espaço que nos rodeia." Canto VIII, 2 "Núpcias da História com a Imaginação provocaram mais filhos e cópulas divertidas do que núpcias da Verdade com a boa memória[...]; mas...  Ler Tudo >>
[12-07-2011]  |  Susana Leite
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Andrei Rodosski – Entre escombros e flores, não deixar que a chama se extinga

Neste ano, em que se assinalam 95 anos sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro (26 de Abril de 1916), foram editados, em São Petersburgo, no volume XXVI da revista literária “Sfinx” (“Esfinge”), 10 poemas do escritor, traduzidos em russo (“Álcool”, “A queda”, “Nossa Senhora de Paris”, “Salomé”, “Certa...  Ler Tudo >>
[10-07-2011]  |  A. L. Simões Gamboa
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Uma viagem à índia - 9

"A idade certa para conquistar o mundo é hoje. O homem levanta as interdições, avança, e quando se prepara para saltar: cai."Canto VII, 2 "Cair como a folha da árvore, tranquila e lenta, e subir como certos animais - a águia ou o avião guerreiro. A mobilidade inspira.[...]Canto VII, 3...  Ler Tudo >>
[05-07-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 8

"Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São ...  Ler Tudo >>
[30-06-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 7

"[...] quem relembra inventa: tudo começa de novo."Canto III, 5 "A intensidade com que se é esmagado não importa, de facto, o que importa é a intensidade que nos resta depois de sermos esmagados."Canto III, 75 "Se o progresso dependesse dos domingos, ainda andávamos de carro...  Ler Tudo >>
[24-06-2011]  |  Susana Leita
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Balanço Literário da Década

Balanço Literário da Década

Terá início em Setembro no CNC um ciclo que tem por objectivo fazer o balanço literário da última década. Organizado em parceria com a PNETLiteratura – um site que visa aproximar a lusofonia literária, contará com a intervenç&atild...  Ler Tudo >>
[21-09-2010]  |  Editor
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Traduzindo...
Coordenação: Maria do Carmo Figueira

CONCURSO

No site http://disquiet.com/thirteen.html, aparecem links para 16 (dezasseis!) versões diferentes do poema “Autopsicografia” de Fernando Pessoa em inglês. O poema é tão conhecido na língua em que foi escrito que qualquer uma das versões provoca gr...  Ler Tudo >>
[29-10-2010]  |  Maria do Carmo Figueira
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Colaborações Literárias
(reservado o direito de selecção)
                                                       Álamo Oliveira

as amigas de taunton

as minhas amigas de taunton gostam da américa devagar    como se fosse de mim. sabem cantar como ...   Ler Tudo >>
[15-01-2012]  |  Álamo Oliveira
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                                                       Álvaro Gomes

A seta, a montanha, o rio, a treva

Toda minha existência sonhei encontrar um poema que me transmitisse sentimentos autênticos. Em vão...   Ler Tudo >>
[16-01-2012]  |  Álvaro Cardoso Gomes
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                                                   António Ganhão

O Despertar dos Verbos

Título: O Despertar dos Verbos Autor: Mário Domingos Editora: Edium Editores Ano: 2011   O Despertar...   Ler Tudo >>
[30-01-2012]  |  António Ganhão
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                                                        António Lobo

POKER COM POSÊIDON ... PARTE II

  ‘ Tirem os chapéus depressa” disse o saltitao que continuava com os olhos esbugalhados pelo susto,...   Ler Tudo >>
[28-03-2011]  |  António Lobo
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                                      António Manuel Pacheco

Tolstói e o Diabo

Um dos mais inquietantes personagens de Tolstói é um jovem russo de vinte e seis anos que        l...   Ler Tudo >>
[27-01-2012]  |  António Pacheco
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  De Maceió-Alagoas – Brasil              Carlito Lima

ATÉ O DOMINGO AMANHECER

- Doutora, na verdade estou cansada, enjoada de meu marido, casei-me cedo aos 18 anos, hoje com 25 ...   Ler Tudo >>
[02-12-2011]  |  Carlito Lima
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                                                           Daniel de Sá

Em nome de Deus

“Em nome de Deus amém”. Assim começa, como muitos outros, o documento em que a Marquesa de Arronche...   Ler Tudo >>
[06-01-2012]  |  Daniel de Sá
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KARAKARIOKA (V) – Perto dos guarda-sóis

Em estado de alarme, abriu os olhos para o céu. Cegou-se com aquela luz ofuscante que fazia tudo fi...   Ler Tudo >>
[11-08-2011]  |  Editor
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                                     Eduardo Bettencourt Pinto

Domingo

A manhã avança lentamente, cinzenta. As árvores têm um silêncio pesado, inabitável, enquanto o Inve...   Ler Tudo >>
[02-02-2012]  |  Eduardo Bettencourt Pinto
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                                                   Francisco Rogido

Crônicas Implacáveis – Diário de Tuvalu IV - Os Efeitos maléficos de Hollywood

Os Efeitos Maléficos de Hollywood Quando adolescente, eu queria ser um desses jovens fo...   Ler Tudo >>
[03-01-2012]  |  Francisco Rogido
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                                                            Nuno Vieira

João (2ª parte)

Ainda não tinha falado com a mãe sobre a mudança, ia falar, estava nos seus planos falar. Faltava ...   Ler Tudo >>
[26-10-2011]  |  Nuno Vieira
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                                                Urbano Bettencourt

Imagens do Concelho de São Roque do Pico

Não é um livro recente. Mas  o facto de ir numa segunda edição e, mais do que isso, o reconhecimen...   Ler Tudo >>
[02-02-2012]  |  Urbano Bettencourt
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                                                   Vamberto Freitas

Cultura Para Todos Os Gostos, E Para Quem Não Tem

Todos os homens têm o direito de ser estúpidos, mas o camarada MacDonald abusa do privilégio. Leon ...   Ler Tudo >>
[03-02-2012]  |  Editor
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A Senhora da Roda de Prata

Ele observava a Lua, como fizera em quase todas as outras noites anteriores. Cotovelos pousados, n...  Ler tudo >>
[14-12-2011]  |  Paulo Serra
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Poema

quando o sol se abre em nós a tua cara resplandece fulgor de lua prata no olhar mãos de mel que serp...  Ler tudo >>
[14-11-2011]  |  Paulo Serra
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A poesia do cotidiano de Ronaldo Cagiano

I                     O sol nas feridas é um inventário lírico da trajetória de Ronaldo Cagiano (196...  Ler tudo >>
[01-02-2012]  |  Adelto Gonçalves
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Dicke: a reparação de uma injustiça literária

I                     Em algum lugar, este articulista já escreveu – e repete-o agora – que, daqui a...  Ler tudo >>
[02-02-2012]  |  Adelto Gonçalves
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LITERATURA JURÍDICA
Parceria

Espaço-parceria para Literatura Jurídica

Espaço disponível... 
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[11-06-2010]  |  Vítor Coelho da Silva
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Espaço editorial

Espaço reservado a eventual Parceria.... 
Ler Tudo >>
[28-10-2008]  |  Vítor Coelho da Silva
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Literatura Popular
Literatura Infanto Juvenil

O Pé de Cereja e o Encanto do seu pé

Tenho um pé de cereja encantado ao lado do último olhar. Em frente, um botão de púrpura calado. Pela mão esquerda enxergada colho uma letra breve. O dedo indica-me a clave e perguntou-lhe: ­- Sol, ... 
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[31-07-2011]  |  Aval Ariam Sanchéz
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MAQUILLAGE. SAIGON. TAKE 3. 1943.

Há um lábiopintado rouge deolhar                           olhar derouge esguio paraa direita      direita  apara esguio em                                                                   em ceguei... 
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[30-07-2011]  |  Aval Ariam Sanchéz
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Sexto planeta desta sesta (Calão Minderico)

No quadrazal da classe do touquim piámos que as da classe da piação seriem gambiadas nos quintos planetas de cada sesta porque os charales que jordarem as do joão das penhas à Classe do Mestre Migança... 
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[16-11-2010]  |  Editor
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Monte Selvagem já reabriu

Ná página Crianças do Público de hoje, o destaque de Helena Melo vai para Montemor-o-Novo. (Agasalhem as crianças e visitem o Monte Selvagem.) Depois de três meses encerrado para manut... 
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[04-02-2012]  |  Letra Pequena                                                  Ver Mais >>
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FLIP 2011 - Mesa 06 - Pontos de fuga - valter hugo mãe

Valter que veio da nossa mãe pátria Portugal - nos emociona com seu texto simples, bem humorado e sincero. É lindo mesmo,ver-nos brasileiros respeitados e reconhecidos por nosso jeito de ser e viver por nosso irmão colonizador.

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