João Tordo
[25-09-2008] | Luís Carmelo
1- No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?Tem sentido SOBRETUDO num mundo assim. A velocidade da fibra óptica não é a velocidade natural do homem. As palavras de um romance serão sempre as palavras mais importantes que lemos, por mais websites que se visitem - quantidade e fluxo não são sinónimos de qualidade e nunca foram. A literatura é pausada, tem respiração, pulmões e coração como o ser humano. E é preciosa, nos nossos tempos, para combater a efemeridade do digital.
2- Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou? Porquê?
Eu não sou um tipo muito "literário"...ou seja, frequento pouco o meio. Mas talvez tenha ficado particularmente contente quando, por exemplo, o José Saramago recuperou da doença que o afligia. Adoro os livros dele.
3- Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.
É um livro sobre a tentativa fracassada de resolver todos os mistérios do mundo. Parte de uma situação simples - um rapaz é contratado por um velho para ser uma espécie de "secretário" pessoal - e, no meio de descobertas terríveis e de outras mais felizes, o narrador acaba numa "corda bamba", fazendo funambulismo através de um quarto de século na tentativa de desvendar os enigmas que o atormentam. Começa em Lisboa, depois no Alentejo, depois Nova Iorque, e regressa a Lisboa.
4- Pensa que a literatura e a rede poderão vir a ter, de algum modo, um destino comum?
Acho que não têm muito a ver. A rede é funcional, a literatura a coisa mais disfuncional do mundo. Quero dizer, não serve para nada. Não me parece que exista sequer um conflito: é que são duas coisas que não gostam uma da outra. Eu passo muito tempo na rede, tenho um blogue, etc, mas quando escrevo ou leio afasto-me completamente da Internet.
5- Refira dois autores e duas obras que o tenham marcado na sua carreira.
Edgar Allan Poe - Obras Completas
Javier Cercas - O Inquilino
Ver em: João Tordo
Entrevista conduzida por Luís Carmelo, Editor












António Manuel Pacheco
Carlito Lima
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