Aliciante de Madalena Palma
[17-12-2009] | Luís Carmelo
Durante os meses em que desenvolvi o projecto de um blogue em Inglês (o “Minion” – primeiro semestre de 2005), criei uma rubrica que designei por “The blank blog is staring back at you” e que se iniciava sempre assim: “Bloggers sometimes become characters much like blogging becomes a literary mode”. A intenção era publicar extractos de posts que encarnassem uma (às vezes involuntária) dimensão ficcional. De tal modo que era como se estivessem mesmo a pedir que lhes escrevêssemos os inícios e finais dos enredos, ou tão-só que os deixássemos ao sol em estado de perpétua e apetecível media res. Existe muito desse material com qualidade a pairar no gravitas e nos (hoje já) espessos da blogosfera. Trata-se de um suplemento de riqueza literária criado nesta primeira década do século XXI, raramente, até agora, desnudado ou tão-só convertido em tema de diálogo. A minha intenção, nos próximos textos desta rubrica já ‘clássica’ do PNETliteratura, é passar a publicar alguns desses extractos de posts – independentemente da actualização ou até existência do blogue em questão –, concedendo-lhes nova ênfase e difusão. Para começar, cito hoje, sem mais comentários, um poema de Madalena Palma que culmina um post cheio de fotos tentadoras e doces (blogue Aliciante - http://www.aliciante.eu/aliciante/?redirect=weblog_com):“Que mar é este onde navego e te amo
Que, sem foz, me cobre os olhos e os recantos da alma?
Não tem nuvens, nem sombras nem areia grossa
Mas apenas ondas imensas e vontades intensas
De verde me visto, vagueio e suspiro
E por entre o meu corpo e o teu em plena apneia
Me mantenho suspensa nos fios das estrelas
Que de prata pintam a magia do mar.
Aqui, nas ondas deste canal repleto de sal
Tudo se renova e rejuvenesce em cada beijo
Todas as palavras são ternas e quentes
Todos os fluídos nos saciam a sede
Até que o mar acalma, adormece e repousa
Despertando apenas quando os primeiros raios de sol
Brotam e revoltam o desejo insaciável
De nos encontrarmos na profundidade deste amar”
LC
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