A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa.
Luís Carmelo, Coordenador
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CrónicaCrónica
Correspondentes
Temas: Noticiário

Sobre o que você escreve?

[02-06-2009]  |  Patrícia Melo


Há poucas coisas mais incômodas na minha vida de escritora do que ser inquirida com este tipo de pergunta.

         Nunca sei o que responder.

         Literatura de escombros?

Catálogo das patologias urbanas?

Novo gótico?

Velho brutalismo?

         Não tenho a menor idéia, nem interesse de me catalogar. 

         Mas talvez não fosse incorreto responder: escrevo sobre o fato de jamais ter aceito a idéia da morte, desde que fui apresentada a ela, aos sete anos de idade.   

         Não há nenhuma novidade nisso, noventa e nove vírgula nove  por cento dos escritores do mundo me acompanham nesta tarefa. Talvez porque,  como explicou Aristóteles, o que é terrível de se ver na realidade, pode ser adorável de ser visto numa obra de arte.

         No entanto, a experiência me impede de ser sincera.

Aprendi, ao longo dos anos, que quem faz essa pergunta não é meu leitor, e pior ainda, não é leitor de coisa alguma, nem de bula de remédio. Trata-se na maioria das vezes  de um passageiro que, para minha infelicidade,  sentou-se ao meu lado no avião e quer conversar durante a viagem. Um entusiasmado, digamos assim. Pode ser também  um paciente que, como eu, aguarda numa tediosa sala de espera,  sua hora de ser atendido. Alguém que, como diria a patuléia, quer “pegar amizade”. Ou ainda, horror dos horrores, uma pessoa deslocada na festa à qual eu jamais deveria ter ido, e onde também me sinto deslocada. 

Em nenhum desses casos, há ali um leitor.

O leitor, esse ser cada vez mais raro e disputado a tapas nas melhores livrarias, ao saber que está diante de um escritor, discorre sobre livros que gostou de ler, troca impressões, e por fim, com uma certa timidez e muita gentileza, pergunta e anota mentalmente o nome de um títulos do autor com quem conversa. Depois, solitário, vai buscá-lo, na esperança de que um novo e maravilhoso mundo se descortine para ele.   

E se é especificamente meu leitor, já o conheço bem, de longa data. A primeira pergunta é sobre o próximo livro. A pressão é constante. Acham que demoro para publicar e que a média ideal seria um livro por ano. 

“É sobre o quê?” é sempre a terceira ou quarta  pergunta (depois da sessão de reclamações) e Rubem Fonseca me ensinou a respondê-la (sempre com um sorriso nos lábios):  “não gosto de falar sobre livros que estou escrevendo. Dá azar.”

Assunto resolvido. Meus leitores perdoam minhas idiossincrasias.

         Mas, voltando aos não-leitores, esses tipos que agora estão por toda parte, infestando o mundo com suas perguntas idiotas, quando nos encontram, só querem mesmo é uma oportunidade para poder falar. Sobre-que-você-escreve é apenas uma armadilha. Um pretexto.  Ele passa a bola para nós, de modo que  façamos uma pequena introdução sobre qualquer tema (se possível de forma bem genérica), sobre o qual ele irá discorrer nas próximas duas horas. 

         E quando você já estiver zonzo de tanto escutar,  ele vai contar que “sabe, eu também escrevo” (os mais perigosos têm blog!),  e se você bobear, vai pedir o seu e-mail para mandar “uns textos”. Quem sabe você não poderá lê-los e dar  uma opinião  “profissional”?

         Esses não me pegam mais. Estou escolada e tenho meus truques. Trago sempre  um jornal embaixo do braço.  Quando o não-leitor se aproxima - sempre de mãos abanando, ou com uma sacola de free shopping  porque é um consumista inverterado -  e pergunta o que faço, abro o jornal  e respondo:

           - "Sou vendedora de aço fy4."

          Quanto mais específica a resposta, mais intimidados ficam os não-leitores.

         Ou ainda: "sou bióloga especializada no hipocampo dos símios".  

         E é essa a razão desta crônica, quero me apresentar  como a mais recente bióloga do site PnetLiteratura.

E para que ninguém tenha que me fazer a derradeira pergunta, vou logo avisando: serão duas dissecações mensais de macacos, das mais distintas espécies.   

         Me aguardem!

Patrícia Melo






Nova IorqueParisRio de JaneiroOsnabrueck, RFALuanda
 
Traduzindo...
Coordenação: Maria do Carmo Figueira

Traduzindo

Não é apenas a tradução de um poema; é ser tocado por um texto, partir à sua descoberta, à forma como foi construído, inspirado... pintado. É uma simbiose perfeita não só entre um original e a sua tradução mas, mais fundo ainda, entre o tradutor e a alma do poeta, cujo poema é já em si a “tradução” ...  Ler Tudo >>
[29-06-2010]  |  Maria do Carmo Figueira
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THE DISQUIETING MUSES, de Sylvia Plath, tradução de Ana Maria Chaves

Partindo do quadro de Chirico com o mesmo título, depois da denúncia do papel da mulher-esposa, Sylvia Plath sufoca-nos com o seu retrato da mulher-filha, sobre a qual recai o peso insuportável de tudo o que a mãe (e a sociedade) dela espera e a que jamais ela poder&aacut...  Ler Tudo >>
[29-06-2010]  |  Ana Maria Chaves
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Literanário
Contribuições Literárias
(reservado o direito de selecção)
Maceió-Alagoas – Brasil Massachusetts, USA

                                      António Manuel Pacheco

Da Caverna

Seguia eu pela avenida central de Penafiel e abeirava-me da passadeira mesmo em frente ao café mais ...   Ler Tudo >>
[06-07-2010]  |  António Manuel Pacheco
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  De Maceió-Alagoas – Brasil              Carlito Lima

Memorial à Rapariga Desconhecida

No final do século XIX deu-se início ao bairro de Jaraguá. Os grandes comerciantes, os burgueses, os...   Ler Tudo >>
[17-08-2010]  |  Carlito Lima
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Menos do Muito

De repente não é mais para fora.Não é mais sucesso para exportaç&...   Ler Tudo >>
[15-04-2010]  |  Diana Menasché
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História de duas irmãs e de uma sereia que morreu afogada

À CatarinaO rio existe e talvez por isso a cidade tenha sido sempre tão doce. Não como riso contínuo...  Ler tudo >>
[07-10-2009]  |  Joana Câmara
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Jogo das Damas

Jogo das DamasHá livros não escritos.           Jarras não. Partidas.Folhas esguias. Sós mas soltas....  Ler tudo >>
[22-02-2010]  |  Maria João Brinquete
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Carnaval em Angra dos Reis

 Há cinco anos que eu fujo, literalmente, de muvuca, zoeira, badalação e f...  Ler tudo >>
[04-03-2009]  |  Valdeck A. de Jesus
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O senhor embaixador

I            O embaixador Dário Moreira de Castro Alves (1927-2010) esteve nove anos a braços com um...  Ler tudo >>
[28-06-2010]  |  Adelto Gonçalves
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Correspondências

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[26-08-2010]  |  Susana Leite
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Férias para sempre

No verão quem não deseja viajar? E se essa sensação de liberdade e de encontro com o novo nunca desaparecesse? É disso que trata este livrinho pequenino em que o conceito de férias se vê imortalizado para sempre em forma de aventura a dois - dois bons amigos que viajam pelo mundo. Um mundo escolhido...  Ler Tudo >>
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Com pouco mais de uma dúzia de ruas, seis ao longo da ponta que dá para o oceano e outras tantas cruzando as primeiras, o centro histórico de Paraty é uma pequena Manhattan, que no início de uma visita independente da duração parece tão control...  Ler Tudo >>
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Capitulo 1 - A Flip da Casa Grande, a Flip da Senzala

Esta é a oitava edição da festa que virou a principal atração turística de Paraty, e muita coisa mudou nesses anos. Neste encontro em que o principal homenageado é um dos autores considerados entre os maiores intérpretes do Brasil (formando jun...  Ler Tudo >>
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Manual de instruções para Portugal

Foi em cafés e restaurantes e encontros com portugueses de vária espécie que o livro se viu nascer. Um livro escrito para agradar às massas, à hipérbole de turistas alemães que desertam o país ao longo do ano inteiro – e não s&oacu...  Ler Tudo >>
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Porquê Portugal? Exemplos de uma existência inspiradora

Já não é uma novidade no panorama musical mundial, mas um nome destes desperta sempre curiosidade a um português, especialmente se os membros desta banda são provenientes do longínquo Alaska. Tenho andado a ouvir os Portugal.The Man desde o ano passado &ndash...  Ler Tudo >>
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Cuentame un cuento

Havia muito de Umberto Ecco na aula aberta ao público de Antonio Muñoz Molina ontem à noite no King Juan Carlos I of Spain Center, parte do campus da New York University, o edifício de número 53 ao sul do grandioso Washington Square.  Na sala reservada ao evento, não se ouve o inglês enquanto uma se...  Ler Tudo >>
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Adeus migrante

A princípio, são as meias vermelhas que nos distraem e fazem reparar na combinação com a camisa também vermelha mas em outro tom, o terno é marron escuro, o blazer descasado.  Um homem visivelmente mais jovem do que a idade, um sotaque aplicado à pronúncia rastejante, um pessimista, medroso, por nat...  Ler Tudo >>
[09-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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“Ora ouve…”

Entre Osnabrűck e Porto, que paralelo biográfico melhor para se ler Ilse Losa na direcção contrária àquela que ela geograficamente deu à sua vida. Uma vida que na tragédia da História da Alemanha encontrou porto de abrigo no Porto de onde eu provenho e que nessas trocas interculturais perdeu ou...  Ler Tudo >>
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Brooklynites

Artistas plásticos, músicos, poetas e escritores encontram no Brooklyn refúgio e cenário e dali partem para expedições ultramarinas na Califórnia, na Índia, na França, na América Latina, na África, a book tour perhaps.  Discussões literárias, conversas boêmias, propostas, idéias para livros em ebuli...  Ler Tudo >>
[18-12-2009]  |  Kátia Gerlach
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LITERATURA JURÍDICA
Parceria

Espaço-parceria para Literatura Jurídica

Espaço disponível... 
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[11-06-2010]  |  Vítor Coelho da Silva
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Espaço editorial

Espaço reservado a eventual Parceria.... 
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[28-10-2008]  |  Vítor Coelho da Silva
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Literatura Popular
Literatura Infanto Juvenil

Escrita de viagem e/ou Os vigieiros do Corpo

Continuação do Circo da i margin’ar-te  por Maria LavaA Escrita de Viagem (ou os Vigieiros do Corpo) insere-se no já enunciado e anunciado Projecto do Circo da i margin... 
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[21-07-2010]  |  Editor
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Duas histórias de amor e desamor em verso

Quando, no falar comum e quotidiano, nos referimos a “literatura de cordel”, usamos a expressão num sentido depreciativo, desvalorizando uma determinada obra como sendo de inferior ... 
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[18-05-2010]  | 
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Os LÁ-VAI por Maria Lava

um Projecto do Circo da i margin’ar-te, uma (des)pretensão de trimaginar a arte; do deslado marginal d’ella.I   ida prima estaçãoII  ida decoração da primaIII   ida prima estaçãoIV  ida frolV  idos fr... 
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[29-03-2010]  | 
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Um Dia Na Praia, de Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina. Obrigada à equipa do Planeta por ter disponibilizado as imagens e por ter escolhido a banda sonora. Pensando bem, Letra pequena não fez quase... 
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[04-08-2010]  |  Letra Pequena                                                  Ver Mais >>
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Se Eu Fosse...Nacionalidades

Estreia do premiado autor, Francisco José Viegas, no género infantil. Se Eu Fosse... Nacionalidades faz-nos descobrir a vida que o Lio teria se fosse japonês, brasileiro, norueguês ou italiano. Ilustrado a quatro cores, oferece às crianças, a partir dos 5 anos, a oportunidade de conhecer a realidade gastronómica, linguística e patrimonial de diferentes países. Humorada, lúdica e didáctica, é uma obra para ser lida com os pais e descobrir, em cada país, aquele pormenor, contribuindo para a construção da memória referencial das crianças relativamente às diferentes nacionalidades do mundo

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