As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste. João Cabral de Melo Neto
Tem-se assistido a uma vitalidade do livro, apesar de tantas vezes ter sido profetizado o seu fim. Em vez de desaparecer, ele tem encontrado novos formatos e beneficiado com esse grande canal de divulgação e de distribuição que é a Internet. O mesmo seria inevitável acontecer com as revistas culturais, onde se incluem as literárias, infelizmente sempre tão escassas no nosso país. A presença online, a actualização da informação, a diferença nos conteúdos, o dinamismo, a interactividade com os leitores, são factores fundamentais. Também a proximidade dos próprios autores com o seu público parece ser a melhor forma destes darem a conhecer as suas obras. E não é tudo isto, afinal, que de forma brilhante, através das suas rubricas – Curtas, Destaques, Observatórios, Pré-publicações, Inéditos ...
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Confesso que ainda não sei bem pronunciar, se Pinet, se Penet Literatura (e essas possíveis pronúncias devem ser ouvidas com sotaque do sul do sul do Brasil). Mas sei bem que o PNET Literatura (pronuncie a seu modo) é dessas coisas da vida que tem que acontecer. É só o que explica a presença desse meu depoimento aqui. Porque um dia decidi que um texto meu deveria alcançar não só brasileiros, mas leitores de língua portuguesa. Sem saber como fazer isso, escrevi para um grande ídolo meu, que é o Gonçalo Tavares, contando do texto, contando da vontade de espalhar ele. E o Gonçalo me disse que escrevesse ao Luis Carmelo, que ele se interessaria. Eu não conhecia Luis Carmelo e o Luis Carmelo sequer imaginava a existência de um Reginaldo Pujol Filho. O que não impediu que eu mostrasse meu trabalho para ele e ele, de pronto, me abrisse um espaço para publicar. Por quê? Eu já disse, porque o PNET é dessas coisas que tem que acontecer. Como as janelas, como as pontes. É isso que tem me parecido...
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Ser? (Seria)se soubesse a sabedoriade ser mar ao invés de ilha POEMATem dias em que acreditono que vejo e sintoEm outros, reflitorepito as afliçõesNão estudei metafísicadesconheço filosofiasinto mais do que pensoe sei o suficiente do que não seiPenso em Deusdesenho sua face no artão livre de formas que não o reconheçomas ainda assim amanheçoAna Paula Pedro* *Poeta, actriz e psicóloga...
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No aniversário do PNETliteratura, quem ganha o presente são os leitores, os privilegiados que acessam informações preciosas sobre literatura por meio do portal.O PNETliteratura é uma fonte importante de conhecimentos para aqueles que, como eu, moram no Brasil e tem interesse em literatura. Os cadernos de cultura dos grandes jornais não passam por um bom momento deste lado do Atlântico. Eles dedicam-se cada vez mais ao entretenimento e cada vez menos à literatura. Os artigos sobre tradução desapareceram da imprensa, exceto em casos de plágios escandalosos. É um alento encontrar uma coluna como a da Maria do Carmo Figueira.Todo este vácuo que vem sendo diminuído com a bela iniciativa do PNETliteratura. Que este seja o primeiro de muitos anos de vigor intelectual e literário, é o meu melhor desejo para o PNETliteratura e toda a sua equipe.Dinaura M. Julles**TradutoraSão Paulo - SP - Brasil...
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O site PTNETliteratura é uma porta aberta na Europa para escritores brasileiros e de outros países lusófonos. Foi através dele (do site), que consegui divulgar ainda mais o meu trabalho como editor, escritor, poeta e patrocinador de cultura. Tenho obtido resultados positivos, o que me estimula a continuar a parceria e a estar sempre conectado nas novidades publicadas ali.Valdeck Almeida de Jesus**Escritor...
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Experimentamos a contemporaneidade naquilo que é atual, acontecendo ao mesmo tempo e em espaço distinto. Isto nos possibilita conhecer diferentes visões e vozes, levando-nos ao mundo discreto, fragmentado. Sou levado a crer que a literatura contemporânea não necessariamente aborda o tempo histórico atual, mas traz elementos atuais ao texto, tais como: velocidade, síntese, objetividade, fragmentação e desconstrução formal. A língua é a linha-mestra a que tudo une. O português, portanto, é o alicerce que nos sustenta, permitindo-nos estar sob um teto único; estranho: sem cobertura, isento de céu. O site Pnet Literatura consegue tudo isso e portanto é parte de nossa casa.Marco Aurélio Cremasco**Escritor...
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Acredito no poder da palavra. Na sua capacidade para se reinventar e transcender, para rasgar horizontes e agregar o disperso, para ser partilha e arte. Felicito o Pnet-Literatura por ser este espaço incontornável e multifacetado de celebração da palavra: da polifonia lusófona à crítica literária e, muito me apraz registar, ao olhar atento sobre a tradução. Ela dissolve barreiras linguísticas e culturais, une as margens de dois mundos. As pontes também se constroem com palavras. PRÓLOGODêem-me uma palavraqualquer palavradeixem-na rolar na línguacomo um caramelo.Abram os lábiosdigam-na em voz altadeixem cada sílaba vibrarcomo um transístor.Digam-na outra e outra e outra vezaté a língua a saber de coraté o sentido se fragmentaraté só o som contar.Escrevam-na agora,letra a letradevagaraté ela ser mensagem.Fa...
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Parabéns a você, nesta data querida Anos. Anos e anos, desprezada, desconsiderada. Uma vida. Inteirinha. Relegada para segundo plano, como se não existisse, como um filho preterido, como se um cão esquecido no quintal. E eu calada, anos a fio. Sempre disponível, sempre com um sorriso, prestável para todo o serviço, pano para toda a lida, pau para toda a obra, para tudo o que fosse preciso e quando fosse preciso. As piores birras, os cocós mais fétidos e ráveis, as horas extraordinárias por pagar, as férias sempre escolhidas em último lugar. Eu, claro. A parva, a ordinária, pois claro, só eu é que não via, ou melhor, via e calava, pateta, estúpida, uma estúpida que até dá dó. Como é que aguentei? Como pude aguentar? Como pude ser tão cega? A minha mãe sempre me disse, filha, nunca te deixes espezinhar, olha que dás um dedo às pessoas e elas levam-tos todos daí para diante. Olha a tua dignidade, nada de baixar a cabeça, filha. Parva, ouvi-a? Qual quê, foi como se as palavras da minha que...
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Tomei conhecimento do site “Literatura Pnet” há algum tempo, não me lembro quanto, mas sei dizer com certeza que a partir do momento em que fomos apresentados passei a visitá-lo com frequência. Passei a ter uma admiração imensa pelas obras ali publicadas. Sou leitora assídua dos escritores brasileiros, que sempre me presenteiam com belíssimas e deliciosas obras. Além da variedade cultural encontrada através da expressão lusófona, cujas obras e comunidades de regiões como Cabo Verde, Angola etc, me despertaram um grande interesse, pois fornecem uma variedade cultural significativa. Enfim, ressalto que através da obras dos excelentes escritores que ali publicam sempre encontro algum tipo de resposta satisfatória para meus questionamentos, seja como estudante e apreciadora da Língua Portuguesa, seja para os meus momentos de descontração, quando procuro boa leitura para relaxar, ou até mesmo, nos meus momentos de reflexão, quanto busco respostas para os meus dilemas mais secretos que some...
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Precioso este PNET Literatura que agora completa um ano de vida. Um excelente espaço de criação e divulgação literária, uma fonte de prazer para quem gosta de ler. Parabéns a todos os que têm contribuído para a sua existência.Cláudia Abreu**Editora Campo das Letras...
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Naveguei por diversas seções do website PNETLiteratura e o ancorei nos meus ‘favoritos’ para outras navegações em tempo futuro. Gostei imensamente e, no horizonte da apreciação, constatei no Pnet um trabalho rigoroso, diversificado e, o mais importante, abrindo espaço para a comunhão de propósitos e para a voz lapidada, artística de novos escritores da língua portuguesa. Também dirigi as minhas retinas para os contornos do site e tive o prazer de admirar belíssimas fotografias (abstratas, da Natureza, de peças artísticas, etc), textos de imprensa, moda, etc., o que revela o cuidado na edição dos conteúdos para posterior amplificação. Na escuridão gerada pelo excesso de textos da Internet, ainda bem que existem muitas estrelas "pnetianamente" brilhando... Vida longa para elas!Ezequiel Theodoro da Silva**Escritor e profes...
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Felicito o PNETLiteratura pelo êxito alcançado em seu primeiro ano de vida na divulgação de notícias, crítica e criação literárias. Em tão pouco tempo este site conseguiu firmar sua reputação como uma referência para quem deseja acompanhar as novidades literárias no espaço da língua portuguesa, o que se deve à alta qualidade do trabalho de seus editores e colaboradores. João Almino**Escritor...
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O Pnet me agrada pela sobriedade das cores, pelos tons de marrom que oscilam do bruto ao pastel, propiciando leveza à página e não cansando a vista, por assim dizer. A quebra que existe no tom dá-se pelo abóbora (ou laranja, como se queira), que se justifica por se tratar do menu de conteúdo, que deve mesmo chamar nossos olhos. Também gosto bastante das fontes dos títulos: fogem do linhas retas e cartesianas presentes nas tipografias utilizadas na maioria dos sites e se enquadram bem com o assunto, que afinal é a literatura. Luis Paulo Silva** Editor de arte...
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Os amantes das letras, conjugadas em palavras e estas em frases/reflexões/dizeres, alimentam a necessidade de mais ler e investigar por via das revistas literárias.Como escreveu Daniel Pires*, são “um testemunho elucidativo de uma época, do pulsar do tecido social, das suas contradições, das ambições e limitações que a rodeiam, dos mecenas, da cultura, em sentido lato, de uma determinada ordem social”. O livro de Clara Crabbé Rocha, Revistas Literárias do Século XX em Portugal** é referência para aqueles que lembram e mais querem saber sobre o percurso destas publicações em português. Aleatoriamente, referir a Seara Nova, a Colóquio, o Jornal de Letras, o Tempo e o Modo, a Vértice, a Letras e Letras é forma outra de homenagear os responsáveis e colaboradores que ajudaram a saciar a fome da leitura e do pensar.O PNET Literatura surge na melhor tradição da revista literária em Portugal. Adaptado à nova era, que opticamente envia no instante da publicação os conteúdos, permite ao leitor...
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"Num tempo, terrível, em que se anuncia, possivelmente para a próxima década, o fim do livro impresso, do cheiroa tinta e papel, do livro tal e qual aprendemos a amar, creio que o portal PNET Literatura, sendo ele mesmo um suporte digital, faz o respectivo contraponto. Porque em boa hora e através da sua minuciosa busca do prazer dos livros e das histórias o PNETLiteratura leva-nos, pela mão do seu magnífico grafismo e classificação temáticas, bem como pelos seus cronistas residentes e demais colaboradores, a uma biblioteca que, num primeiro passo, nos leva ao prévio deleite da escrita, para, num segundo, nos fazer mergulhar mais apaixonadamente nas suas pequenas, desconhecidas histórias.O PNETLiteratura é, hoje, isso mesmo: um enorme portal por onde, diariamente, de qualquer parte do mundo lusófono, e não só, se pode flanquear a sensibilidade p...
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“ Para quê escrever, depois de séculos de grande literatura? “ Esta uma das perguntas que mais tenho repetido, nas minhas décadas de entrevistas a escritores. Uma curiosidade profissional e genuinamente pessoal. O que pode ainda ser escrito de tão magnífico, que eu o deva preferir aos livros que tenho para ler, do Panos Karnezis, do Borges, do nosso Aquilino e de mais uma boa centena? É que a vida escorre-se-me a cada hora, a Biblioteca de Alexandria está ali, inteira e oferecida, e eu ainda não consegui perceber se terei ou não uma outra vida para lá me instalar. Porquê escrever mais? E para quê arriscar o bem mais precioso, que é o tempo, a escrutinar o que alguém escreve de novo, num jogo de puro azar e raras fortunas? É sempre neste tom carrancudo que todos os dias parto a abrir a PNET Literatura. E ali me demoro. Mas torno. Mas fico. E volto. E fico out...
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Grande parte da popularização da internet se vem dando em cima de redes sociais, blogs pobres e microblogging. Nesse cenário, sites como o PNET Literatura são oásis, com seus textos sem pressa e sem concessões a modismos. O PNET é parada necessária a quem aprecia uma boa prosa em língua portuguesa, seja na variação americana, européia ou africana.Daniel Lopes** Editor do blog Amálgama...
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Gosto de andar por aqui. Do conceito abrangente, da presença regular da literatura em português - Portugal, Brasil, Angola, Moçambique -, da variedade dos temas e colaborações no tal “rio que se reconhece”, “vastíssimo esteio de inúmeros afluentes” de que fala o Luís Carmelo, seu coordenador. E que bela ideia a de um Observatório de Tradução, já que a imensa maioria do que se edita em Portugal são traduções. PNETliteratura, parabéns! Clara Alvarez* *Tradutora...
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A partir da descoberta do Pnet, por indicação do Eustáquio Gomes, este site tem sido um porto para encontrar-me com minha alma de tempos a tempos, entre os afazeres e as correrias cotidianas. Uma grande cidade lusófona, onde iguais comungam suas palavras e percepções, na contramão do rio “globalizante” e mercantil que passa por nossas vidas hoje, que espero seja passageiro. Aqui encontramos o conforto da arte.José António Rosa**Professor...
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A iniciativa do site é válida quanto a conexão de países que falam a mesma língua. Constantemente recorro a internet para a procura de novidades ou não na área do pensar. Acredito que essa iniciativa simplifica o trabalho de pesquisadores e curiosos, diminuindo a distância entre esses países. Minha comunicação se restringe somente ao Brasil, digo se restringia, pois espero somente a confirmação do meu cadastro para navegar nos mares de outros continentes, trocar informações e principalmente prolongar meu aprendizado.Ivan Neder**escritor...
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Gosto do Pnet porque ele dá oportunidade a autores inéditos, proporcionando também o acesso a escritores consagrados dos países de língua portuguesa e ao fascinante universo da lusofonia.Dulcinea Bordignon**Secretária...
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O site tem visual agradável. Diversidade e qualidade se combinam. Fico feliz de conhecer mais um espaço alternativo para a literatura, a comunicação e para o pensamento. Cida Sepúlveda**Escritora...
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PARISPalavras.Mata virgem.Mata a fome que tenho.Paris, no outono, gosto de mostarda e bolacha de gergelim.Cenário: Rive Gauche, Miles e Jeanne Moreau.Tua roupa rosa – passei noite-inteira a teu lado: servidão.Tenho o guidão da bicicleta em minhas mãos,Tenho tempo, tantas dúvidas.Moi, je suis la Dame aux Camélias.Vous ne comprenez pas....Espera sentada no café,o cappuccino tem gosto de chá.Sentada, escrevendo, calada.Por que os sinos só badalam horas inteiras?São tantas as horas.Bico de passarinho.Revoada na vila, miado de Bizet.Diploma na estante de livros.Não tenho pressa, preciso pensar.Subserviência em meus canais.Cheiro de crepe de Nutella.Sensorial.Boca aguada, aberta. Não falo.Está bem, falo só uma vez.Amor.Amor.Nem sempre cumpro o prometido.Não encontro o cadafalso.Não sou Beauvoir.Não falo francês.Acordei cedo. Pouco dormi.Vou deixar para dorm...
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Sincronia. Ocorrências simultâneas. Ideias voejantes, talvez delirantes. Fato é que no início da década de oitenta, ao vir para a cidade de Atibaia, descubro o jornal Tentativa, editado na década de quarenta, por André Carneiro e outros autores. Em uma das edições, em “Colaborações de Portugal”, encontro conto Pureza de Virgílio Ferreira, isto em dezembro de 1950, e “O que se publica em Portugal”, com contribuições de Luis Amaro e Adolfo Casais Monteiro:Está publicado o sétimo número do jornal de Poesia Távola Redonda, dirigido por António Manuel Couto Viana, David Mourão-Ferreira e Luiz de Macedo. Távola Redonda é uma bela afirmação dos novos poetas portugueses, e constitui já um movimento digno de menção e análise. Jornal de apresentação moderna, a que o lápis de António Vaz Pereira imprime um curioso cunho artístico, colaboraram até agora em Távola Redonda trinta e três poetas da nova geração. Ampliando a sua actividade, Távola Redoada começará em breve as suas edições, as primeiras...
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Em tempos muito remotos e vivazes, escrevi uma tipologia de escritores no J.L. Arranjei vinte e tal figuras, fui exaustivo, exorbitei e achei-me muita piada. Tenho um exemplar para aí, algures, num maço confuso de papéis. Outro dia, pediram-me uma cópia, mas vá lá saber-se onde é que isso pára. Amarelece, amarelece e esboroa-se, as palavras descaíram, o viço esfumou-se, e a graça, se a tinha, que é dela? Na altura não imaginava que as voltas da vida me viessem a pespegar no catálogo e isso sem retorno. A partir do momento em que socialmente se é considerado um escritor, fica o título para toda a vida. Como os ministros franceses e, ao que me disseram, os bastonários das ordens. Por cópia, com certeza. Em Portugal há quinhentos anos que toda a gente copia, excepto parte dos escritores, e outros autores, a quem copiar parece mal. Talvez por isso a nossa lit...
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o tal total o amor é o tal total que move o mundo a tal totalidade tautológica, o como somos: nossos cromossomos nos quais nunca se pertenceu ao nada: só pertencemos ao tudo total que nos absorve e sorve as nossas águas e as nossas mágoas ficam revoando como se revoltadas ao princípio, àquele principício originário &nb...
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Pede-nos o Editor/Coordenador da PNETliteratura, Luís Carmelo, um depoimento para publicação no site na data do seu 1º aniversário. Confessamos o nosso constrangimento. De formação física e matemática, apaixonado pelas letras mas sem grande apetência para plasmar em escrita o que nos vai na alma, é com relutância que alinhavamos estas palavras. Decerto compreenderão. É que escrever ao lado de alguns dos melhores escritores contemporâneos de língua portuguesa não é fácil. Mas o Luís insiste, argumentando que a autoria do projecto nos pertence. Não será tanto assim. Se é verdade que no dia 1 de Dezembro de 2007 requeremos ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial a marca “PNETliteratura”, não é menos verdade que o projecto só existe, em primeiro lugar, devido ao entusiástico acolhimento que o Luís fez ao nosso convite para editar e coordenar o site e, em segundo lugar, ao também não menos entusiástico sim com que os restantes colaboradores aceitaram entrar nesta aventura. Em te...
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Num mundo onde a lógica da indústria cultural acaba amesquinhando a arte, iniciativas como a do Pnet Literatura são essenciais. Não só porque permite a expressão lusófona da literatura, mas sobretudo porque abre espaço para o lado inteligente da estética.Clayton Levy* * Jornalista...
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O Pnet é de fácil navegabilidade e de conteúdo importante para o universo da língua portuguesa. Além disso, através de sua plêiade de autores, o site alcançou uma universalidade lusófona muito apreciável e, quero crer, pioneira. Meus cumprimentos por seu primeiro aniversário. Que sua vida seja longa. Ronei Thezolin**Jornalista...
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O PNET Literatura tem um ano de actividade e, nesse espaço de tempo, há muita coisa que se pode fazer. E o PNET Literatura fê-lo. Poderia dissertar largamente sobre os méritos da iniciativa, a actualidade dos conteúdos e a capacidade de reacção do portal ao que se vai passando no meio dos livros. Mas prefiro ficar-me pelo que vai ficar: pelos textos inéditos de um vasto número de colaboradores, que orgulham qualquer publicação. A um portal que se pode vangloriar de contar com um Eduardo Pitta (mestre, como poucos, da crítica literária em Portugal), um valter hugo mãe e um Jorge Reis-Sá (curioso que o PNET Literatura una o que os dois indivíduos, por vontade e gosto próprio, decidiram separar), que recupera Almeida Faria (esperando que, com isso, se recupere também um dos grandes livros da nossa literatura, Rumor Branco), que dá espaço a Ondjaki e Patrícia Melo (reavivando lusofonias de geografias diversas), que dá espaço a um Gonçalo M. Tavares (inquieto, que não consegue parar de escr...
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Primeiro aniversário. Parabéns a todos. Este ano instalou, no que me diz respeito, a pouco e pouco, dois modos de vida neste espaço cultural: a) como leitora. Ir ler tornou-se um reflexo logo que tenho meio minuto b) como colaboradora. Foi mais complicado por o ano ser composto de stress sem mudança: adiei com frequência a escrita ocasional. Mas espero mudar de vida no próximo ano. (Ano novo, vida nova, não é?...) Manuela Degerine** Professora e escritora...
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A prosperidade económica da actualidade, mais do que recursos pesados, pressupõe atractividade e conectividade. A geopolítica contemporânea, mais que uma geopolítica dos territórios tende a ser uma geopolítica dos fluxos. Por analogia (quem sabe?), a literatura dos nossos dias parece cultivar-se em espaços partilhados, na permuta de mensagens, ao sabor dos novos códigos da linguagem binária, na acessibilidade do “on line”, na comunicação flexível, eliminando distâncias, esbatendo fronteiras, valorizando a conectividade, subsistindo em fluxos de palavras e de pausas. Um bom exemplo para isso? O PNETliteratura.Luís Moita ...
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É tão pouca a atenção que a literatura hoje recebe dos media que deste PNETliteratura só se pode dizer bem, mesmo até pelo simples acto de existir. Fosse só isso. Mas todos reconhecemos razões adicionais, pois a literatura e a rede do seu parentesco aparecem aqui vivas, viçosas, enérgicas, de face refrescada por uma brisa soprada de um mar que manda para a costa vaga após vaga de convidativa água. Por trás desta virtualidade intensa andam mãos reais teclando para aqui e para ali solicitando textos, lembrando promessas de outros, mas movidas por cabecinhas reais também, escarafunchando mil maneiras de abrir janelas em ângulos diferentes da realidade porque os leitores hoje têm uma atenção curta e navegam logo para outras bandas se as novidades demoram. Sim, tudo isso deve dar muito trabalho real que a página virtual nunca traduz. Eis pois ...
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A “República das Letras” nunca se identificou com um meio de comunicação em especial, embora seja inegável o papel historicamente seminal da tipografia e da escrita impressa, mas ela foi sempre o lugar dinâmico, em construção permanente, onde se trocaram imagens, representações, buscas de sentido, entre iguais.Nessa medida, como lugar entre pares, o espaço literário é por excelência político (na acepção tão brilhantemente defendida por Hannah Arendt, da política como mundo comum a necessitar de permanente investimento e cuidado). Uma revista literária é, dessa forma, a habitação de um espaço onde se partilham aventuras e percursos que se guardam, pelas palavras de todos e de cada um, do esquecimento. É essa a tarefa que tem cabido, com qualidade e entusiasmo, através do brilho e rapidez do meio virtual e...
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Conheça as vantagens em ser membro da PNETliteratura
Tua coxa é lisa, o lado de dentro. Você é peixe de uma única escama, liso com ela e sem ela. Meus dentes não te rasgam, escorregam, escoriar tuas pernas é um descuido que me agrada. A mulher raspa tua cabeça, dinâmica debaixo d’água pra te salvar das Iemanjás. Azar dela, eu não preciso de oxigên...
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Repassada do desejo daqueles risos que se perderam e da lembrança dos encantos que nunca chegaram a acontecer, está a casa, palco deserto, onde outrora fantoches ensaiavam uma monótona coreografia. Aí, já não cabem as aparentes histórias nem o som de vidas a fenecer. Ouve-se, somente, o rangido ...
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Ninguém sabia por que ela criava amebas ambíguas no aquário. Não tinha peixes. Com a sua cara de sardas, frequentava o Café Flor e sorvia Kir Royal em copo de Campari. Sentia o beijo lambido que o argelino lhe dera na orelha, ainda de manhã. Ele vestia black-tie. Ela mal sentia a boca ...
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A bomba vai explodir. Já está armadilhada. Só falta digitar o código de acesso e premir o botão. — Vou-te deixar. D. sufoca no ar que o rareia e leva as mãos ao peito. A dor fragmenta-se em inúmeros pedaços de amor tóxico. D. cai no soalho, fulminado por palavras terroristas, uma bomba at...
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Ver é diferente de dizer o que se vê. Ver apenas, não incomoda o mundo. O homem está no remate da sua vida, mesmo que ignorasse como dedilhar o tempo há um espelho na parede, antes usado sobretudo para o ensaio de esgares mulherengos. Esse artefacto tem-lhe servido para desconvocar o eco da casa...
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O china era mais cuidadoso com o ferro de passar. Seu empregado, ao contrário, usa-o como se fosse um trator. O resultado são as feridas em minhas costas. Às vezes, ele joga água em excesso sobre a roupa, e o contraste com o ferro quente tem-me provocado constipa&cced...
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Nos clássicos movimentos de um cumprimento, a mão do doutor Proença desprendeu-se. Acidente: que, no aperto de dona Josefa, não houve ardor. Ao sentir coisa grudada aos dedos, num gesto de automática defesa a senhora sacudiu. Projectada, a mão do doutor Proença caiu, enérgico desamparo, no em...
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O
tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem
em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá
justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o
tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os senti...
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"[...]a verdade é o dinheiro." CantoX, 16 "Ea estranheza é esta: mais contida fica a prostituta à medida que o vinhoavança." CantoX, 22 "Opior sítio para estar vivo é entre aquilo que um dia nos exige e aquilo que oeter...
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"Entre dois cães raivosos em batalha, não há espaço para a pausa."Canto IX, 3 "[...] o melhor lado não é perfeito, porque é lado - e um lado tem sempre o lado oposto."Canto IX, 33 "O inesperado insinua-se no que parece definitivo e ninguém se conhece antes de morrer. Ámen.&...
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"O que é o passado? Tempo que cada vez ocupa menos espaço [...] O presente - agora neste momento - ocupa todo o espaço que nos rodeia." Canto VIII, 2 "Núpcias da História com a Imaginação provocaram mais filhos e cópulas divertidas do que núpcias da Verdade com a boa memória[...]; mas...
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Neste ano, em que se assinalam 95 anos sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro (26 de Abril de 1916), foram editados, em São Petersburgo, no volume XXVI da revista literária “Sfinx” (“Esfinge”), 10 poemas do escritor, traduzidos em russo (“Álcool”, “A queda”, “Nossa Senhora de Paris”, “Salomé”, “Certa...
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"A idade certa para conquistar o mundo é hoje. O homem levanta as interdições, avança, e quando se prepara para saltar: cai."Canto VII, 2 "Cair como a folha da árvore, tranquila e lenta, e subir como certos animais - a águia ou o avião guerreiro. A mobilidade inspira.[...]Canto VII, 3...
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"Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São ...
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"[...] quem relembra inventa: tudo começa de novo."Canto III, 5 "A intensidade com que se é esmagado não importa, de facto, o que importa é a intensidade que nos resta depois de sermos esmagados."Canto III, 75 "Se o progresso dependesse dos domingos, ainda andávamos de carro...
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Terá início em Setembro no CNC um ciclo que tem por objectivo fazer o balanço literário da última década. Organizado em parceria com a PNETLiteratura – um site que visa aproximar a lusofonia literária, contará com a intervenç&atild...
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No site http://disquiet.com/thirteen.html, aparecem links para 16 (dezasseis!) versões diferentes do poema “Autopsicografia” de Fernando Pessoa em inglês. O poema é tão conhecido na língua em que foi escrito que qualquer uma das versões provoca gr...
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Tenho um pé de cereja encantado ao lado do último olhar. Em frente,
um botão de púrpura calado. Pela mão esquerda enxergada colho uma letra breve.
O dedo indica-me a clave e perguntou-lhe: - Sol, ... Ler Tudo >>
No quadrazal da classe do touquim piámos que as da classe da piação seriem gambiadas nos quintos planetas de cada sesta porque os charales que jordarem as do joão das penhas à Classe do Mestre Migança... Ler Tudo >>
Ná página Crianças do Público de hoje, o destaque de Helena Melo vai para Montemor-o-Novo. (Agasalhem as crianças e visitem o Monte Selvagem.)
Depois
de três meses encerrado para manut... Ler Tudo >>
Valter que veio da nossa mãe
pátria Portugal - nos emociona com seu texto simples, bem humorado e sincero. É lindo mesmo,ver-nos brasileiros respeitados e reconhecidos por nosso jeito de ser e viver por nosso irmão colonizador.