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CrónicaCrónica
Correspondentes

«Inverness» de Ana Teresa Pereira - Relógio d’Água, 131 páginas

[03-06-2010]  |  Pedro Teixeira Neves


De há muito que assim é. A obra, prolífica e regular (também regularmente editada pela Relógio d’Água), que Ana Teresa Pereira vem a editar desde que em 1989 publicou «Matar a Imagem», encerra, uma e outra vez, a cada novo título, uma série de coordenadas ou especificidades que lhe conferem uma personalidade muito concreta, palpável e logo reconhecível. A chamada marca autoral. Muitas vezes, disso mesmo recorrendo, ao lermos os seus livros, julgamos estar a ler o já lido, o já antevisto, o já percepcionado. Como se as personagens voltassem ou não quisessem despedir-se da autora. O escritor, é sabido, nem sempre apenas escreve quando à escrita; andamos sempre a escrever, se calhar andamos sempre a escrever o mesmo livro, como se a vida que todos os dias vivêssemos. É recorrente em vários autores. A páginas tantas, na primeira pessoa das suas personagens deste novo pequeno romance «Inverness», de algum modo, Ana Teresa Pereira confirma o que acabo de escrever, desmontando para o leitor os seus mecanismos e modos de escrita. Assim:

«Clive não se desprendia dos seus afectos e das suas obsessões e havia coisas que tinham passado naturalmente do primeiro livro para o segundo. (…)

Têm qualquer coisa de policiais… os teus livros.

Ele sorriu.

Espero que sim.

Mesmo a linguagem, simples, sem uma palavra a mais. O que lhe interessava eram as histórias. A inquietante estranheza das histórias.»

Bosques, bibliotecas, homens e mulheres misteriosas, casas cheias de tempo, lugares frios, marítimos, nublados, lagos, lugares em ruína, atmosferas que enfermam aqueles que as vivem, as referências cinematográficas, os actores, os filmes, por aí vogam as obsessões identificáveis na escrita de Ana Teresa Pereira. Os seus livros têm sempre um pouco de tudo isso e daí, justamente, a «estranheza das histórias», o quanto baste de policiais que confere aos seus enredos. De resto, está tudo aqui, neste «Inverness», belíssimo nome de cidade escocesa vertido a título de livro.

Espaços e tempos tendem, pois, nos livros de Ana Teresa Pereira a condensar-se num universo sem nome e intemporal, como se a neblina que tolda as vidas das suas personagens confundisse igualmente o leitor, como se delas passasse para aqueles que lêem, numa espécie de convite a partilhar os seus destinos, as suas angústias e ansiedades. A vertente atmosférica, a criação de um quase levitar narrativo (como se igualmente estivéssemos dentro de um filme, portanto de uma ficção) é um outro dado fundamental na escrita de Ana Teresa Pereira, seja, neste caso, no modo como nos impregna de uma qualquer nostalgia e lonjura assente nas paisagens do Norte que nos desenha (e que passa também pela singularidade das vidas das personagens), seja ainda no capítulo do suspense que confere ao relato, assim ao jeito de «Uma atmosfera de policial negro»).

E este livro então, quê de particular no seu dizer?

« Conta-me mais coisas do teu livro.

Há uma actriz…

E a mulher de quem ela tomou o lugar.

Às vezes penso que elas são uma só… que sempre foram uma só.»

O tema do duplo preside-lhe. Esta é a história de uma actriz que toma a pele e vida de outra mulher, uma mulher que se julga desaparecida mas que, no final, se percebe não ser assim, ficando o leitor a braços com a dúvida identitária das personagens que tem em mãos. É um tema clássico na literatura, de uma forma geral explorada por todos os grandes escritores desde a Antiguidade até aos nossos dias. E lembro, no instante da memória, os casos de «O Retrato», de Gogol, «O Visconde Partido ao Meio», de Italo Calvino, ou um mais recente «O Homem Duplicado», do “nosso” José Saramago, entre muitos outros exemplos.

Sem confabular grandes teorizações sobre o assunto, sem sequer, julgo, pretender fazê-lo, o que Ana Teresa Pereira faz é contar uma história, uma história que por mero acaso ou circunstância se radica nessa temática ou dela se alimenta. É claro que aquilo que as suas linhas romanescas enunciam nos podem levar a reflectir as questões por regra subjacentes ao tema, nomeadamente a Morte ou a essência do Eu, bem como a permanência da Vida, é certo que poderia eventualmente filosofar-se em torno do assunto quando, por interposta personagem, a escritora a si mesma se desmonta nos mecanismos de escrita (numa espécie de escrita dentro da escrita), mas não é esse o desejo adivinhado na mão da autora. De alguma forma, e consubstanciando uma vez mais aquilo que no próprio livro se lê («o que lhe interessava eram as histórias»), o que em primeiro lugar interessa a Ana Teresa Pereira são as histórias. Boas histórias. Como esta.

 






Nova IorqueParisRio de JaneiroOsnabrueck, RFALuanda
 
Traduzindo...
Coordenação: Maria do Carmo Figueira

Traduzindo

Não é apenas a tradução de um poema; é ser tocado por um texto, partir à sua descoberta, à forma como foi construído, inspirado... pintado. É uma simbiose perfeita não só entre um original e a sua tradução mas, mais fundo ainda, entre o tradutor e a alma do poeta, cujo poema é já em si a “tradução” ...  Ler Tudo >>
[29-06-2010]  |  Maria do Carmo Figueira
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THE DISQUIETING MUSES, de Sylvia Plath, tradução de Ana Maria Chaves

Partindo do quadro de Chirico com o mesmo título, depois da denúncia do papel da mulher-esposa, Sylvia Plath sufoca-nos com o seu retrato da mulher-filha, sobre a qual recai o peso insuportável de tudo o que a mãe (e a sociedade) dela espera e a que jamais ela poder&aacut...  Ler Tudo >>
[29-06-2010]  |  Ana Maria Chaves
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Literanário
Contribuições Literárias
(reservado o direito de selecção)
Maceió-Alagoas – Brasil Massachusetts, USA

                                      António Manuel Pacheco

A Alavanca

Quando, no lusco-fusco do meio da noite, em pijama e chinelas de quarto, vamos à cozinha e activamos...   Ler Tudo >>
[04-09-2010]  |  António Manuel Pacheco
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  De Maceió-Alagoas – Brasil              Carlito Lima

FLIMAR

“A 1ª Festa Literária de Marechal Deodoro – 1ª FLIMAR é um projeto ousado e revolucionário, tendo a ...   Ler Tudo >>
[04-09-2010]  |  Carlito Lima
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Menos do Muito

De repente não é mais para fora.Não é mais sucesso para exportaç&...   Ler Tudo >>
[15-04-2010]  |  Diana Menasché
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História de duas irmãs e de uma sereia que morreu afogada

À CatarinaO rio existe e talvez por isso a cidade tenha sido sempre tão doce. Não como riso contínuo...  Ler tudo >>
[07-10-2009]  |  Joana Câmara
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Jogo das Damas

Jogo das DamasHá livros não escritos.           Jarras não. Partidas.Folhas esguias. Sós mas soltas....  Ler tudo >>
[22-02-2010]  |  Maria João Brinquete
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Carnaval em Angra dos Reis

 Há cinco anos que eu fujo, literalmente, de muvuca, zoeira, badalação e f...  Ler tudo >>
[04-03-2009]  |  Valdeck A. de Jesus
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Fernando Pessoa político

                &nbs...  Ler tudo >>
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Correspondências

Aniversário

Quando o Carmelo convidou-me a participar do PNETLiteratura, especificamente no Folhetim, não sabia que me oferecia um presente de aniversário, festejado em 6 de setembro. Ao completar 61 anos de idade, completo 2 de participação contínua e prazerosa no espaço oferecido. Ter meus textos em terras de...  Ler Tudo >>
[06-09-2010]  |  Carlos Pessoa Rosa
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Notas sobre "Livro Usado", Jacinto Lucas Pires

Não tem princípio, nem fim. Como a vida. É um caderno de notas de viagem numa viagem ao Japão, cujas principais cidades visitadas são Tóquio, Matsuxima, Matsué, Hiroxima, Cagoxima, Nagasáqui, Tocoxima, Himeji, Osaka, Quioto, Nico.               Um livro anónimo, de um narrador viajante anónimo, que ...  Ler Tudo >>
[04-09-2010]  |  Susana Leita
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As Rotas do Sonho - Tiago Salazar

O autor andarilho publicou em Junho passado sonhos em forma de caminhos percorridos. As rotas escolhidas trilham a continuidade do universo deste autor: exotismo, luxo, hedonismo. A cada vez que fecho o livro para o admirar - a sua capa é uma absoluta marca de bom gosto - esta escrita  d...  Ler Tudo >>
[26-08-2010]  |  Susana Leite
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Férias para sempre

No verão quem não deseja viajar? E se essa sensação de liberdade e de encontro com o novo nunca desaparecesse? É disso que trata este livrinho pequenino em que o conceito de férias se vê imortalizado para sempre em forma de aventura a dois - dois bons amigos que viajam pelo mundo. Um mundo escolhido...  Ler Tudo >>
[20-08-2010]  |  Susana Leite
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Epílogo - A Flip dos Ensaístas

Um arlequim passa de bar em bar recitando poemas de memória e pondo-se à prova ao oferecer declamar versos de poetas escolhidos pela sua plateia. Entremeia a poesia de observações quase políticas sobre a situação dos artistas de rua no Brasil. Na primeira edição da Flip a homenagear um escritor de n...  Ler Tudo >>
[10-08-2010]  |  Mauro Finatti
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Capitulo 3 - Flip - quase acabando...

Com pouco mais de uma dúzia de ruas, seis ao longo da ponta que dá para o oceano e outras tantas cruzando as primeiras, o centro histórico de Paraty é uma pequena Manhattan, que no início de uma visita independente da duração parece tão control...  Ler Tudo >>
[09-08-2010]  |  Mauro Finatti
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Capitulo 2 - Flip - A elegância do robalo

Nesta minha terceira Flip, encontro um evento muito mais institucionalizado do que a versão de 2006, quando ainda era fácil conseguir ingressos para as tendas dos autores durante a própria festa, e comer em restaurantes como o Banana da Terra sem ter que fazer a reserva "de São Paulo". Des...  Ler Tudo >>
[08-08-2010]  |  Mauro Finatti
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Capitulo 1 - A Flip da Casa Grande, a Flip da Senzala

Esta é a oitava edição da festa que virou a principal atração turística de Paraty, e muita coisa mudou nesses anos. Neste encontro em que o principal homenageado é um dos autores considerados entre os maiores intérpretes do Brasil (formando jun...  Ler Tudo >>
[08-08-2010]  |  Mauro Finatti
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Manual de instruções para Portugal

Foi em cafés e restaurantes e encontros com portugueses de vária espécie que o livro se viu nascer. Um livro escrito para agradar às massas, à hipérbole de turistas alemães que desertam o país ao longo do ano inteiro – e não s&oacu...  Ler Tudo >>
[30-06-2010]  |  Susana Leite
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Porquê Portugal? Exemplos de uma existência inspiradora

Já não é uma novidade no panorama musical mundial, mas um nome destes desperta sempre curiosidade a um português, especialmente se os membros desta banda são provenientes do longínquo Alaska. Tenho andado a ouvir os Portugal.The Man desde o ano passado &ndash...  Ler Tudo >>
[18-02-2010]  |  Susana Leite, em Leipzig
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Cuentame un cuento

Havia muito de Umberto Ecco na aula aberta ao público de Antonio Muñoz Molina ontem à noite no King Juan Carlos I of Spain Center, parte do campus da New York University, o edifício de número 53 ao sul do grandioso Washington Square.  Na sala reservada ao evento, não se ouve o inglês enquanto uma se...  Ler Tudo >>
[11-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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Adeus migrante

A princípio, são as meias vermelhas que nos distraem e fazem reparar na combinação com a camisa também vermelha mas em outro tom, o terno é marron escuro, o blazer descasado.  Um homem visivelmente mais jovem do que a idade, um sotaque aplicado à pronúncia rastejante, um pessimista, medroso, por nat...  Ler Tudo >>
[09-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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LITERATURA JURÍDICA
Parceria

Espaço-parceria para Literatura Jurídica

Espaço disponível... 
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[11-06-2010]  |  Vítor Coelho da Silva
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Espaço editorial

Espaço reservado a eventual Parceria.... 
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[28-10-2008]  |  Vítor Coelho da Silva
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Literatura Popular
Literatura Infanto Juvenil

Quando as coisas mudaram de lugar...

Quadras ao gosto popular escritas por Pedro Melo, técnico de cinema, «pai de quatro filhos e poeta de improviso», a propósito da inauguração da barragem do Alqueva, cuja construção implicou o desapare... 
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[04-09-2010]  | 
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Escrita de viagem e/ou Os vigieiros do Corpo

Continuação do Circo da i margin’ar-te  por Maria LavaA Escrita de Viagem (ou os Vigieiros do Corpo) insere-se no já enunciado e anunciado Projecto do Circo da i margin... 
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[21-07-2010]  |  Editor
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Duas histórias de amor e desamor em verso

Quando, no falar comum e quotidiano, nos referimos a “literatura de cordel”, usamos a expressão num sentido depreciativo, desvalorizando uma determinada obra como sendo de inferior ... 
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[18-05-2010]  | 
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Livros divertidos

Terceiro volume das Crónicas do Vampiro Valentim. O primeiro livro desta colecção tem por título Vampiros ou Nem por Isso, mas, se o leitor começar pelo livro 3, ficará a compreender tudo na mesma. O ... 
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[08-09-2010]  |  Letra Pequena                                                  Ver Mais >>
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Se Eu Fosse...Nacionalidades

Estreia do premiado autor, Francisco José Viegas, no género infantil. Se Eu Fosse... Nacionalidades faz-nos descobrir a vida que o Lio teria se fosse japonês, brasileiro, norueguês ou italiano. Ilustrado a quatro cores, oferece às crianças, a partir dos 5 anos, a oportunidade de conhecer a realidade gastronómica, linguística e patrimonial de diferentes países. Humorada, lúdica e didáctica, é uma obra para ser lida com os pais e descobrir, em cada país, aquele pormenor, contribuindo para a construção da memória referencial das crianças relativamente às diferentes nacionalidades do mundo

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