A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa.
Luís Carmelo, Coordenador
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CrónicaCrónica
Correspondentes

Livro de Eros - 7

[02-11-2009]  |  Casimiro de Brito


Créd.: http://1.bp.blogspot.com/
O PNETliteratura continua a publicar o Livro de Eros de Casimiro de Brito. Após os primeiros 64 fragamentos da obra, publicam-se hoje – como acontecerá nas próximas semanas - seis fragmentos (do 65 ao 72). Sublinhe-se o facto de Casimiro de Brito publicar, desde 1958, uma obra de características polifónicas, “polifonia dramática” como ele escreveu num dos seus livros, e que se tem aprofundado com o seu interesse incessante pela viagem e pela viagem às várias tradições literárias.



65

Eu agora só peço que me deixem viver a minha angústia o mais amorosamente possível, mas como é que isso se faz? Deixar-me ficar abandonado, aqui na casa branca, sem fazer mal a ninguém? Concentrar-me neste canto onde se cruzam e contagiam a cintilação e o trabalho obsessivo? Amar sem ser amado e, ao mesmo tempo, não saber amar quem me ama?  Guardar o silêncio que possa travar uma fonte que não cessa de brotar? Como se faz? Não dizer porque o dito afasta o ouvido, não fazer porque a obra invade o chão, não usar o corpo porque o mínimo movimento ofusca a quietude de quem busca um segredo ­— como se faz?

 

66

A separação é um deserto quando um só grão de areia já seria distância  bastante.

 

67

As raparigas passam por mim e são bonitas como se as mulheres passassem a ser belas até muito mais tarde. Gosto delas. Olhando melhor o que eu desejo são as mulheres que amei sem as ter amado completamente — amores que foram poemas imperfeitos e inacabados e por isso em poesia se escrevem outros poemas, que possuo por dentro, sílabas, sons, sentidos. Coisa que não posso fazer com as mulheres que amei e me amaram e depois o poema arruinou-se antes de o termos acabado. Figuras que para mim continuam em movimento, mas que movimento têm para elas, as mulheres que amei, as figuras que fomos tão aéreas no chão em que nos deitámos? Ah como os amantes trabalham diferentemente a plasticina do amor, uns com os dedos na ferida, que para o outro já é cicatriz.

 

68

Em cada momento o massacre. O massacre e a fragilidade.

Em cada pegada do coração.

Bom é não saber nada e continuar a caminhar no céu plano

e descer lentamente as escarpas da falésia.

 

69

Água/mulher, mulheres no banho ou afogadas, ou afogando-me nelas: nas termas lupanari de Pompeia e n’As Mil e uma noites, as mulheres de Bonnard e as que foram pintadas por Alma-Tadema, as líquidas mulheres expostas nos museus e as que por eles deambulam, e também por museus imaginários, a Ondina de Ingeborg Bachmann e a Ophelia, entre rios que fluem e se afundam, no vestido as primícias do barro, o regresso felicíssimo à mãe das mães, a morte de Beatriz em Dante mas também em Dante Gabriel Rossetti, as mulheres pintadas pelos japoneses (as salas de banho com mulher ao fundo e elas depois em primeiro plano), o meu banho com Izumi em Tóquio e com Núria em Madrid, Ariadne quando me senti Dyonisos, as bailarinas de Degas ainda no banho, avós das primeiras meninas de Cutileiro, o que se diz no Livro de Samuel, 11-2 e também Ingres, e também Susana e os Velhos, a Faa Iheihe, de Gauguin, “to beautify” as belíssimas Evas adâmicas, as neblinas de Turner e Seurat onde a grande memória mergulha, feminina. Eh Myah, vens para o banho? Menstruada vem.

70

Múltiplas paixões efémeras e sem ambição. Um campo de muita pedra onde rebentam flores desamparadas. Os amantes sacrificados. A via crucial de um corpo que vai da pobreza à mais cruel beleza.



Nova IorqueParisRio de JaneiroOsnabrueck, RFALuanda
 
Traduzindo...
Coordenação: Maria do Carmo Figueira

Traduzindo

Não é apenas a tradução de um poema; é ser tocado por um texto, partir à sua descoberta, à forma como foi construído, inspirado... pintado. É uma simbiose perfeita não só entre um original e a sua tradução mas, mais fundo ainda, entre o tradutor e a alma do poeta, cujo poema é já em si a “tradução” ...  Ler Tudo >>
[29-06-2010]  |  Maria do Carmo Figueira
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THE DISQUIETING MUSES, de Sylvia Plath, tradução de Ana Maria Chaves

Partindo do quadro de Chirico com o mesmo título, depois da denúncia do papel da mulher-esposa, Sylvia Plath sufoca-nos com o seu retrato da mulher-filha, sobre a qual recai o peso insuportável de tudo o que a mãe (e a sociedade) dela espera e a que jamais ela poder&aacut...  Ler Tudo >>
[29-06-2010]  |  Ana Maria Chaves
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Literanário
Contribuições Literárias
(reservado o direito de selecção)
Maceió-Alagoas – Brasil Massachusetts, USA

                                      António Manuel Pacheco

Da Caverna

Seguia eu pela avenida central de Penafiel e abeirava-me da passadeira mesmo em frente ao café mais ...   Ler Tudo >>
[06-07-2010]  |  António Manuel Pacheco
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  De Maceió-Alagoas – Brasil              Carlito Lima

Ordener Cerqueira

              Ordener foi meu ídolo na infância e juventude. Eu me divertia, dava gargalhada ouvindo...   Ler Tudo >>
[21-07-2010]  |  Carlito Lima
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Menos do Muito

De repente não é mais para fora.Não é mais sucesso para exportaç&...   Ler Tudo >>
[15-04-2010]  |  Diana Menasché
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História de duas irmãs e de uma sereia que morreu afogada

À CatarinaO rio existe e talvez por isso a cidade tenha sido sempre tão doce. Não como riso contínuo...  Ler tudo >>
[07-10-2009]  |  Joana Câmara
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Jogo das Damas

Jogo das DamasHá livros não escritos.           Jarras não. Partidas.Folhas esguias. Sós mas soltas....  Ler tudo >>
[22-02-2010]  |  Maria João Brinquete
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Carnaval em Angra dos Reis

 Há cinco anos que eu fujo, literalmente, de muvuca, zoeira, badalação e f...  Ler tudo >>
[04-03-2009]  |  Valdeck A. de Jesus
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O senhor embaixador

I            O embaixador Dário Moreira de Castro Alves (1927-2010) esteve nove anos a braços com um...  Ler tudo >>
[28-06-2010]  |  Adelto Gonçalves
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Correspondências

Manual de instruções para Portugal

Foi em cafés e restaurantes e encontros com portugueses de vária espécie que o livro se viu nascer. Um livro escrito para agradar às massas, à hipérbole de turistas alemães que desertam o país ao longo do ano inteiro – e não s&oacu...  Ler Tudo >>
[30-06-2010]  |  Susana Leite
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Porquê Portugal? Exemplos de uma existência inspiradora

Já não é uma novidade no panorama musical mundial, mas um nome destes desperta sempre curiosidade a um português, especialmente se os membros desta banda são provenientes do longínquo Alaska. Tenho andado a ouvir os Portugal.The Man desde o ano passado &ndash...  Ler Tudo >>
[18-02-2010]  |  Susana Leite, em Leipzig
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Cuentame un cuento

Havia muito de Umberto Ecco na aula aberta ao público de Antonio Muñoz Molina ontem à noite no King Juan Carlos I of Spain Center, parte do campus da New York University, o edifício de número 53 ao sul do grandioso Washington Square.  Na sala reservada ao evento, não se ouve o inglês enquanto uma se...  Ler Tudo >>
[11-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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Adeus migrante

A princípio, são as meias vermelhas que nos distraem e fazem reparar na combinação com a camisa também vermelha mas em outro tom, o terno é marron escuro, o blazer descasado.  Um homem visivelmente mais jovem do que a idade, um sotaque aplicado à pronúncia rastejante, um pessimista, medroso, por nat...  Ler Tudo >>
[09-02-2010]  |  Kátia Gerlach
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“Ora ouve…”

Entre Osnabrűck e Porto, que paralelo biográfico melhor para se ler Ilse Losa na direcção contrária àquela que ela geograficamente deu à sua vida. Uma vida que na tragédia da História da Alemanha encontrou porto de abrigo no Porto de onde eu provenho e que nessas trocas interculturais perdeu ou...  Ler Tudo >>
[12-01-2010]  |  Susana Leite
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Brooklynites

Artistas plásticos, músicos, poetas e escritores encontram no Brooklyn refúgio e cenário e dali partem para expedições ultramarinas na Califórnia, na Índia, na França, na América Latina, na África, a book tour perhaps.  Discussões literárias, conversas boêmias, propostas, idéias para livros em ebuli...  Ler Tudo >>
[18-12-2009]  |  Kátia Gerlach
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Sobreposições

Tal como a memória ou um texto, a cidade tem múltiplas sobreposições. Camada sobre camada que foi sendo sobreposta pelo tempo, os projectos dos homens e o acaso, e que é possível ler num determinado momento. Por exemplo, Leipzig em Novembro de 2009. Vinte anos depois da “revolução pacífica”, os acon...  Ler Tudo >>
[04-12-2009]  |  Ana Delgado
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O original de Laura, dying is fun

Não há de se esperar em Laura, uma novela e sim fragmentos. Nas lacunas, o legado de Nabokov aos leitores. Cento e trinta e oito  cartões escrevinhados, a obra inacabada de um homem em estado terminal. Vladimir pedira à Vera que os destruísse, assim ...  Ler Tudo >>
[25-11-2009]  |  Kátia Gerlach
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Cervantes e Pamuk, por Kátia Gerlach

Tempo e palavras culminam na necessidade instantânea de evitar o ócio dos segundos.  Outono e inverno fazem-se incertos.  Eventos literários e musicais dão vida aos centros culturais excessivamente calefados e neste calor artificial, um público trajando variadas vestimentas e opiniões, dos mais velh...  Ler Tudo >>
[20-11-2009]  |  Kátia Gerlach
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As frases talismáticas de A.S.Byatt

Em seu último livro The Children’s Book, Antonia confessa através da protagonista que todo o escritor deve ter a sua frase talismática.  Há palavras que funcionam como chave do horizonte, têm o poder de ligar a máquina da criação.  No ano passado, Amy Bloom confidenciou ao público que no seu escritó...  Ler Tudo >>
[07-11-2009]  |  Kátia Gerlach
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O melhor ar da cidade

“I blow through here… and the music goes round and round… and it comes down here” (Louis Armstrong, The Five Pennies)   Não é nos parques, jardins botânicos ou bosques  que se respira o melhor ar de uma cidade, mas sim... numa sala de concertos.  Talvez nem pensemos nisto, quando assistimos a um con...  Ler Tudo >>
[05-11-2009]  |  Ana Maria Delgado
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Chinua Achebe

Da poltrona com ampla vista para o palco, quis capturá-lo.  Não como o mestre da escrita da África colonizada pelos ingleses, o escritor premiado.  Quis tê-lo, sim, como personagem.  Quantas histórias não renderiam este homem vivido que carrega a Nigéria no coração, abriga as tristezas do fracasso d...  Ler Tudo >>
[23-10-2009]  |  Kátia Gerlach
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LITERATURA JURÍDICA
Parceria

Espaço-parceria para Literatura Jurídica

Espaço disponível... 
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[11-06-2010]  |  Vítor Coelho da Silva
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Espaço editorial

Espaço reservado a eventual Parceria.... 
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[28-10-2008]  |  Vítor Coelho da Silva
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Literatura Popular
Literatura Infanto Juvenil

Escrita de viagem e/ou Os vigieiros do Corpo

Continuação do Circo da i margin’ar-te  por Maria LavaA Escrita de Viagem (ou os Vigieiros do Corpo) insere-se no já enunciado e anunciado Projecto do Circo da i margin... 
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[21-07-2010]  |  Editor
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Duas histórias de amor e desamor em verso

Quando, no falar comum e quotidiano, nos referimos a “literatura de cordel”, usamos a expressão num sentido depreciativo, desvalorizando uma determinada obra como sendo de inferior ... 
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[18-05-2010]  | 
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Os LÁ-VAI por Maria Lava

um Projecto do Circo da i margin’ar-te, uma (des)pretensão de trimaginar a arte; do deslado marginal d’ella.I   ida prima estaçãoII  ida decoração da primaIII   ida prima estaçãoIV  ida frolV  idos fr... 
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[29-03-2010]  | 
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Uma árvore, um filho, um livro...

... ou dois. (Letra pequena aconselha a que seja por esta ordem, mas nada tem contra quem escolher outra.)Um projecto (interessante e oportuno) da Bookstorm, Booktailors e Finepaper (mesmo para quem ... 
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[28-07-2010]  |  Letra Pequena                                                  Ver Mais >>
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Se Eu Fosse...Nacionalidades

Estreia do premiado autor, Francisco José Viegas, no género infantil. Se Eu Fosse... Nacionalidades faz-nos descobrir a vida que o Lio teria se fosse japonês, brasileiro, norueguês ou italiano. Ilustrado a quatro cores, oferece às crianças, a partir dos 5 anos, a oportunidade de conhecer a realidade gastronómica, linguística e patrimonial de diferentes países. Humorada, lúdica e didáctica, é uma obra para ser lida com os pais e descobrir, em cada país, aquele pormenor, contribuindo para a construção da memória referencial das crianças relativamente às diferentes nacionalidades do mundo

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