As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste. João Cabral de Melo Neto
Escreve César Cardoso no seu conhecido blogue “Patavina´s” (http://cesarcar.blogspot.com/):““Quando a indesejada das gentes chegar”, disse Manuel Bandeira cantando a morte. Cantamos como quem sempre canta: para espantar os males, no caso o Mal Maior? Cantamos para conhecê-la? Por que cantamos desde sempre a Morte? Essa a pergunta que é preciso fazer mas desnecessário responder. As tantas respostas podem surgir na leitura desses textos que vêm desde a Roma clássica. E continuarão, enquanto houver traço humano sobre a Terra. O PATAVINA’S lançou em meados de fevereiro sua primeira edição de poemas sobre a morte. Mas o material foi tamanho que se fez possível essa segunda edição (e não falo aqui de uma pesquisa exaustiva mas apenas de um trabalho com a rapidez da internet). Nesta nova edição há um livro que se destaca: Poesia ...
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Nunca partilhei do spleen de quem olha para o nosso tempo com a perspectiva de que este já não lhe pertence. É um facto que, nas últimas décadas, um horizonte fixo de referências com mais de dois séculos de idade se foi descolando da experiência do dia-a-dia, do mesmo modo que a tecnologia veio atribuir ao quotidiano e ao presente novos significados. A banalidade de que tanto hoje se fala é, em grande parte, resultado da reordenação de expressões e linguagens num quadro de mudanças bem mais vastas. Esta pulverização expressiva atravessa um conjunto vastíssimo de territórios e não se limita naturalmente ao que continua a ser (esquematicamente) designado por perímetro artístico, incluindo aí a literatura confrontada com a rede e com o ascendente do digital (veja-se o recente exemplo de Francoforte). Os campos hoje em dia contaminam-se, confundem-se e movem-se. Subitamente, quebraram-se as paredes que limitavam os géneros e as legitimações expressivas, ao mesmo tempo que se passaram a ou...
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Em Março passado, a imprensa tratou com singular carinho a destruição em massa de livros. O caso surgiu associado a uma editora que não carece de publicidade. Na altura, a ministra da cultura recorreu ao termo "massacre" para descrever a situação e um dos senadores do nosso espírito mais ou menos desprevenido, Manuel Alegre, confessou-se profundamente "triste". O cenário não deixa de ser patético. Com todo o respeito pelos estados de alma próprios e alheios. O clímax ressoou nas quase mitológicas palavras de Gabriela Canavilhas, quando referiu que a "importância do livro ultrapassa a noção de mercadoria". É um facto que herdamos culturalmente uma visão sagrada do livro. A ministra terá, pois, toda a razão. Confessemo-lo. Em Ezequiel (3,1), o profeta ingere um rolo escrito que é imune aos sentidos e à impureza dos humanos e recebe depois ordens para comunicar o sentido dessas letras junto à "Casa de Israel" (3,4). O Apocalipse canónico do Novo Tes...
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Actualizar corresponde, hoje em dia, à ideia iminente de tornar presente todo o mundo à nossa volta. É este desafio de quase permanente ‘antecipação’ que está na base da expressão errática, vacilante, descontínua – e rica – da rede. No nosso tempo, actualizar já não quer dizer ‘fazer passar da potência ao acto’ ou ‘realizar o que é potencial’, mas sim “refrescar”, omnipresentear ou tornar visível todo o ilimitado leque de opções que se processam. Actualizar é virtualizar em cadeia, em cascata, em encadeamento ininterrupto. A palavra está, pois, a deixar de ser o eco fresco de uma presença, ou o resultado de um jogo de imagens lentas e silenciosas, para passar a ser uma espécie de arrebatamento febril que liga a dupla ‘presença-ausência’ (ou ‘ausênc...
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Há duas semanas, recebi um mail curioso. Tinha a sua origem no escritor Manuel Carvalho* e anunciava laconicamente: “Acabo de disponibilizar na internet o meu romance "Um Poeta no Paraíso", publicado em 1994”. Junto vinha o respectivo PDF. O caso é singular e vaticina muitos outros que acabarão, cada vez mais, por conceder à rede não apenas a ideia feérica de ininterrupta actualização, mas sobretudo a certeza de um acervo democrático, amplo e aberto. O facto, que ainda é notícia pela sua especificidade, merece realmente destaque. O romance tem como título Um Poeta no Paraíso e foi editado, em 1994, pelas Éditions Luso (depósito legal da “Bibliothèque National du Québec, ISBN 2-9804056-0-4”). Refira-se que Manuel Carvalho é um autor da diáspora que tem no currículo várias outras obras, de que se destacam Saga (Editora Peregrinação-Cacilhas, 1989), Parc du Portugal (Éditions Luso-Montreal, 1997) ou O homem que falava com as flores (Éditions Saturnia – 2010). Publica-se em b...
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Já não me lembro como começou, nem sei por que terá acabado. Há muito que desejava falar neste caso, mas o pudor sacudia-me sempre o gesto. Com inusitada força. Tudo porque também andei envolvido, de corpo inteiro, na saga. Teve vida curta, apenas de Fevereiro de 2006 a Abril 2007. Milton Ribeiro, da sua Porto Alegre gaúcha, foi o mestre de cerimónias e o grande inspirador. Foi ele que alimentou a parada, ao longo dos catorze e densos meses de vida do projecto. A ideia era simples: cada escritor falava de uma cidade. A 28 de Fevereiro, foi Nelson Sáute, olha quem, que deu o tiro de partida. Assim – “ Eu estava ali na esquina entre as avenidas Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral, no coração de Maputo, alheio ao tumulto do trânsito, àquela hora da tarde, engraxando meus sapatos…”. O site chamava-se, muito denotativamente, "Cidades Crónicas&...
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Já não me lembro como começou, nem sei por que terá acabado. Há muito que desejava falar neste caso, mas o pudor sacudia-me sempre o gesto. Com inusitada força. Tudo porque também andei envolvido, de corpo inteiro, na saga. Teve vida curta, apenas de Fevereiro de 2006 a Abril 2007. Milton Ribeiro, da sua Porto Alegre gaúcha, foi o mestre de cerimónias e o grande inspirador. Foi ele que alimentou a parada, ao longo dos catorze e densos meses de vida do projecto. A ideia era simples: cada escritor falava de uma cidade. A 28 de Fevereiro, foi Nelson Sáute, olha quem, que deu o tiro de partida. Assim – “ Eu estava ali na esquina entre as avenidas Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral, no coração de Maputo, alheio ao tumulto do trânsito, àquela hora da tarde, engraxando meus sapatos…”. O site chamava-se, muito denotativamente, "Cidades Crónicas&...
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O KLICKESCRITORES (http://www.klickescritores.com.br) é um portal brasileiro com design eficaz e um conjunto vasto de conteúdos prontos para rápida consulta. As informações disponíveis integram dados biográficos, bibliográficos, fotografias, resenhas, textos seleccionados de poetas e escritores brasileiros contemporâneos e ainda uma secção reservada a autores estrangeiros de renome mundial. Para além deste leque de ofertas, é também possível seguir pistas associadas à edição, a e-books e à divulgação de novos talentos literários. O Menu vertical da coluna da esquerda dá a ver uma lista (imensa) de escritores. A entrada é imediata e as caixas – com um fundo quente mas suave da cor do cobre – contêm o essencial da obra e vida do escritor com algumas remissões. As rubricas da coluna do meio (Escritores/ Imortais/ Mundo /Novos/Revista) condensam a restante informação, através de vias de grande abertura. A pesquisa, nestes campos, torna-se mais sinalizada, embora o mapa seja facilmente tran...
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Um dos blogues que sigo de perto há muitos anos é o ma-schamba, moçambicano de gema e criado através da safra cosmopolita e amiga de José Pimentel Teixeira. Em vez de criar uma épica que conseguisse enaltecer as variadas veias que desabrocham no mais-do-que-fértil ma-schamba, prefiro dar a palavra ao próprio jpt. Para mais, num momento em que sublinha a força da poética de um poeta agora desaparecido, de seu nome Albino Miragaia. Passo a palavra: “Na morte de Albino MagaiaMorreu Albino Magaia, jornalista novelista e poeta. E é esta sua última faceta que mais me cativou a atenção, ele autor do poema-nacional “Tiko-Moçambique” – um esboço de epopeia que não terá hoje em dia o relevo no seio da literatura nacionalista moçambicana que me lhe parece devido. Do autor conheço estes quatro livros, mas não posso afiançar que assim esgote as suas publicações: “Malungate“, novela dos tempos da resistência ao regime colonial, “Yô Mabalane!“, reportagem ficcional do rapto e encarceramento de um la...
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Não é todos os dias que um espaço da rede abraça a poesia pela poesia. Fitando apenas esse sortilégio que se fecha na abertura com que respira. Concha com poros: é precisamente o caso de Poesia Ilimitada (http://poesiailimitada.blogspot.com/), um blogue de João Luís Barreto Guimarães. De qualquer modo, existe neste blogue um signo de identidade ou, se se preferir, uma marca particularmente singularizada. Trata-se da ininterrupta oscilação entre texto e metatexto, entre o planar livre do poema e a palavra de alguém (autorizado) que é convidado a ‘falar’ acerca do autor dos versos que no espaço se vão enunciando. No momento em que fixo o olhar no blogue de João Luís Barreto Guimarães, temos “Luís Maffei acerca de Gastão Cruz”, “Onésimo Teotónio de Almeida acerca de Emanuel Félix”, &l...
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Há cinco anos, desenvolvi um projecto (no blogue “Minion”) que designei por “The blank blog is staring back at you” e que se iniciava sempre assim: “Bloggers sometimes become characters much like blogging becomes a literary mode”. A intenção era publicar extractos de posts que encarnassem uma – por vezes involuntária – dimensão ficcional. Existe muito bom material dessa natureza a pairar no gravitas e nos (hoje já) espessos arquivos da blogosfera. Trata-se de um suplemento de registos literários criado nesta primeira década do século XXI e que, até agora, tem sido pouco observado. A minha intenção, nos textos desta rubrica já ‘clássica’ do PNETliteratura, é passar a publicar alguns desses extractos de posts – independentemente da actualização ou até existência dos blogues citados –, co...
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Há cinco anos, desenvolvi um projecto (no blogue “Minion”) que designei por “The blank blog is staring back at you” e que se iniciava sempre assim: “Bloggers sometimes become characters much like blogging becomes a literary mode”. A intenção era publicar extractos de posts que encarnassem uma – por vezes involuntária – dimensão ficcional. Existe muito bom material dessa natureza a pairar no gravitas e nos (hoje já) espessos arquivos da blogosfera. Trata-se de um suplemento de registos literários criado nesta primeira década do século XXI e que, até agora, tem sido pouco observado. A minha intenção, nos textos desta rubrica já ‘clássica’ do PNETliteratura, é passar a publicar alguns desses extractos de posts – independentemente da actualização ou até existência dos blogues citados –, concedendo-lhes nova ênfase e difusão. Hoje o realce vai para O Lobo Leitor de Ana Tarouca (http://sol.sapo.pt/blogs/anatarouca), um blogue sobre “literatura infantil, contos de fadas, mundos de fantasia, s...
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Ao longo do primeiro semestre de 2005, desenvolvi o projecto num blogue (o “Minion”), uma rubrica que designei por “The blank blog is staring back at you” e que se iniciava sempre assim: “Bloggers sometimes become characters much like blogging becomes a literary mode”. A intenção era publicar extractos de posts que encarnassem uma – por vezes involuntária – dimensão ficcional. Existe muito bom material dessa natureza a pairar no gravitas e nos (hoje já) espessos arquivos da blogosfera. Trata-se de um suplemento de registos literários criado nesta primeira década do século XXI e que, até agora, tem sido pouco observado. A minha intenção, nos textos desta rubrica já ‘clássica’ do PNETliteratura, é passar a publicar alguns desses extractos de posts – independentemente da actualização ou até existência dos blogues citados –, concedendo-lhes nova ênfase e difusão. Hoje o realce vai para Rititi que tem feito, do seu blogue – “Rititi O Blogue Rosa Cueca” – um laboratório permanente de escrita...
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Está pronto o filme que é o resultado final de uma mobilização no Café Literário, Cronópios.Pipol, o organizador, e editor do site Cronópios, solicitou que diversos autores enviassem pequenos textos, poemas ou microcontos com o tema “relógio” e tudo que lembrasse “passagem do tempo”. A antologia H2Horas pode ser lida clicando aqui. Ao preparar a antologia, Pipol teve a ideia de montar também um filme a partir dos textos selecionados. Lançada a nova ideia no Café, o escritor Silas Corrêa Leite sugeriu como título “H2Horas”.O resultado: clique aqui...
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Palomar de Italo Calvino é a metáfora de uma procura permanente. Veja-se, por exemplo, o final de “O Canteiro de areia” (“Os silêncios de Palomar”/ “As viagens de Palomar”): “E que vê ele? Vê a espécie humana na era dos grandes números, que se estende numa multidão nivelada mas, no entanto, feita de individualidades distintas tal como este mar de grãos de areia que submerge a superfície do mundo”. Curiosamente, também o semiótico dinamarquês Louis Hjelmslev recorreu, um dia, à metáfora da areia para tentar a traduzir a sua ideia de sentido. Algo oscilante e dinâmico que luta entre forma e substância para se revestir de expressão e/ou de conteúdo. Sem exclusões mútuas, mas ainda assim mantendo-se cada forma como uma entidade distinta e desejavelmente singularizada. Leia-se esta parte dos Prolegómenos: “É como os grãos de um mesmo punhado de areia que formam desenhos diferentes, ou ainda como a nuvem no céu que, aos olhos de Hamlet, muda de forma de minuto a minuto. Tal como os mesmos gr...
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Durante os meses em que desenvolvi o projecto de um blogue em Inglês (o “Minion” – primeiro semestre de 2005), criei uma rubrica que designei por “The blank blog is staring back at you” e que se iniciava sempre assim: “Bloggers sometimes become characters much like blogging becomes a literary mode”. A intenção era publicar extractos de posts que encarnassem uma (às vezes involuntária) dimensão ficcional. De tal modo que era como se estivessem mesmo a pedir que lhes escrevêssemos os inícios e finais dos enredos, ou tão-só que os deixássemos ao sol em estado de perpétua e apetecível media res. Existe muito desse material a pairar no gravitas e nos (hoje já) espessos da blogosfera. Trata-se de um suplemento de riqueza literária criado nesta primeira década do século XXI e que, até agora, tem sido raramente observado ou tão-só convertido em tema de diálogo. A minha intenção, nos textos desta rubrica já ‘clássica’ do PNETliteratura, é passar a publicar alguns desses extractos de posts – ind...
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Durante os meses em que desenvolvi o projecto de um blogue em Inglês (o “Minion” – primeiro semestre de 2005), criei uma rubrica que designei por “The blank blog is staring back at you” e que se iniciava sempre assim: “Bloggers sometimes become characters much like blogging becomes a literary mode”. A intenção era publicar extractos de posts que encarnassem uma (às vezes involuntária) dimensão ficcional. De tal modo que era como se estivessem mesmo a pedir que lhes escrevêssemos os inícios e finais dos enredos, ou tão-só que os deixássemos ao sol em estado de perpétua e apetecível media res. Existe muito desse material com qualidade a pairar no gravitas e nos (hoje já) espessos da blogosfera. Trata-se de um suplemento de riqueza literária criado nesta primeira década do século XXI, raramente, até agora, desnudado ou tão-só convertido em tema de diálogo. A minha intenção, nos próximos textos desta rubrica já ‘clássica’ do PNETliteratura, é passar a publicar alguns desses extractos de po...
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A chancela “Global Books” foi criada por Gervais Jassaud para editar poetas que o editor considera “importantes não só apenas em suas tradições, mas também em nível internacional”. A designação “Global Books” teve a sua origem num estudo sobre livros de artistas da “Collectif Génération”, desenvolvido por Paul Van Capelleveen, conservador da Biblioteca Nacional da Holanda. Gervais Jassaud é editor desde 1969 (tudo começou com a já histórica “Collectif Generation”) e sempre trabalhou na fronteira híbrida que liga e religa arte e poesia. As suas publicações articulam o texto com o ‘objecto livro’ feito à mão por artistas plásticos. Cada projecto descobre e propõe as suas próprias soluções quanto à poética do design, embora sempre em...
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O título aparece em círilico e o blogue não deixa de acusar, quem sabe se por isso mesmo, um título emblemático: “Polzonoff”. O autor, Paulo Polzonoff Jr., nasceu em Curitiba (1977), é jornalista, tradutor e escritor. Mas é da sua residência em São Paulo que vai actualizando o seu excelente blogue. Como escritor, publicou obras como O Cabotino (Candide, 2004), Manuel Bandeira (Relume & Dumará, 2006) e A Face Oculta de Nova York (Globo, 2007). Por outro lado, enquanto tradutor, trabalha para a editora Sextante. O blogue Polzonoff tem o fundo branco, é plasticamente discreto e inicia o último post publicado (curiosamente no último dia de Verão, “De símbolos e sombras”) com uma afirmação taxativa e actual: “Li The Lost Symbol, de Dan Brown, em dois dias”. O livro vai ser lançado no Brasil apenas a 4 de Dezembro e o consel...
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Um fundo abismado: floresta, árvore, fertilidade, húmus activo. Numa palavra – a paisagem que reflecte a força do sublime natural assim como o devir dos ciclos que cumpre ao homem conformar em beleza. Pelo menos, era assim que se pensava há pouco mais de dois séculos, momento de invenção da “História” – com letra grande – e véspera do emergir do engenho fotográfico. Estes ambientes respiram-se com mais frescura do que nostalgia no blogue “Retrovisor” de era Futscher. O “Retrovisor” contracena com o livro homónimo que saiu em Abril deste ano de 2009 com a chancela da RCP Edições, na Colecção Actual. Os temas hoje perseguidos na rede acompanham os que, na Primavera passada, se projectaram no papel. O Malraux das Antimémoires aparece nos posts mais recentes, no momento desta leitura. Sublinho desse post uma passagem emblemática, ainda que eu próprio saiba que o Francês – muito da minha geração – saiu já radicalmente de cena (embora, como se diz em linguagem mais em voga e anglo-saxónica,...
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O fundo como o mar calmo, embora de cor acinzentada e pouco revolta. Um tom doce que sucede à tempestade e que a digere poetando. Eis a estrelinha do “Diário Poético” de Constantino Alves que faz do Header uma abreviada sequência estilo Muybridge, embora trocando a biologia pelo punho e pelo aparo que escrevem, cada um com a sua luz e anatomia. O blogue publica apenas poemas e, tal como se avisa por cima, “os poemas não assinados são da autoria de Constantino Alves”. Leiamos um desses poemas, cujo aparente anonimato nos mergulha na “saudade” que “definha a voz”: “pequeno lírio/ que cresces na minha mão,/ de que semente vieste?/ do intrépido tempo que me faz ausente/ ou da saudade que me definha a voz?/ Cá não mora outro nascimento,/ a não ser o milagre da oração”. Um ritmo sereno, criado pelo círculo pergunta-respo...
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Gosto de um site que ocupa o seu lugar na rede e que recusa, por vontade própria, seguir as pisadas correctas e inevitáveis do meio. Estou a referir-me ao Orgia Literária. O detalhe está no “Header” – uma boa articulação visual entre a poética dos óculos, alguns rascunhos e toda a sobriedade – e surge recortado numa frase particularmente simples: “actulizações à sexta-feira”. O autor é Emanuel Amorim e o regime vertical de blogue encaminha-nos pelas inquietações e atracções essencialmente críticas do autor. Destaquemos as reportagens de cariz crítico (exemplo de A Casa da Romãzeira de Manuela Monteiro), a crítica direccionada para ficção de muita qualidade (caso de Letra e Música de Paulo Castilho), a análise crítica historicamente contextualizada (Poesia de Mirabai) e a cr...
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Deve ser dos sites literários mais visitados nestes dias. Em breve, por sinal, o nosso próprio site, PNTliteratura, vai passar a ser “Patrono Verde” da grande realização que é anfitriã do ciberespaço hoje em destaque – http://www.flip.org.br/. Pois é, trata-se do site da Festa Literária Internacional de Paraty. Entra-se e o trânsito é desanuviado, o design é solto e a informação comedida (nada redundante, antes eficaz).Sabe-se facilmente que as inscrições para o “Prêmio Off Flip” de Literatura viram os seus prazos prorrogados; mas também é possível antever, no site da FLIP, a programação, actualizar dados sobre escritores que irão estar presentes na edição de 2009, percorrer as deliciosas partes consagradas a oficinas literárias, verificar (de modo cruzado) o papel dos media no e...
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Tem um nome feliz: “Annualia” . Como advertência, na coluna do lado esquerdo, o mais incauto dos leitores fica logo a saber que o “texto completo dos artigos” da publicação apenas está “disponível na edição em papel, que pode ser adquirida em www.editorialverbo.pt ou em qualquer boa livraria do País”. Condição, identidade e avaliação de livrarias ficam logo resolvidas. Independentemente do curioso interface entre rede e ‘não-rede’ anunciado, o facto é que o espaço se percorre muito bem, é agradável e coloca à disposição dos interactores imensa e útil informação. É normal que um blogue deste tipo seja auto-referencial. Mas aqui não se abusa desse teor. Na Quarta-feira, dia 8 de Abril – dia em que escrevo este breve apontamento – a primazia é dad...
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Leandro Oliveira estudou tecnologia e informática e tirou depois uma pós-graduação em Gestão em Tecnologia da Informação. Só depois é que se decidiu ‘enfrentar’ as letras, academicamente falando, claro, desta feita na Universidade Federal de Minas Gerais. Nem precisava, dir-se-ia, pois o seu blogue ‘Odisseia Literária’ embora de actualização relativamente lenta, é um espaço depurado, agradável e sobretudo informado. Bolaño, Roth, o papel da crítica, Pynchon e o balanço literário de 2008 permitem uma cuidadosa viagem do olhar… até que chegamos ao Outono do ano passado e damos com um post que dá pelo nome de “A teoria na prática”. E onde foi possível ler: “À medida que avanço estudando Literatura em sua teoria, percebo um comportamento muito comum da Academia e q...
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Já está online há cinco anos. Se fosse rádio, dir-se-ia ‘estar no ar’, sendo blogue, site ou portal, como é o caso, diz-se ‘estar em linha’. Ou seja: nos confins, mas sempre no eixo central da rede, até porque, no ‘novo ar’, a periferia e o centro andam de mãos dadas, como também andam e mão dada nos sonhos os mortos, os fantasmas, os vivos e os super-homens. Chama-se “Cronópios” e é um “portal de literatura e arte” (espreite aqui). No ‘Header’ há guarda-chuvas de todos os tamanhos que ininterruptamente descem do céu à terra, intrometendo-se com o cursor que tão-só pretende iniciar a sua viagem neste sedutor espaço. O ‘Menu’ é variado e inclui cronistas, artigos, café literário, lançamentos, prosa, poesia, ensaio, crítica, etc. No território visível, os destaques têm qualidade, claro. As rubricas surgem veiculadas através de um design talvez demasiado esquemático e fazem-se anunciar sob imagens rectangulares e discretas. É o “escritor Ivan Hegenberg que escreve sobre a exposição Nova a...
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Gosto de descobrir blogues de poesia. Blogues livres em que a palavra desbrava o espaço por preencher. Até porque a rede é uma sucessão de possibilidades tornadas em acto e/ou expectativa. Tudo e todos podem cruzar um mesmo ponto, uma mesma Via Láctea, um mesmo site. É amiúde a contingência e o acaso que nos encaminham para os planos (feitos de planos) que constituem a rede. Painel de surpresas que, hoje, por exemplo, me fez encontrar o blogue Poente onde, de imediato, li um poema de JJLeandro: "Queria a força do dia/Que empurra o sol/Para trás da linha do horizonte.//Queria ser mais forte hoje/E não mais fraco que ontem." Uma curiosidade deste blogue é que, sendo de poesia e literatura, não deixa, no entanto, de fazer eco das novidades locais. Veja-se o modo como é preenchida uma vaga na Academia Gurupiense de Letras: "Em assembléia extraordinária realizad...
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Na revista Palimpsesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro* leio a apresentação de uma tese muito interessante. O autor é Angelo Mazzuchelli Garcia e o título é: “A literatura como design gráfico: da poesia concreta ao poema-processo de Wlademir Dias Pino”. Sou um fã deste tipo de aproximações (e de muitos outros). Cruzamentos perigosos, reflexões destemidas, viagens destemperadas. E encontrar essa mobilidade no seio da academia é, diga-se a verdade, um óptimo sinal.A entrada, sobre o tema da “coreografia literária, é suavemente esmagador: “O africano esculpia as máscaras e estatuetas que tanto inspiraram os artistas plásticos modernistas acompanhando a direção dos veios da madeira (ou formas sugeridas pela pedra); livre de qualquer tipo de referência iconográfica (não havia textos que servissem de suporte...
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O "media res" faz um texto crescer em tensão sem que nos preocupemos de onde vem e para onde vai. Não é a finalidadade que lhe dá o tom, nem tão pouco a proveniência ou a putativa grandeza do seu "incipit". O que o nutre é a inquietação permanente, a ambiguidade, o simples estar em curso. Há grandes exemplos destes excursos na literatura, tal como aprendemos a entendê-la no mundo moderno e sobretudo antes. Mas se há forma que se adequa à provisoriedade e suspensão da rede é mesmo esta: a deambulação orgulhosa da personagem, o seu perfume errante, a adjectivação entrecortada, o desvario nada liofilizado. O adiamento sempre presente da cena. A elipse resguardada na delonga. A flor e a sua destemperada alma de 'pixel'. Reato, por aparente acaso, um belo texto do blogue "O Lugar Comum" em que "Lizete", uma sin...
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Os blogues com poesia e sobre poesia constituem um dos fenómenos porventura menos estudados dos últimos anos. De facto, na literatura, o 'papel' ainda continua a ter muita força. Como se a antiga relação entre a oralidade poética e a instituição escrita hoje se continuasse a projectar nesse 'lugar menor' que seria a rede. Nada mais enganador. Desde que os blogues passaram a criar um fosso e a abrir um campo próprio no espaço público – o que acontece com acuidade desde 2002 –, que este novo fôlego afirmação literária ganhou novos protagonistas, leitores e interactores. Destaco hoje o blogue "O Mar Atinge-nos", um entre muitos que se dedicam à filigrânica actividade de inscrição poética. Não se pode fazer "copy paste", avisa-se já. O que é pena, pois a divulgação será menor...
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Chama-se Coração Azul e é um blogue apenas votado à poesia. O fundo, imóvel e floral, aparece com uma plasticidade incólume face à matéria poética que rola de alto a baixo, como se a compressão da passagem e a leveza do fundo se tocassem. Pulso a pulso. Os poemas são assinados por Maria Azenha. No entanto, se pensa fazer o normal "copy-paste" neste blogue, logo verificará que não vai levar a melhor. Terá antes que ler, ler alto, ler como quem decora. E ficarão sempre retidos alguns salpicos, ou estilhaços que vão vibrando na fluidez apressada da rede. Não os escolho feitos da matéria poética mais emotiva, reactiva e imediata, mas antes da sobriedade que escapa às coisas respiradas no tempo do dia-a-dia. Seja ao navegar nas margens do silêncio – "O corpo é silencioso/ habita o vidro dos relâmpagos"...
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Atente-se ao blogue "O Escritor na Livraria"! De facto, a partir do dia 05 de Dezembro passado, o escritor Thales Guaracy tem estado a escrever seu novo romance, intitulado "O caminho da Incerteza", ao vivo, na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.A idéia é mais que sensacional. É ousada, excepcional. Eventos literários, como oficinas e palestras certamente ajudam a desmistificar a figura do escritor na sua torre de marfim, mas colocar um autor trabalhando num shopping atingirá um público não só maior, mas também bem mais diversificado.Quem tiver oportunidade, apareça lá na Livraria da Vila para ver Thales Guaracy em ação. Quem não puder estar pessoalmente lá, como eu, pode acompanhar o trabalho do escritor pelo blog O escritor na livraria.Um blogue vivo, pois então!Kátia Gerlach...
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O nome é excelente: "Movimento Inverso". Uma ambiguidade que suscita a ideia de dinâmica ou de 'media res' a contracenar com um propósito de inversão. Semeado no Brasil e colhido em todo o lado - como é apanágio da rede -, este espaço dá conta de lançamentos de obras, de iniciativas literárias, de cursos de poesia portuguesa, mas também promove celebrações, dá a ver imagens de declamação poética e apresenta oficinas de criação; como ainda informa acerca de eclécticas letras musicais, divulga performances ou leva a cabo, para além de "Domingos Poéticos", as bem recheadas "Semanas de Poesia" (como a que teve lugar em Março passado, no Rio de Janeiro, em parceria com 'Alma de Poeta' e a 'Oficina Literária' Cairo Trindade). É o que se chama um blogue no terreno, auscultador e mobilizador. ...
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O blogue confessa-se, no Header, de modo indeterminado mas convicto: "um blogue sobre poesia". É da autoria de Inês Ramos e tem um nome, digamos, celestial: Porosidade Etérea. O fundo é negro e, na sobreposição das letras que anuncia o espaço, pressente-se a mensagem táctil e próxima que augura o devir da intemporalidade. O desígnio é poético, na acepção romântica da arte: algo que não se prende às âncoras terrenas do ser e que é capaz, por isso mesmo, de incorporar asas de Ícaro que não morrem diante de um primeiro fogo. Gedeão navega com destaque no Menu e no lado esquerdo do Header. Seja como for, o conteúdo tem muito de referencial. São notícias, actos e eventos que se noticiam (actividades de bibliotecas, da Casas Fernando Pessoa, de escolas, do Martinho da Arcada, etc.). E é preciso recua...
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A etiqueta que mais aprecio no blogue A Natureza do Mal é a baptizada por “espaços atemporais”. É ela que melhor espelha a perseverança e a qualidade do blogue do Luís e André Bonirre, um clássico das abordagens transversais, neste tempo em que, felizmente, a literatura e a ‘não literatura’ se encontram de mochila às costas, em qualquer lado do planeta onde haja corrente de ar. Neste espaço de cinematografias e discursos críticos, há não apenas actualização como muita memória. Destapo uma dessas memórias, relevante quanto à abertura desta “Natureza”: "O escritor austríaco, de mãe eslovena, Peter Handke, esteve presente no funeral de Milosevic e explicou porquê. Em retaliação, o administrador da Comédie Française, Marcel Bozonnet, resolveu retirar da programaç&ati...
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Seria porventura dispensável relevá-lo. Até porque não se trata apenas de um blogue. É sobretudo um espaço de referência por muitas e boas razões: pela informação, pelo gosto, pela humildade, pela simpatia, pela atenção e pela qualidade, claro. O Bibliotecário de Babel de José Mário Silva é ainda exigente na relação que mantém com os seus leitores e com o timing dos posts que vai colocando online. No dia 11 de Novembro, o blogger, escritor e jornalista não deixou por mãos alheias o sufoco de trabalho que, na altura, o envolvia. E foi por isso que escreveu este “hiato” (particularmente raro na nossa tradição blogosférica): “Apesar das evidências em contrário, não deixei de escrever no blogue nos últimos três dias. Acontece que uma sobreposição de v&aacut...
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Tem estantes e adora estantes. Tem um Fórum, espaço de opinião e de notícias. Há galeria de imagens, também. E sabemos, através da coluna da direita, o que a Canochinha, a Cristina e o Menphis estão a ler. Foram eles os últimos a enviar as fotografias das suas estantes. Mas não são eles, claro, os autores desta paixão com design relativamente clean. Para mais, não é nada difícil entrar no “Estante de Livros” (está no Blogger e recomenda-se). Não se trata de um espaço de crítica, nem de ensaio, nem de publicação de inéditos; trata-se, sim, de uma cena, ou de uma encenação despojada e carregada de estantes: o mais incauto dos mortais envia uma imagem das suas estantes cheias de livros e o blogue publica-as. E, depois, é vê-las: com a nudez e a plasticidade que o livro-multidão oferece nas su...
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O blogue Os Livros Ardem Mal apresenta-se como uma planta de raiz espontânea. Desde logo – confessa-se – o “título” é “tomado de empréstimo ao escritor galego Manuel Rivas”. E o objectivo é claro: “propõe um encontro mensal” – sempre com a presença de “um/a convidado/a” - no Teatro Académico Gil Vicente”, em Coimbra, “a pretexto de livros” que vão sendo editados. Daí que o blogue Os Livros Ardem Mal procure “ampliar a iniciativa”. Por fim, o “painel-residente” entra na boca de cena: António Apolinário Lourenço, Luís Quintais, Osvaldo Manuel Silvestre e Rui Bebiano. Painel de luxo que, no entanto, não impede outras participações como as de Ana Bela Almeida, Manuel Portela, Miguel Cardina, Pedro Serra ou Sandra Guerreiro Dias. Em 19 de Outubro passado – ...
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Os nomes são como os limões: iluminam a árvore sem nela se diluírem. Talvez por isso mesmo, “Infinito pessoal” seja o nome de um blogue que faz parar o leitor mais incauto, do mesmo modo que o olhar suspende o seu vaivém diante do limoeiro que interrompe um muro branco (e, aparentemente, sem fim). A autoria do blogue é de Luís Galego e a sequência é particularmente variada. No último post, a confissão domina a abertura – “Os livros são a minha riqueza e a minha ruína, o meu vício, o meu património. Os livros interrompem, importunam, reivindicam, ainda que estejam escondidos nas trevas da estante”. Abertura que, depois, incide cirurgicamente em Os Nus e os Mortos (The Naked and the Dead) de Norman Mailer: o livro de cabeceira deste meados de Outubro. No dia 30 de Setembro, Luís Galego publica um interessante texto de cariz memorialista, escrito em ...
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Chama-se “À margem” e designa-se como “Blog de Opinião Literária produzido, escrito e realizado por Carla Milhazes”. Tarefa pessoal e de dedicação permanente. A aposta do blogue recai sobretudo nos limites e labirintos ao nível do enredo, como modo de perspectivar as leituras de que vai, sucessiva e cumulativamente, dando conta. A motivação crítica respira e atravessa os posts de “À Margem”, tão sintomaticamente prenunciada na expressão “cativante narrativa” que empresta o tom ao texto de Carla Milhazes sobre Teresa, a Santa Apaixonada de Rosa Amanda Strausz (Casa das Letras, 2006). Uma motivação que declara a sua evidência (“…senti uma natural curiosidade em conhecer a obra de Ken Follett e comecei por este recém-publicado “Um Mundo sem Fim”) e que se desdobra às atmosferas (“O pano de fundo...
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O blogue “Poesia & Lda.” (http://poesiailimitada.blogspot.com) é assinado por João Luís Guimarães e Jorge Sousa Braga. Divulga poetas e poemas. E fá-lo com serenidade, sem qualquer hemorragia de imagens. Fundo branco e sequência de versos no silêncio evocativo que propõe. A 10 de Setembro passado, reatava a poesia de Egito Gonçalves, desaparecido da nosso convívio em 2001. O poema “Estocolmo – do livro E No Entanto Move-se", Quetzal Editores, Lisboa, 1995 – definia a tonalidade partilhada da festa: “A festa endomingava a tarde, ardia/ no granito o sol – entre nós/ o tempo em sebes frias se arrastava…”. Nos últimos posts, o alinhamento reinicia-se com aceno sueco, através da poesia de Lasse Soderberg (Coração de Papel – revisão de Ana Luísa Amaral e Gonçalo Vilas-Boas, Quetzal, 2001), e, logo a seguir, com a presença da americana Claudia Emerson (Chatham, Virgínia, 1957), vencedora, em 2006, do prémio Pulitzer de Poesia com “Late Wife”. Por fim, assinale-se o poeta polaco Adam Zaga...
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O blogue é de pedro vieira (minúsculas citadas), Luís Carlos Silva, Francisco Canelas de Melo, Sérgio Lavos e mahayana. Chama-se Arte de Ler (http://artedeler.blogspot.com/) e é a crítica que lhe dá o tom.Sebald de Austerlitz é focado nos últimos posts. A seguir ao autor que decidiu enfrentar a deliberada omissão histórica do que foi a destruição da Alemanha, no final da II Grande Guerra Mundial, surge analisado o David Lodge pós-Autor, Autor (biografia romanesca de Henry James). O percurso académico é marcante em toda a obra de Lodge e não é por acaso que, em Deaf Sentence, como refere Sérgio Lavos, seja possível acompanhar “um período de vários meses na vida de Desmond Bates, professor de Linguística a gozar os prazeres da reforma, académico conservador sofrendo as contrariedades da velhice: o fantasma da impot&e...
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Poesia distribuída na rua. Nem mais. Faz lembrar Viera da Silva e faz lembrar a generosidade do tempo em que a “rua” fazia parte de uma ceia que todos comungavam. Uma ceia ingénua, solar e tão cheia de frutos. Navegamos pelo blogue de Rui Almeida e deliciamo-nos com Rui Belo (“Estou um pouco nestas palavras na própria/ palavra agosto que ponho sobre o papel/e que embora aponte para agosto não é esse mês de Agosto/ Estou em agosto estou um pouco em agosto”), mas também com Sandra Costa (“para descrever a melancolia/ é esperar demais dos lábios - porque o que/ se quer é só o esforço de contemplar uma flor/ ou uma pedra na berma da estrada”). O azimute e o leme deste espaço não estão conformes; é como a água que desliza sobre bancos de areia informes, filiformes, transparentes. Com se Cees Nootboom estivesse sentado numa ilha recôndita, espécie de areal cristalino, a percorrer o nó de uma definição: “A poesia não pode tratar de mim,/ nem eu da poesia./ Estou só, o poema está só,/ o resto ...
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Diz de si próprio ser “Literariamente reservado, corporalmente indescritível, tecnicamente perfeito”. Belo ternário. Um pouco antes – e o tempo aqui é uma redoma secreta – este equilíbrio reservado, talvez mesmo cool, assume a forma de aforismo no cabeçalho. Ou no Header, se se preferir glosar recorrendo ao novo dialecto do mundo: “Não garanto nem prometo algo com as minhas letras. A quem por aqui procurar caminhos de perdição ou de enlevos, aconselho vivamente a consulta de outro operador turístico”. Tudo isto em maiúsculas. E com a devida sonoridade. Que não há perdição, diz o nosso blogger Alberto Oliveira. Mas não é tanto assim. Veja-se a melancolia com que, perdidamente, se aproxima do saudoso autor de Bolor: “O Abelaira "escrevia na água". Porque sou um gajo modesto e pouco dado a fantasias que ultrapassem o trivial triplo salto mortal à retaguarda com queda sobre uma superfície coberta com lâminas de barbear no interior dos respectivos blisters, escrevo na areia”. ...
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O Literatus é um blogue de cabeceira. Íntimo, ostensivamente poético e, como se escreve no Header, “Textualmente transmissível”. Andrea Augusto – ela adora escrever o nome em minúsculo como as estrelas – está continuadamente de parabéns. Há quatro dias, num post sobre o aniversário da mãe, escrevia: “Naqueles dias uterinos, gordurosos, naqueles dias amnióticos quando eu não conseguia sequer sair da cama, trinta horas em posição fetal sem dormir nem viver, numa espécie de ensaio geral da treva definitiva... Daquele tempo nem tão distante, daqueles dias que até hoje duram às vezes duas, às vezes duzentas horas, restou essa sensação de que, como eles, também me vou tombando rápido dentro da boca de um vulcão aberto sem fôlego nem tempo para repetir como numa justificativa, ou or...
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Orgias com calma Aí está um blogue sem ansiedades. Apenas há posts às sextas-feiras, dia em que a carne vale pela palavra e em que a compulsão da rede se compadece com uma ligeira pausa. Um espaço de qualidade, sem dúvida nenhuma, esta Orgia Literária (http://orgialiteraria.com). A lista de colaboradores é grande e variada (Ana Q, André Forte, André Pereira, Cláudia Sousa Dias, Diogo Duarte, Emanuel Amorim, Ente lectual, Gonçalo Mira, João Pedro Ferrão, Luís Lima, n.fonseca, Ricardo Turnes, saturnine, sebastião b&c, sophia e Teresa Sá Couto). Design discreto, pensamento exploratório (a utopia assumida como guião… nos últimos dias) e singularidade. Um exemplo interessante o post de Mathew The Procupine que precede um outro sobre Murakami (da autoria de Gonçalo Mira): “Este texto é dedicado &...
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Conheça as vantagens em ser membro da PNETliteratura
Tua coxa é lisa, o lado de dentro. Você é peixe de uma única escama, liso com ela e sem ela. Meus dentes não te rasgam, escorregam, escoriar tuas pernas é um descuido que me agrada. A mulher raspa tua cabeça, dinâmica debaixo d’água pra te salvar das Iemanjás. Azar dela, eu não preciso de oxigên...
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Repassada do desejo daqueles risos que se perderam e da lembrança dos encantos que nunca chegaram a acontecer, está a casa, palco deserto, onde outrora fantoches ensaiavam uma monótona coreografia. Aí, já não cabem as aparentes histórias nem o som de vidas a fenecer. Ouve-se, somente, o rangido ...
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Ninguém sabia por que ela criava amebas ambíguas no aquário. Não tinha peixes. Com a sua cara de sardas, frequentava o Café Flor e sorvia Kir Royal em copo de Campari. Sentia o beijo lambido que o argelino lhe dera na orelha, ainda de manhã. Ele vestia black-tie. Ela mal sentia a boca ...
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A bomba vai explodir. Já está armadilhada. Só falta digitar o código de acesso e premir o botão. — Vou-te deixar. D. sufoca no ar que o rareia e leva as mãos ao peito. A dor fragmenta-se em inúmeros pedaços de amor tóxico. D. cai no soalho, fulminado por palavras terroristas, uma bomba at...
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Ver é diferente de dizer o que se vê. Ver apenas, não incomoda o mundo. O homem está no remate da sua vida, mesmo que ignorasse como dedilhar o tempo há um espelho na parede, antes usado sobretudo para o ensaio de esgares mulherengos. Esse artefacto tem-lhe servido para desconvocar o eco da casa...
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O china era mais cuidadoso com o ferro de passar. Seu empregado, ao contrário, usa-o como se fosse um trator. O resultado são as feridas em minhas costas. Às vezes, ele joga água em excesso sobre a roupa, e o contraste com o ferro quente tem-me provocado constipa&cced...
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Nos clássicos movimentos de um cumprimento, a mão do doutor Proença desprendeu-se. Acidente: que, no aperto de dona Josefa, não houve ardor. Ao sentir coisa grudada aos dedos, num gesto de automática defesa a senhora sacudiu. Projectada, a mão do doutor Proença caiu, enérgico desamparo, no em...
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O
tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem
em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá
justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o
tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os senti...
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"[...]a verdade é o dinheiro." CantoX, 16 "Ea estranheza é esta: mais contida fica a prostituta à medida que o vinhoavança." CantoX, 22 "Opior sítio para estar vivo é entre aquilo que um dia nos exige e aquilo que oeter...
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"Entre dois cães raivosos em batalha, não há espaço para a pausa."Canto IX, 3 "[...] o melhor lado não é perfeito, porque é lado - e um lado tem sempre o lado oposto."Canto IX, 33 "O inesperado insinua-se no que parece definitivo e ninguém se conhece antes de morrer. Ámen.&...
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"O que é o passado? Tempo que cada vez ocupa menos espaço [...] O presente - agora neste momento - ocupa todo o espaço que nos rodeia." Canto VIII, 2 "Núpcias da História com a Imaginação provocaram mais filhos e cópulas divertidas do que núpcias da Verdade com a boa memória[...]; mas...
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Neste ano, em que se assinalam 95 anos sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro (26 de Abril de 1916), foram editados, em São Petersburgo, no volume XXVI da revista literária “Sfinx” (“Esfinge”), 10 poemas do escritor, traduzidos em russo (“Álcool”, “A queda”, “Nossa Senhora de Paris”, “Salomé”, “Certa...
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"A idade certa para conquistar o mundo é hoje. O homem levanta as interdições, avança, e quando se prepara para saltar: cai."Canto VII, 2 "Cair como a folha da árvore, tranquila e lenta, e subir como certos animais - a águia ou o avião guerreiro. A mobilidade inspira.[...]Canto VII, 3...
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"Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São ...
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"[...] quem relembra inventa: tudo começa de novo."Canto III, 5 "A intensidade com que se é esmagado não importa, de facto, o que importa é a intensidade que nos resta depois de sermos esmagados."Canto III, 75 "Se o progresso dependesse dos domingos, ainda andávamos de carro...
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Terá início em Setembro no CNC um ciclo que tem por objectivo fazer o balanço literário da última década. Organizado em parceria com a PNETLiteratura – um site que visa aproximar a lusofonia literária, contará com a intervenç&atild...
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No site http://disquiet.com/thirteen.html, aparecem links para 16 (dezasseis!) versões diferentes do poema “Autopsicografia” de Fernando Pessoa em inglês. O poema é tão conhecido na língua em que foi escrito que qualquer uma das versões provoca gr...
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Tenho um pé de cereja encantado ao lado do último olhar. Em frente,
um botão de púrpura calado. Pela mão esquerda enxergada colho uma letra breve.
O dedo indica-me a clave e perguntou-lhe: - Sol, ... Ler Tudo >>
No quadrazal da classe do touquim piámos que as da classe da piação seriem gambiadas nos quintos planetas de cada sesta porque os charales que jordarem as do joão das penhas à Classe do Mestre Migança... Ler Tudo >>
Ná página Crianças do Público de hoje, o destaque de Helena Melo vai para Montemor-o-Novo. (Agasalhem as crianças e visitem o Monte Selvagem.)
Depois
de três meses encerrado para manut... Ler Tudo >>
Valter que veio da nossa mãe
pátria Portugal - nos emociona com seu texto simples, bem humorado e sincero. É lindo mesmo,ver-nos brasileiros respeitados e reconhecidos por nosso jeito de ser e viver por nosso irmão colonizador.