As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste.
João Cabral de Melo Neto
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CorrespondênciasCorrespondências
Literatura num Minuto

Uma viagem à índia - 13

[05-08-2011] | Susana Leite
O tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os sentimentos momentaneamente incontroláveis vivem acesos no íntimo do humano Bloom, mas podem ser aplacadas. Bloom espera conseguir manter-se sempre em controlo delas. Mas reproduzem-se até à exaustão do auto-controlo, o limite, que é o regresso. Esse percurso é acompanhado da moral, ou da procura dela: e a procura de uma ética é um itinerário que pode paradoxalmente, matar. Não é, por isso, paradoxal que as regras de substituição da ética individual, como a moral religiosa, matem uma vida de experiências limites. Isso já é sabido, pois a sociedade também as criou como mecanismo de auto-regulação. Mas é paradoxal que depois de se terem construído, descoberto, analisado, melhorado as relig...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 12

[26-07-2011] | Susana Leite
"[...]a verdade é o dinheiro." CantoX, 16   "Ea estranheza é esta: mais contida fica a prostituta à medida que o vinhoavança." CantoX, 22   "Opior sítio para estar vivo é entre aquilo que um dia nos exige e aquilo que oeterno promete. No meio, eis o sítio pior." CantoX, 104   "Oque se faz quando nada se sente é brutal e as circunstâncias arrancam-nos dosbons conselhos." CantoX, 134...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 11

[19-07-2011] | Susana Leite
"Entre  dois cães raivosos em batalha, não há espaço para a pausa."Canto IX, 3 "[...] o melhor lado não é perfeito, porque é lado - e um lado tem sempre o lado oposto."Canto IX, 33 "O inesperado insinua-se no que parece definitivo e ninguém se conhece antes de morrer. Ámen."Canto IX, 89...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 10

[12-07-2011] | Susana Leite
"O que é o passado? Tempo que cada vez ocupa menos espaço [...] O presente - agora neste momento - ocupa todo o espaço que nos rodeia." Canto VIII, 2 "Núpcias da História com a Imaginação provocaram mais filhos e cópulas divertidas do que núpcias da Verdade com a boa memória[...]; mas mente-se tanto a contar a história de um país como a história de um amor que terminou mal."Canto VIII, 3 "Quem for lúcido, de noite, alimenta-se do fogo."Canto VIII, 14 "A maldade vem de cima e de baixo e ainda de todos os lados. Só o morto está protegido da tentação."Canto VIII, 50 "Palavras de amigo são sempre mansas e parecem versos."Canto VIII, 52 "Porém, os amigos são animais como os outros. Muito mais inofensivos são os inimigos [...]Canto VIII, 53 "E os amigos dão conselhos, o que é perigosíssimo.Inimigos acumulam ameaças, mas estas suportam-se bem. A infelicidade ameaçada, é afinal, um bom aviso. As ameaças dos inimigos são pois os verdad...  Ler Tudo >>

Andrei Rodosski – Entre escombros e flores, não deixar que a chama se extinga

[10-07-2011] | A. L. Simões Gamboa
Neste ano, em que se assinalam 95 anos sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro (26 de Abril de 1916), foram editados, em São Petersburgo, no volume XXVI da revista literária “Sfinx” (“Esfinge”), 10 poemas do escritor, traduzidos em russo (“Álcool”, “A queda”, “Nossa Senhora de Paris”, “Salomé”, “Certa voz na noite, ruivamente...”, “16”, “Sugestão”, “Taciturno”, “O resgate” e “Campainhada”. As traduções são de Andrei Rodosski, poeta, filólogo e tradutor, professor do Departamento de Filologia Românica e do Departamento de História da Cultura Russa e da Cultura Europeia Ocidental da Universidade Estatal de São Petersburgo. Não é a primeira vez que Mário de Sá-Carneiro é traduzido em Russo (as primeiras traduções apareceram em 1974, na antologia “Poesia Portuguesa do Século XX”, organizada e prefaciada por Helena Golubeva), nem a primeira vez que o professor traduz o genial poeta português. Mas é, em grande parte, devido ao trabalho, empenho e talento de Andrei Rodosski, que a chama da lite...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 9

[05-07-2011] | Susana Leite
"A idade certa para conquistar o mundo é hoje. O homem levanta as interdições, avança, e quando se prepara para saltar: cai."Canto VII, 2 "Cair como a folha da árvore, tranquila e lenta, e subir como certos animais - a águia ou o avião guerreiro. A mobilidade inspira.[...]Canto VII, 3     "Coragem é arriscar em pleno inferno, fazer algo (cujos efeitos se desconhecem) no momento em que o pânico existe."Canto VII, 7 "Os sentimentos dão coesão à teoria, a teoria aos sentimentos."VII, 10 "O belo é incompreensível."VII, 10 "Tudo o que é decisivo não é acessível ao primeiro olhar. O decisivo num segundo tempo foi o incompreensível num primeiro tempo. E a beleza, essa, é uma evidência; logo, no início."VII, 10  "E a função mais alta dos homens é embelezar. O mundo, a mulher, a casa, a mesa de jantar: tornar mais belo é o objecto que o universo privilegia. Quem tornou mais bela pelo menos uma coisa no mundo, não irá para o inferno.&qu...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 8

[30-06-2011] | Susana Leite
"Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São os homens e as mercadorias que conservam a estrada."Canto V, 10 "No campo de batalha - qualquer livro de estratégia o diz - ou se avança ou se foge muito rápido, hesitações demoradas transformam-se habitualmente na última ação de um soldado."Canto V, 46 "Mulheres insultadas são capazes de causar fendas num país, eis o facto.Mulheres com raiva levantam-se mais cedo que os galos e outros pássaros e preparam a vingança introduzindo-a na gastronomia do meio-dia dos seus inimigos. As mulheres conhecem bem o que é essencial no humano: comer, dormir, ver: e é aí que atuam. Envenenam a comida e os sonhos, e por vezes, terceira alternativa, cegam os homens através da sedução ou ut...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 7

[24-06-2011] | Susana Leita
"[...] quem relembra inventa: tudo começa de novo."Canto III, 5 "A intensidade com que se é esmagado não importa, de facto, o que importa é a intensidade que nos resta depois de sermos esmagados."Canto III, 75 "Se o progresso dependesse dos domingos, ainda andávamos de carroça e falávamos latim."Canto III, 80     "Só não foge das grandes tragédias, aquele que antes de fugir lhe foge a vida."Canto III, 82...  Ler Tudo >>

Quase um Fado - In memoriam de Maria Ondina Braga

[22-06-2011] | Ernane Catroli - (Participação Extraordinária)
Poderia reunir lembranças, rever paisagens, acalentar devaneios. Mas esta fraqueza, este desânimo?(M.O.Braga, in: Estátua de Sal).                                         Aqui, o céu negro e fixo. Março pelo meio. O vento frio lá dos lados do rio: um intróito. Assim, evitando detalhes. Que se fosse contar, só olhos vermelhos e choro desamparado. Que também, nem era hora de morrer! Onde um deserto? E revejo o antigo casarão de frente para a avenida ladeada das centenárias tílias. Os escaninhos da memória devolvendo-me inteira, nítida, a casa paterna que deixara ainda jovem e a cidade natal que a marcara para sempre. Braga. Não esquecer: também e sempre, o seu desejo de outras terra...  Ler Tudo >>

Uma viagem à índia - 6

[17-06-2011] | Susana Leite
"Um homem pode demorar mais tempo a percorrer a minúscula casa da mulher que deseja do que a atravessar o mundo, de uma ponta à outra, de mochila às costas."Canto II, 5 "A verdadeira democracia é um compartimento que está ocupado e o homem terá que esperar."    Canto II, 17 "Há seres vivos que começam a viajar para caçar acontecimentos para a sua vida, como se as excitações fossem borboletas de tamanho grande.[...]Canto II, 113...  Ler Tudo >>

Uma viagem à Índia - 5

[10-06-2011] | Susana Leite
Uma vista de olhos sobre a ética de  Bloom  "A amizade e a paz são momentos intermédios que no fundo aguardam a paz."Canto I, 48 "As vidas dos outros não nos comovem[pensa Bloom]. A tua vida é apenas uma equação que não consigo resolver porque não te amo. E também o oposto: não consigo resolver a tua equação porque não te odeio."Canto I, 54 "[...]o bom descanso pertence a um estado volátil, mas a qualidade do sono é que decidirá."Canto I, 55 "Conhecem-se homens pelo que lêem, mas não só. Como matam - que armas usam - e como se apaixonam - que palavras utilizam nas declarações de amor. Ah, e ainda um pormenor: de quem tens medo? E que nome dás à coisa grande que do céu nunca chega a vir porque prefere manter-se assim, possibilidade? Se decifrares o último barulho que um moribundo faz, descobrirás a sua religião, eis uma certeza."Canto I, 63 "Não deixes que a tua cadeira confortável prejudique a tua curiosidade."Canto, 70  "[...]o qu...  Ler Tudo >>

MASOQUISMO SOCIAL

[03-06-2011] | Marco Ferrari
Quando Dominique Strauss Kahn através de um acidente de percurso inimaginável chegou às principais manchetes da informação da terra, a imensa maioria dos nossos patrícios não entendeu como nem por quê.Como nem por que um dos homens mais poderosos do planeta, banqueiro, de ascendência nobre e principal candidato à presidência da França, fora retirado da primeira classe do vôo da Air France que ia para Paris minutos antes da sua decolagem, algemado. A incredulidade baseava-se fundamentalmente em que, a polícia de Nova Iorque, atendendo à denúncia de uma camareira de hotel, negra, guineense, que havia sido vítima de uma tentativa de estupro, ouvindo-a e sopesando as evidências advertidas, agiu sem a menor delonga como manda à lei, lei feita para ser cumprida por todos os cidadãos de um país verdadeiramente democrático.Acontece que em pa&iacut...  Ler Tudo >>

Uma viagem à Índia - parte 4 - Amor de Bloom

[31-05-2011] | Susana Leite
O amor de Bloom é recontado na história como tendo sido um amor passional, tão passional que o  pai de Bloom assassina a sua amada e Bloom assassina o seu pai. O amor de Bloom aparece no enredo em narrativa retrospetiva. A memória que vive tão presente em Bloom é uma catapulta para a história daquilo que o herói deixou para trás, mas para onde deseja paradoxalmente voltar. A viagem à Índia constitui a ligação entre um ato e outro, viajando Bloom pela negação de si próprio, pelo medo, pela angústia, pela traição, pelo estranhamento de si. O assassinato do pai é o mote para o crescimento interior do protagonista, que de outra forma, se veria destinado a uma vida feliz e burguesa, estilo de vida criticado pelo narrador ". E tal não é humano. O amor de Bloom é um dos pilares deste romance epopeico e tematiza, por um lado, a mensagem de que o amor vence e é o mais forte da vida - na Carta de S. Paulo aos Coríntios: "restam a fé, a esperança e o amor. Mas o amor é o maior dos três&...  Ler Tudo >>

Uma viagem à Índia - 3

[24-05-2011] | Susana Leite
As representações como ponte para a memória individual e coletiva                 Seguindo Theroux, o que distingue um romancista de um escritor de viagens é que "um romancista é treinado para lembrar, para acordar a memória, e, memória é, nessa perspetiva, imaginação. Um romancista sabe escrever um diálogo, descrever uma paisagem, a fisionomia de alguém. O que distingue um novelista de um escritor de viagens é a memória, fazer o leitor ver, ouvir, cheirar, no seguimento de Joseph Conrad, que nos seus livros sobre o Congo queria que as pessoas vissem, e essa autodefinia o autor como a sua missão."  Representações do mundo                 Apesar de "[...]os homens se corresponde[re]m, entre o Ocidente e o Oriente, com cartas ininterruptas; falam a mesma língua antiga, a de qualquer predador." (Canto X, 50), e ainda, " Do início da Europa ao fim do mundo o mundo é igual: ambíguo como tudo o que noja e atrai." (Canto ). Esta posição básica do homem é a única ...  Ler Tudo >>

Uma viagem à Índia - 2 ... Quem é Bloom?

[17-05-2011] | Susana Leite
Bloom não é um herói divino, nem anti-herói, é um herói humano como tantos outros e luta com a sua própria ética. Luta freudianamente contra o pai, mata-o porque o odiou, pelo menos, e num impulso o suficientemente, mas o pai freudiano que se estende ao estado nacional e aos valores éticos que regem uma vida imperam sobre Bloom, e este regressa a Lisboa porque emocionalmente decide voltar.                 Ele não é um simples herói, tem características de anti-herói, de super-herói, mas não é nenhum dos dois. Talvez possa usar a descrição de um hiper-herói para o Bloom, considerando que hiper-herói me aponta para uma personagem que é etérea em relação aos restantes personagens da narrativa e situa-se algo acima do normal; Bloom poderá também ser hiper porque as características dele apontam, como um hiper-link, para um conjunto de critérios e ideias que definem os heróis - comuns, modernos e cosmopolitas.                Bloom traz um tesouro em si: "E há outros, como Bloom, que, ai...  Ler Tudo >>

Uma viagem à Índia - 1

[10-05-2011] | Susana Leite
Uma crítica a "Uma viagem à Índia" revestir-se-á irrevogavelmente de incompleta e tudo o que se atentar aludir ou comparar causará sempre insatisfação pelo teor incomparável da obra de Gonçalo M. Tavares, uma figura de envergadura literária, a quem muitos já anunciam o Prémio Nobel.          A epopeia de Bloom propõe-se a dizer quase tudo sobre quase tudo o que é vital na vida: amor, poder, cultura e desenvolvimento (quer o individual, quer o mundial), política, economia e o ser português, naquilo que ser português traduz de estrangeiro, nesse limiar fascinante entre o que ser português é, e quer ser e, simultaneamente, sempre foi ou já se esqueceu de ser.          Pecando por tentar coser aqui botões que nunca casarão com as casas, ao rever um programa de José Rodrigues dos Santos, "Conversas de Escritores" na RTP1 com Paul Theroux responde à fatídica questão: O que é um bom livro para si?, da maneira que eu me senti ao ler "Uma viagem à Índia".  Um bom l...  Ler Tudo >>

Miguel Alexandre, o cineasta alemão - Anos do Destino (Schicksalsjahre, ZDF (2011))

[15-04-2011] | Susana Leite
"Anos do Destino" é um filme tocante que mostra na figura de uma mulher comum, os movimentos do pensamento alemão, dos anos 30 aos anos 50, no respeitante à conivência com o extermínio dos judeus, aos desertores, aos expulsos das zonas ocupadas pelos alemães para uma Alemanha que esses retornados desconheciam.             O realizador é Miguel Alexandre, um português que tem um currículo de reconhecimento na cena cinematográfica alemã, e que já recebeu um prémio do Adolf-Grimme Preis, em 2005, e desde 1995 até 2011 já tem 15 filmes e séries de televisão rodados. O português estudou Cinema em Munique e tem trabalhado para a ARD e a ZDF.            "Anos do Destino" de Miguel Alexandre demonstra um conhecimento erudito, simpático e de enorme compreensão pela cultura alemã, onde, já desde a sua tenra juventude, o realizador de origem portuguesa tem praticamente vivido. Com os seus pais mudou-se, portanto, para Lübeck, a cidade de Thomas Mann, um dos Prémios Nobel da Li...  Ler Tudo >>

Livro aborda problema da moradia em São Paulo no final do séc 19

[14-01-2011] | José Renato Prado
A falta de moradias no centro de São Paulo preocupa desde o fim do século 19, com problemas de segurança e saúde pública. Estas questões são discutidas a partir de um relatório de médicos e engenheiros, datado de 1893, que está sendo editado pela primeira vez em fac-símile, acompanhado de três estudos críticos, escritos por renomados pesquisadores.Com 224 páginas, o livro Os Cortiços de Santa Ifigênia: sanitarismo e urbanização (1893), organizado pela diretora do Centro de Acervo Permanente do Arquivo Público do Estado, Simone Lucena Cordeiro, e co-editado pelo Arquivo Público e a Imprensa Oficial, é apresentado como um “esforço de divulgação de documentos relevantes para a História de São Paulo.” “Trata-se de um documento fundamental para pensarmos algumas das diretrizes pol&iacut...  Ler Tudo >>

Viagem de Regresso

[27-12-2010] | Susana Leite
A excursão do Centro Nacional de Cultura em 2008 resultou numa Viagem de Regresso. O título deste volume de caráter sobretudo informativo espicaça especialmente a curiosidade, quando se lê o subtítulo, Na Rota dos Portugueses em Cracóvia, Moscovo, Sampetersburgo e Novgorod. Como poderiam os portugueses regressar a qualquer destes sítios, que no discurso coletivo, ainda permanecem um tanto desconhecidos, atribuindo-se-lhes até um certo exotismo. (Quem não se pergunta onde é Novgorod?) Paula Moura Pinheiro e Guilherme de Oliveira Martins não só argumentam, como provam de que a história portuguesa e as histórias polacas e russas se compõem de encontros dignos de nota, não sendo, como se sabe, profícuos.Um pequeno inventário é digno de nota:- Portugueses nesta rota:Damião de Góis (Cracóvia, 1529)Graça Morais (painéis da estação de metro de Moscovo Bielorusskaya)António Quadros (Uma visita à Rússia, 1969)  Manuel Marcelo Curto (embaixador à data)Jaime Batalha Reis (amigo de Antero de Quenta...  Ler Tudo >>

GOTAS DE AGOSTO

[14-12-2010] | Vanessa de Oliveira Godinho
Na luz de Agosto deveriam ser assombrosos os sorrisos. Mas nesta rua deserta de um quarto para as três, o sol aquece feio, as pessoas fogem para dentro dos seus mundos de ar condicionado, e eu enfim, feita uma parva, ensopo a t-shirt de suor à mesa de um café deserto e sinto luas no pensamento.Acredito que me faz bem acordar tarde porque sou artista, e os artistas não têm horas nem para dar de comer aos pombos. Todos os dias a essa hora, saio do calor dos lençóis para os braços da rua, e dali para dentro das minhas luas. Comovo-me até as lágrimas porque um rapaz bêbado sujo de tinta entra no café e grita-me que sou linda. Ainda duvido da veracidade dos seus olhos de bagaço, mas o facto de me ter visto ali, mesmo que eu tenha sido a única coisa que ele poderia ter visto para além dos bancos vazios, comove-me. Lembro-me de John, da sua barbicha loira, da forma como me diz que sou brilhante sem nunca me dizer que sou linda.É verão, talvez a umas sete ruas abaixo o cenário da paisagem seja...  Ler Tudo >>

Araquém Alcântara lança 2 livros

[22-11-2010] | José Renato Prado
Chegam às livrarias em dezembro duas novas obras do precursor da fotografia de natureza no Brasil: o inédito Araquém Alcântara: Fotografias e a reedição ampliada de TerraBrasil, considerado o maior best-seller brasileiro do gênero: 82 mil exemplares em suas 11 edições anteriores.  A noite de autógrafos das duas publicações ocorre em 8 de dezembro, em São Paulo, a partir das 19 horas na Livraria da Vila dos Jardins (Alameda Lorena, 1.731 – Tel.: (11) 3062-1063), com preços especiais para os dois livros. Segundo a assessoria de imprensa do profissional, trata-se de uma obra diferenciada, à medida que reflete a maturidade de um fotógrafo que já publicou 41 livros temáticos, ganhou mais de 50 prêmios nacionais e internacionais e agora apresenta um trabalho com forte teor poético e totalmente livre de temas. A curadoria das imagens é do fotojornalista e crítico Eder Chiodetto, para quem o andarilho Araquém, após 40 anos como viajante pelo país, agora se liberta, apresentando um trabalho aut...  Ler Tudo >>

Material Impresso

[10-11-2010] | Katia Bandeira de Mello- Gerlach
Verdade dita: o bater contínuo em uma mesma tecla pode se tornar fastidioso e assim classifico este debate nos últimos anos sobre o desaparecimento dos livros, o coup d état pela mídia eletrônica, o terremoto sentido pelas editoras porque, numa hora ou outra, a casa cai e sobrarão os escombros.  É logo na entrada da PS1 MoMA que uma imagem apocalíptica envolve os visitantes.  Um gigantesco jardim ressecado, com pequenos resquícios de uma era verde, acoberta-se sob uma camada de poeira nuclear e não se resiste à lembrança do que restaria da cidade num repetido ataque pelo eixo do mal. Pois bem, a NY Art Book Fair, aliada a Printed Matter Inc. traz ao público projetos inovativos nos quais a arte plástica, a música e a palavra escrita convergem para momentos de criação.  Pela quinta vez, a feira, localizada na PS1 MoMA, direciona um público alternativo para a outra margem do East River e expõe nas diversas salas de aula duzentos e oitenta gráficas, livreiros, antiquários, colecionadores, ...  Ler Tudo >>

Invisíveis

[09-11-2010] | Katia Gerlach
Enquanto crescia, a minha bisavó morrera há um tempo tão pouco que o seu nome circulava em vida pela casa.   O temperamento, as manias e os hábitos superaram o derrame de terra no cemitério encrustado em meio à cidade e mantinham-na estampada nas paredes, ao pé do fogão de seis bocas ou apoiada no umbral da porta de entrada explicando por que necessitava voltar para a casa na vila.   O sotaque lusitano perpetuava-se no preparo do cozido de carnes e legumes, um evento anual da família, liderada então pela avó que em todos os cantos adornava o apartamento com galinhos portugueses em objetos, tapeçarias, bordados na toalha de mesa e guardanapos ou sinos de tocar.  Compondo um passado por vezes disforme, estas lembranças são mais do que apenas lembranças, servem de alicerces para a alma aludida na doutrina socrática, a alma de memórias.  Densa e transparente como uma lágrima. Recentemente se organizou no centro cultural King Juan Carlos uma conferência à respeito de literatura portuguesa, ...  Ler Tudo >>

Llosa a toda a prova

[08-11-2010] | Editor
Vargas Llosa continua, como se nada se tivesse passado, a desafiar e a cativar os seus alunos de Princeton.  O antes (muito) anunciado ano lectivo foi interrompido com um outro anúncio, o do Nobel, aliás há já muito tempo escrito nas estrelas. Mas o seminário sobre Borges mantém, em Princeton, um teor estóico e nada parece realmente demovê-lo. (Ler mais aqui)...  Ler Tudo >>

Bunin, o aristocrata ou a grata, dolorosa e bela memória do amor e de tudo o que em nós é impossível de consolar

[25-10-2010] | Ana Gamboa
A 22 de Outubro (10 de Outubro segundo o antigo calendário Juliano), completaram-se 140 anos sobre o nascimento de Ivan Alekseievitch Bunin, um dos maiores e o “último dos clássicos” da literatura russa, e o primeiro escritor Russo a receber o prémio Nobel da Literatura, em 1933. Não obstante, um inverno de silêncio e de esquecimento envolve hoje o nome e a obra magistral de Bunin. Ivan Bunin nasceu em 1870, em Voroneje, no seio de uma antiga família aristocrática de proprietários rurais. Escreveu desde muito cedo, e publicou, pela primeira vez, um poema aos 17 anos, numa revista literária de São Petersburgo. A partir de 1889 começa a trabalhar, como redactor, e a publicar periodicamente poemas, contos, artigos de crítica literária e de opinião num jornal regional. Durante a sua vida viria a trabalhar também como estatístico, bibliotecário e jorn...  Ler Tudo >>

Livro discute Aids após os 50

[24-10-2010] | José Renato Prado
Baseado no trabalho que realiza no ambulatório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o médico infectologista Jean Gorinchteyn lançou, na capital paulista, o livro Sexo e Aids depois dos 50. Parte da renda será destinada ao próprio hospital. A obra, que conta com prefácio do infectologista e diretor do Instituto, o médico David Uip, aborda o drama da revelação do diagnóstico entre pacientes, muito desses casados com filhos e netos, situação que compõe um quadro de impacto psicológico e social, motivador do desfecho de elos familiares, sociais e profissionais. Também comenta formas de contaminação, situações cotidianas que podem representar ameaças de contágio e exemplos de superação de pacientes, que fazem do arrependimento pela falta da prevenção uma marca de suas batalhas contra a doença. “Discutir sexualidade por si só é um tabu e fazê-lo em pessoas acima de 50 anos se torna uma missão árida, principalmente porque misturar sexo e Ai...  Ler Tudo >>

Formação e rompimento de vínculos

[21-10-2010] | José Renato Prado
A editora brasileira Summus Editorial lança o livro Formação e rompimento de vínculos – O dilema das perdas na atualidade (288 páginas, R$ 59,90). A obra reúne os maiores especialistas em luto do Brasil para debaterem temas como: dilemas dos estudantes de medicina diante da morte; questão das perdas em instituições de saúde; possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e preservação dos vínculos na separação conjugal.  Organizado pela psicóloga Maria Helena Pereira Franco, fundadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto (LELu), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e uma das fundadoras do 4 Estações Instituto de Psicologia, especializado no atendimento a pessoas enlutadas, o livro trata também das questões da família, de resultados da violência urbana e doméstica e da formação do profissional para lidar com a morte, com base na realidade atual do país. "A obra nos dá uma visão da amplitude de problemas causados pela relação ...  Ler Tudo >>

@Exposição online discute a Revolução de 1924

[09-10-2010] | José Renato Prado
O Arquivo Público do Estado de São Paulo desenvolveu uma exposição online que revela detalhes da Revolução de 1924, um período conturbado na história brasileira. Entre os documentos que serviram de base para esta exposição estão processos criminais instaurados contra os rebeldes após a Revolução de 1924 e cartas dos líderes deste movimento, além de jornais e revistas da época. A Revolução de 1924 é contada em nove “salas” rica em textos e ilustrações..O Brasil do início do século XX é marcado por um período de crise econômica, motivada pela queda das exportações causadas pela Primeira Guerra Mundial, e uma crise política gerada pela insatisfação de alguns grupos com a chamada política café com leite. Esse cenário faz eclodir uma série de levantes contra o regime no Rio de Janeiro, em 1922; em São Paulo, em 1924 e seguem até o final dos anos 1920 com a  O Núcleo de Ação Educativa foi o responsável por pesquisar fontes bibliográficas e documentais para montar a exposição virtual, além de...  Ler Tudo >>

Ignácio de Loyola Brandão e os 35 anos do ZERO

[08-10-2010] | José Renato Prado
O escritor brasileiro Ignácio de Loyola Brandão autografou no dia 4 de outubro, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na cidade de São Paulo, a edição comemorativa dos 35 anos do livro Zero.O objetivo do evento foi celebrar a edição especial que a Global Editora preparou a partir de um projeto gráfico inovador, assinado pelos designers gráficos Eduardo Okuno e Mauricio Negro. Nesta edição, o leitor pode conferir as capas de todas as edições publicadas no Brasil e no exterior e cem páginas com o making off da obra.  Zero descreve os anos de chumbo no Brasil, na época da ditadura militar. Sua primeira edição foi publicada na Itália em 1974 e somente um ano depois veio a ser lançada no Brasil. Em julho de 1976, recebeu da Fundação Cultural do Distrito Federal o prêmio de Melhor Ficção, e, no dia 20 de novembro, foi ...  Ler Tudo >>

Correspondência especial de S. Petersburgo - Helena Golubeva – a menina, o destino e a constante partida para uma nova viagem

[20-09-2010] | Ana Gamboa
Helena Golubeva, uma das maiores especialistas em língua e literatura de expressão portuguesas na Rússia, faz esta terça-feira, 21 de Setembro, 80 anos. Filóloga, tradutora, professora de línguas e literaturas espanhola, romena e portuguesa, chefiou desde 1972 até 1996 a Secção de Português da Cátedra de Filologia Românica da Universidade Estatal de São Petersburgo (até 1991 Leninegrado), a primeira na Rússia onde se começaram a formar especialistas em Língua Portuguesa e Literatura de Expressão Portuguesa, e da qual foi co-fundadora em 1962. Em 1995-1996, foi eleita membro académico correspondente estrangeiro da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, tendo posteriormente contribuído para o boletim daquela academia com dois detalhados artigos sobre a história da divulgação e do ensino das letras luso-brasileiras em São Petersburgo no século XX. É, desde o início, vice-presidente do Centro de Estudos Lusófonos da Universidade Estatal Hertzen, inaugurado em 1999 e apoiado pelo Ins...  Ler Tudo >>

Aniversário

[06-09-2010] | Carlos Pessoa Rosa
Quando o Carmelo convidou-me a participar do PNETLiteratura, especificamente no Folhetim, não sabia que me oferecia um presente de aniversário, festejado em 6 de setembro. Ao completar 61 anos de idade, completo 2 de participação contínua e prazerosa no espaço oferecido. Ter meus textos em terras de Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira, Almada Negreiros, Al Berto, Lobo Antunes - para citar alguns e já sendo injusto com tantos -, ao lado desse grupo seleto de escritores e estudiosos da língua, não seria pensado na era do livro, mas tornou-se possível na virtualidade. Não posso esperar maioridade, seria pedir muito a Khronos, mas uma dose da infância é o quanto me basta. Feliz pelos dois aniversários, divido com todos....  Ler Tudo >>

Notas sobre "Livro Usado", Jacinto Lucas Pires

[04-09-2010] | Susana Leita
Não tem princípio, nem fim. Como a vida. É um caderno de notas de viagem numa viagem ao Japão, cujas principais cidades visitadas são Tóquio, Matsuxima, Matsué, Hiroxima, Cagoxima, Nagasáqui, Tocoxima, Himeji, Osaka, Quioto, Nico.               Um livro anónimo, de um narrador viajante anónimo, que podia ser qualquer um no mundo, mas é de uma objectiva portuguesa que saem os mundos interpenetrados por ela. São pequenos universos paralelos uns aos outros que no decorrer da narrativa se ligam através da câmara do autor. A narrativa é construída por pessoas anónimas e seus artefactos distintivos: "um homem de óculos e gravata", "uma mulher de cinquenta e tal anos", "um velho numa bicicleta bêbeda". Penso que essas descrições fazem parte do mote da narrativa de um autor-viajante "escrever sobre a vida, fazer da vida o assunto, compreender a vida". Isso tudo requer certamente mais do que dar um nome a um ou uma personagem. Tanto mais que essas persona...  Ler Tudo >>

As Rotas do Sonho - Tiago Salazar

[26-08-2010] | Susana Leite
O autor andarilho publicou em Junho passado sonhos em forma de caminhos percorridos. As rotas escolhidas trilham a continuidade do universo deste autor: exotismo, luxo, hedonismo. A cada vez que fecho o livro para o admirar - a sua capa é uma absoluta marca de bom gosto - esta escrita  de exigência cosmopolita, cujas palavras nos levam rapidamente a entrar no devaneio dos miraculosos spas, dias de paz e vitalidade, mimos e cuidados femininos, não relega para número dois a aventura que percorre as linhas. As reflexões são, muitas vezes, como se pode ler no capítulo da Turquia, piamente imbuídas daquilo a que Salazar não se pode furtar, a sua masculinidade. Pergunto-me sempre que começo a ler um livro de viagens qual é o projeto ou linha condutora que liga os destinos visitados, tantas vezes aliatórios. Apesar de não ter descoberto nada mais que o trabalho do autor como jornalista de viage...  Ler Tudo >>

Férias para sempre

[20-08-2010] | Susana Leite
No verão quem não deseja viajar? E se essa sensação de liberdade e de encontro com o novo nunca desaparecesse? É disso que trata este livrinho pequenino em que o conceito de férias se vê imortalizado para sempre em forma de aventura a dois - dois bons amigos que viajam pelo mundo. Um mundo escolhido a dedo por ambos e que relega para um plano de não-importância os habituais percursos turísticos, percorrendo página a página apenas os locais agradáveis. Cafés, casas de chá, pastelarias e pousadas, hotéis ou residenciais são a bússola de leitura deste opúsculo.             Para mim é interessante verificar que no livro o espaço luso-falante é o segundo mais visitado, a seguir ao do oriente, desdobrado em Índia, Indonésia, Vietname e Tailândia. A preponderância em relação ao espaço anglófono é saliente e por isso, surpreendente.  Sete das aventuras descritas passam-se em locais lusófonos: na Índia, Diu, em Portugal, Coimbra, Luso, a Praia das Maçãs e Lisboa, no Brasil, Salvador da Bahia, e...  Ler Tudo >>

Epílogo - A Flip dos Ensaístas

[10-08-2010] | Mauro Finatti
Um arlequim passa de bar em bar recitando poemas de memória e pondo-se à prova ao oferecer declamar versos de poetas escolhidos pela sua plateia. Entremeia a poesia de observações quase políticas sobre a situação dos artistas de rua no Brasil. Na primeira edição da Flip a homenagear um escritor de não-ficção, não é de supreender que mesmo a mesa que prometia ser puro lazer acabe fazendo colocações de ordem política e até mesmo uma ou outra ilação religiosa. Quando começou a ficar mais à vontade, Robert Crumb confessou que do que mais tinha gostado nesta visita a Paraty foi de ouvir justamente um grupo de músicos de rua, Os Curandeiros, tradição fadada a desaparecer, segundo o cartunista americano radicado na França. Explicou, aliás, que se sente muito bem em não mais viver no centro malévolo do fascismo corporativo, palavras que ele se apressará em negar se começar a ser perseguido pela CIA ou pelo FBI... Crumb vestia um chapéu branco, Gilbert Sheldon, um preto. Juntos pareciam persona...  Ler Tudo >>

Capitulo 3 - Flip - quase acabando...

[09-08-2010] | Mauro Finatti
Com pouco mais de uma dúzia de ruas, seis ao longo da ponta que dá para o oceano e outras tantas cruzando as primeiras, o centro histórico de Paraty é uma pequena Manhattan, que no início de uma visita independente da duração parece tão controlável, e ao chegar o fim deixa a impressão de que muito ficou por ser visto e feito. Hoje é o penúltimo dia da feira, tradicionalmente dedicado às grandes "estrelas", posto que nesta edição, os cartunistas Crumb e Shelton dividem com Ferrira Gullar, já que Lou Reed, que provavelmente roubaria a cena, acabou faltando. É hora de começar a pensar na volta nas leituras que enchem as malas, e tentar não se angustiar com a quantidade de "mesas" que ainda ocorrerão. O melhor é respirar fundo e fazer como na Mostra Internacional de Cinema: escolher alguns títulos que inspirem, certifi...  Ler Tudo >>

Capitulo 2 - Flip - A elegância do robalo

[08-08-2010] | Mauro Finatti
Nesta minha terceira Flip, encontro um evento muito mais institucionalizado do que a versão de 2006, quando ainda era fácil conseguir ingressos para as tendas dos autores durante a própria festa, e comer em restaurantes como o Banana da Terra sem ter que fazer a reserva "de São Paulo". Deste restaurante, aliás, é que escrevo hoje. Meu blackberry chama menos atenção do que seu arcano antecessor de 4 anos atrás, e menos ainda do que a mesa onde janta Salman Rushdie, confortável entre público não hostil. A propósito do espanto que os rigores islâmicos têm causado na mídia brasileira recente, hoje a mesa mais marcante foi aquela dividida entre o israelense A. B. Yehoshua e a iraniana Azar Nafisi, e mediada por Moacyr Scliar. A simpática e elegante Nafisi observou a um dado momento do debate a dificuldade de estar ladeada por dois escritores, homens, experientes e com impressionante número de publicações, ao que o escritor brasileiro acrescentou: judeus.Provavelmente o ateu e sion...  Ler Tudo >>

Capitulo 1 - A Flip da Casa Grande, a Flip da Senzala

[08-08-2010] | Mauro Finatti
Esta é a oitava edição da festa que virou a principal atração turística de Paraty, e muita coisa mudou nesses anos. Neste encontro em que o principal homenageado é um dos autores considerados entre os maiores intérpretes do Brasil (formando juntamente com Sergio Buarque de Holanda e Celso Furtado uma espécie de santíssima trindade), paira no ar da cidade símbolo do início do pujante ciclo do ouro, um convite à reflexão sobre quem somos e para onde vamos.Coincidentemente (ou não), a primeira Flip aconteceu no primeiro ano do primeiro governo de um líder sindicalista, prometendo mudanças sociais profundas. Esta, no último ano do governo Lula, foi aberta pelo seu predecessor, um especialista em Gilberto Freyre que reconhece a polêmica em torno do grande brasilianista, mas também a importância de alguém que mostrou ao mundo um caminho de en...  Ler Tudo >>

Manual de instruções para Portugal

[30-06-2010] | Susana Leite
Foi em cafés e restaurantes e encontros com portugueses de vária espécie que o livro se viu nascer. Um livro escrito para agradar às massas, à hipérbole de turistas alemães que desertam o país ao longo do ano inteiro – e não só no nosso querido mês de agosto - e um livro que certamente levou alguns a Portugal ou alguns é que o levaram consigo para se entenderem por lá. Cheio de ironia lúdica e exageros q.b. no que respeita aos traços de comparação culturais – sempre perigosos – entre portugueses e alemães, mas alicerces necessários a quem se quer entender no país e desenvolver uma qualquer característica humana entre apatia cultural, para além do ah, é muito bonito e ah, é património cultural da humanidade, e o aceitar incondicionalmente a cultura que se visita, para, pelo menos, durante o pequeno...  Ler Tudo >>

Porquê Portugal? Exemplos de uma existência inspiradora

[18-02-2010] | Susana Leite, em Leipzig
Já não é uma novidade no panorama musical mundial, mas um nome destes desperta sempre curiosidade a um português, especialmente se os membros desta banda são provenientes do longínquo Alaska. Tenho andado a ouvir os Portugal.The Man desde o ano passado – sei que já existem há muito tempo, mas só agora é que as letras deles me ocorrem nas actividades mais normais do dia-a-dia. Soa bem a música, a banda tem letras que custam a decifrar em função da sua denominação. No ano passado a banda esteve em Portugal aquando da sua tour europeia e foi ao festival de Paredes de Coura.          Penso.          Porque razão se auto-propuseram este nome? Deve ser das perguntas que a nível mundial mais frequentemente serão colocadas a esta banda - que qualquer português por maior óbv...  Ler Tudo >>

Cuentame un cuento

[11-02-2010] | Kátia Gerlach
Havia muito de Umberto Ecco na aula aberta ao público de Antonio Muñoz Molina ontem à noite no King Juan Carlos I of Spain Center, parte do campus da New York University, o edifício de número 53 ao sul do grandioso Washington Square.  Na sala reservada ao evento, não se ouve o inglês enquanto uma senhora aflita pergunta no vernáculo aqui e acolá se a palestra será dada em espanhol, em qual caso ela temia nada compreender.  Quer certificar-se para evitar o inconveniente de uma retirada, afinal via-se presa no meio da fileira de poltronas compactas e cinzentas.  Latino-americanos e espanhóis ibéricos, as introduções costumeiras, donde vienes?  Cartágena, Buenos Aires, Córdoba, Montevidéu, todos conversam em pé no tumulto da sala apertada, a expectativa soa no ar.  O escritor, titular da cadeira de Cultura e Civilização Espanhola, tratará da sua experiência em ficção.Currículo resumido de Muñoz Molina:  autor de mais de vinte livros, dentre eles, novelas (“Um Inverno em Lisboa”, “Lua Chei...  Ler Tudo >>

Adeus migrante

[09-02-2010] | Kátia Gerlach
A princípio, são as meias vermelhas que nos distraem e fazem reparar na combinação com a camisa também vermelha mas em outro tom, o terno é marron escuro, o blazer descasado.  Um homem visivelmente mais jovem do que a idade, um sotaque aplicado à pronúncia rastejante, um pessimista, medroso, por natureza.  Ao lado, uma senhora de porte alto, a cabeça erguida, sempre erguida (não a abaixaria por nada neste mundo), o corpo levemente desajeitado sobre a cadeira que se faz pequena ao seu redor, fala no vagar do pensamento e em poucas palavras demonstra o domínio da linguagem, a capacidade de criar surpresa em velhas idéias.  Para completar o trio, acomoda-se um pouco impaciente, uma mulher asiática de cabelos tingidos de ruivo, curtos, os fios em desalinho apontados para o teto como lanças, esta sim borbulha e tem uma desenvoltura que quase a faz passar por filha da terra.  Norman Manea, Jamaica Kincaid e Jessica Hegedorn, respectivamente, convidados de Ilan Stavans no palco de um  auditór...  Ler Tudo >>

“Ora ouve…”

[12-01-2010] | Susana Leite
Entre Osnabrűck e Porto, que paralelo biográfico melhor para se ler Ilse Losa na direcção contrária àquela que ela geograficamente deu à sua vida. Uma vida que na tragédia da História da Alemanha encontrou porto de abrigo no Porto de onde eu provenho e que nessas trocas interculturais perdeu ou ganhou fronteiras entre o sonho e a realidade, transformando a experiência imaginária vivida em livro do vivido ou não vivido e do que se gostava de ter vivido. Nos tempos de recolhimento da alma como o Inverno se propicia a fazer, as raízes  imperam sobre a consciência e vale a pena recordar os livros que me liam ou que eu própria me lia – quantas vezes em voz alta, de preferência em frente a um espelho. Este livro simples fez-me repousar o olhar sobre uma dada infância e acrescentar-lhe a dissecação da estrutura seca à qual chamamos preocupações culturais contemporâneas: o bardo, o hipermédia e a cultura infantil.   Esta autora engendra um contexto no livro infantil “Ora Ouve...” em que a...  Ler Tudo >>

Brooklynites

[18-12-2009] | Kátia Gerlach
Artistas plásticos, músicos, poetas e escritores encontram no Brooklyn refúgio e cenário e dali partem para expedições ultramarinas na Califórnia, na Índia, na França, na América Latina, na África, a book tour perhaps.  Discussões literárias, conversas boêmias, propostas, idéias para livros em ebulição: the Brooklyn follies estão aí para ficar.  Os agentes literários se distinguem pelas pilhas de manuscritos e contratos que carregam soltos, arriscando-se no vento forte de inverno, tudo vale pelo próximo bestseller, as páginas podem voar como pombos ousados.  Os americanos têm a capacidade de transformar a arte em business talk, mesmo que façam small talk, as they say.   Escritores, alguns personas mascaradas pela mídia, e poetas, verdadeiros heróis na odisséia pela poesia sobrevivente são protagonistas na tal história.  Agentes literários estabanados, com os cabelos em desconcerto, trocam figurinhas pelas ruas do bairro. As editoras gigantescas verdadeiros king kongs a pular de um empi...  Ler Tudo >>

Sobreposições

[04-12-2009] | Ana Delgado
Tal como a memória ou um texto, a cidade tem múltiplas sobreposições. Camada sobre camada que foi sendo sobreposta pelo tempo, os projectos dos homens e o acaso, e que é possível ler num determinado momento. Por exemplo, Leipzig em Novembro de 2009. Vinte anos depois da “revolução pacífica”, os acontecimentos que anteciparam a Queda do Muro de Berlim. Antes disso, quase quarenta anos de pertença à República Democrática Alemã e ainda antes, a Segunda Grande Guerra e os tempos do nacional-socialismo. Uma cidade de muitas memórias, de grandes mutações, de sacrifício e sofrimento, espelhando afinal a história da Alemanha e até da Europa. Percorro as ruas e registo, como num filme, algumas dessas sobreposições que vemos no espaço e lemos no tempo. Perto da estação de caminho-de-ferro, o exemplo talvez mais visual - a “caixa de lata” (“Blechbüchse”), uma fachada de metal sem janelas. O edifício de 1964-66 de oito andares albergou os maiores e mais modernos armazéns da RDA, hoje sob protecção...  Ler Tudo >>

O original de Laura, dying is fun

[25-11-2009] | Kátia Gerlach
Não há de se esperar em Laura, uma novela e sim fragmentos. Nas lacunas, o legado de Nabokov aos leitores. Cento e trinta e oito  cartões escrevinhados, a obra inacabada de um homem em estado terminal. Vladimir pedira à Vera que os destruísse, assim como anos antes, em duas vezes consecutivas, levara o rascunho de Lolita ao incinerador sem que no momento final chegasse a atirá-lo às chamas. Dmitri Nabokov, tradutor das obras do pai, autorizou em 2007 a publicação do original de Laura no formato deixado pelo pai, sem intervenções. Resolve-se o dilema de Dmitri.Sob capa elaborada por Chip Kidd, ilustrador conhecido no mundo editorial e responsável pela obra de Vladimir Nabokov no Brasil através da Companhia das Letras, o livro oferece ao leitor a opção de destacar cópias perfeitas dos cartões anotados por Nabokov e reordená-los comme il faut. O...  Ler Tudo >>

Cervantes e Pamuk, por Kátia Gerlach

[20-11-2009] | Kátia Gerlach
Tempo e palavras culminam na necessidade instantânea de evitar o ócio dos segundos.  Outono e inverno fazem-se incertos.  Eventos literários e musicais dão vida aos centros culturais excessivamente calefados e neste calor artificial, um público trajando variadas vestimentas e opiniões, dos mais velhos aos jovens, estes últimos irrequietos nas poltronas, escutam música e prosa enquanto digitam em seus blackberries.  A adolescente na poltrona à frente encosta a cabeça no ombro do colega, nasce ali uma novela romântica inesgotável, ou terá sido a chance de amor logo vencida pela pressa e a digitalização dos sentimentos?  Em cinco minutos, eles vão partir.  O rapaz com suas pernas compridas demais para o assento apertado, a menina com olhos de mulher.  Um vento de furacão tropical sopra.  Prematuro.Recente, no curso de uma semana, assistimos à apresentação de Orhan Pamuk e a uma encenação de Don Quijote de la Mancha com o Los Angeles String Quartet.É notável a interseção matemática neste p...  Ler Tudo >>

As frases talismáticas de A.S.Byatt

[07-11-2009] | Kátia Gerlach
Em seu último livro The Children’s Book, Antonia confessa através da protagonista que todo o escritor deve ter a sua frase talismática.  Há palavras que funcionam como chave do horizonte, têm o poder de ligar a máquina da criação.  No ano passado, Amy Bloom confidenciou ao público que no seu escritório emoldurou em letras graúdas a máxima de Samuel Becket:  “Ever tried? Ever failed? No matter, try again, fail again, fail better.”  A escrita nascida do fracasso?  Enquanto Chinua Achebe vê na atividade literária, a busca; Antonia complementa, a escrita pode representar tanto a busca quanto a fuga.  E nestes encontros e desencontros consigo, descobre-se a relevância da sombra, a sombra de cada um de nós e o mistério daqueles que não possuem sombra alguma como num conto de fadas.  Inspirada pelo misticismo nórdico e espiritualidade sob medida, Antônia recusa-se a revelar crença na reencarnação embora em visitas à Torre de Londres intuísse a presença do espírito do diabo e não impediu que e...  Ler Tudo >>

O melhor ar da cidade

[05-11-2009] | Ana Maria Delgado
“I blow through here… and the music goes round and round… and it comes down here” (Louis Armstrong, The Five Pennies)   Não é nos parques, jardins botânicos ou bosques  que se respira o melhor ar de uma cidade, mas sim... numa sala de concertos.  Talvez nem pensemos nisto, quando assistimos a um concerto e nos deleitamos com o sublime dos sons, mas toda essa “fantasmagoria” sonora depende,  afinal, também  de coisas bem concretas. Tal como quando conversamos com alguém, e o entendimento depende de tantas coisas complexas como falarmos o mesmo idioma, termos referências culturais comuns, estarmos num momento mais ou menos sociável... Mesmo partilhando códigos de referência a comunicação é difícil e “a linguagem é fonte de mal-entendidos”, como escreveu Saint-Exupéry. Pode então desistir-se da comunicação, mas também o silêncio pode ser eloquente, ou de oiro. Seja como for, quando comunicamos oralmente não são só factores linguísticos e culturais, afectivos ou emocionais que estão em que...  Ler Tudo >>

Chinua Achebe

[23-10-2009] | Kátia Gerlach
Da poltrona com ampla vista para o palco, quis capturá-lo.  Não como o mestre da escrita da África colonizada pelos ingleses, o escritor premiado.  Quis tê-lo, sim, como personagem.  Quantas histórias não renderiam este homem vivido que carrega a Nigéria no coração, abriga as tristezas do fracasso da nação com mais pendor do que aprecia o próprio sucesso dos livros traduzidos mundo afora.  Chinua Achebe é a interseção entre a tradição, o passado a se perder do vilarejo que o criou e a contemporaneidade que nos atira ao léu com uma pergunta apenas: quem somos? A busca da identidade, há de se desvendar o porque da vida, quem somos.  Assim explica Chinua Achebe ao esclarecer o fundamento da sua escrita.  E na busca, derramou palavras guiadas por provérbios e reminiscências da terra mãe, pronuncia o inglês como idioma estrangeiro, o sotaque uma pista para uma verdade.  Perguntam-lhe se considera a vida na América, exílio forçado.  Responde no middle-ground.  Sem negar, sem concordar.  No c...  Ler Tudo >>

Estritamente confidencial

[09-10-2009] | Ana Maria Delgado
Coimbra, Maio de 1996        Querida Annie, posso ver o que tens estado a fazer?      Oh, só a tentar descrever uma coisa de que gosto!      Posso ver o que escreveste?      Claro! Tenho estado a vê-la trabalhar – ela deve ter querido muito e até precisado do trabalho dela – repara – está inclinada sobre o quadro como um ovo com uma cabeça a sair um bocadinho fora do lugar, como uma tartaruga. Esta cabeça – cabelo escuro, um laço branco de menina a contrastar com – a face – tensa e austera – a pele escura e pálida. Um braço e uma esguia mão direita a sair do ovo, apoiada com jeito pela mão esquerda, apenas visível à volta do pulso da mão direita. Parece que a saúde pouco lhe importa, ao inclinar-se para fora do corpo, rosto, cabeça e mão, o bra&...  Ler Tudo >>

Bom dia, é domingo

[07-10-2009] | Kátia Gerlach
Todos os domingos pela manhã, os cumprimentos se repetem tal episódio de série antiga de televisão:  bom dia, bom dia, dizem eles tomando de um tempo, inexistente ao longo da semana quando os cumprimentos e o indício da educação geram um sorrisinho sem vontade de sorrir, um movimento très légère dos lábios pois o humor é duvidoso e tudo absolutamente tudo tudo vai depender de como o dia evoluirá.  Eles compartilham destas frações de planeta, destes retalhos de terra, nada os surpreende porque as ruas não sofrem censura, mulheres desnudas, a faca passa a manteiga no pão, a faca arranca o coração, não há véu que cubra as ruas. Mulheres cor de rosa no arrepio da pele riscada arriscam-se no arrebentar a porta para a manhã acesa pela estrela pálida e desaforada e nem sempre presente por se aproveitar das nuvens.  Antes do anoitecer a morte será certa para muitos, Alah, Alah promete o paraíso e Aziz faz fé, recusa-se a aparar a barba ou os cabelos, gosta do que vê em frente ao espelho num qu...  Ler Tudo >>

A Casa do Mundo de Tiago Salazar, por Susana Leite

[18-09-2009] | Susana Leite
Portugal é âncora de viagens e de viajantes. A alma lusa espera, sente e quer “o outro”, onde quer que ele esteja. É um tanto românico e idealista e pouco prático imaginar que “o Outro” não está onde nós estamos. Mas assim lá vão os viajantes à procura desse encontro com o outro, o mistério, ou até não à procura, mas ao encontro directo. Vai-se desmistificando esse Outro, onde quer que ele esteja, vendo-o com os próprios olhos, pondo os pés na sua terra, sentindo-lhe o cheiro, comendo o que come, aprendendo porque reage assim, qual é o seu humor, quais são os seus prazeres e fontes de melancolia e tristeza, valorizando os aspectos sociais, económicos, humanos que envolvem esse Outro, conhecendo, em suma, a sua História, através do seu presente. Ninguém melhor que um viajante para o fazer. Tiago Salazar &ea...  Ler Tudo >>

A romanização do corpo

[07-09-2009] | Manuela Degerine
Exposição: O Banho e o Espelho, Cuidados do Corpo e Cosméticos da Antiguidade à Idade Média (até 21 de Setembro nas Termas e Palácio de Cluny, Paris)Foram necessários anos confronto entre os textos da antiguidade (Ovídio, Plino-o-Antigo, por exemplo) e 144 produtos encontrados em França, Itália, Grécia e Alemanha entre 2005 e 2008 para criar esta exposição. Os romanos, homens e mulheres, cuidavam a aparência nesta e, esperavam eles, na outra vida. Por isso os arqueólogos têm agora recolhido tantos objectos e produtos destinados aos cuidados do corpo. Recipientes muito variados, frascos, ânforas, píxides, estojos, mais ou menos luxuosos, para produtos de beleza não menos variados. Os perfumes. Os óleos de massagem; por vezes importados de outros continentes. A maquilhagem branca, alvaiade, composta de carbonato de chumbo, uma substância t&...  Ler Tudo >>

Mitologias

[28-08-2009] | Manuela Degerine
A notícia deste Verão, divulgada por rádios, televisões, jornais e magazines, debatida em jantares e serões, foram os resultados de uma investigação Ifop/Tena intitulada "As mulheres e a nudez". Três números, entre outros: 88% das francesas qualificam-se como "púdicas"; 67% não se mostram nuas num vestiário; 29% preferem fazer amor às escuras. Um telejornal foi mesmo para a praia perguntar às banhistas por que não mostravam os seios. Várias respostas, com efeito, como ensaiadas: por razões de pudor.  O argumento teria nos anos setenta parecido ridículo. O pudor era um acessório retrógrado, estimável num museu de velharias; nem as avós se serviam dele sem precauções – por falta de prática. Todo o mundo ocidental queimava os sutiãs. Eu era miúda mas ainda me lembro da minha indignação quando, talvez em 1975, ouvi na rádio as reacções de alguns homens perante uma celebração lisboeta do rito. Anos mais tarde, quando me emancipei um pouco da tutela familiar, também entre...  Ler Tudo >>

Uma lição de teatro

[02-08-2009] | Ana Maria Delgado
Maio de 2009, final do semestre de Primavera na Universidade de Georgetown, quinze estudantes do curso “Arte do Monólogo” da Profª Susan Lynskey apresentam, no teatro de bolso Devine, a mostra Solo Vox, uma exploração de monólogo, solilóquio e narrativa na primeira pessoa marcada pela diversidade e pelo intuito provocador. É surpreendente a qualidade do espectáculo e o profissionalismo dos actores/estudantes, a capacidade crítica dos textos seleccionados, mostrando uma visão bem diferenciada dos EUA.  Quem é a professora cujos alunos dão uma lição de teatro de tão grande qualidade no final do curso semestral? Susan Lynskey ensina teatro e dialectologia em Georgetown desde 2003, e é conselheira de grupos de teatro co-curriculares. Estudou Psicologia e fez o bacharelato na Universidade de McGill em Montreal e o mestrado em Belas-Artes na Universidade de Iowa. Trabalha também como actriz profissional e tem-se dedicado às novas tendências teatrais – por este trabalho recebeu já duas nomeaç...  Ler Tudo >>

“Moscou”:“As Três Irmãs” de Chekhov em documentário brasileiro

[30-07-2009] | Kátia Gerlach
Tudo o que Irina, Olga e Masha queriam era voltar a Moscou.  Vender a casa herdada do pai há um ano apenas, o aniversário da morte celebrado no aniversário de Irina, as impressões da saudade havendo se mutado no passar dos dias.  O contraste entre a província e a cidade grande, um dos temas marcantes na obra de Chekhov, oferece às irmãs a possibilidade de existência renovada.  Enquanto Tolstói defendia a pureza do campo, a simplicidade dos mujiques, as personagens de Chekhov deleitam-se com os atrativos dos boulevards de Moscou, o fascínio pela vida urbana menos enfadonha do que a levada no interior do país.  No Moma, Museum of Modern Art em Nova Iorque, o festival de cinema brasileiro de 2009 traz nove documentários por Eduardo Coutinho, ícone do cinema brasileiro, em sua maioria “snapshots” de pessoas cujas vidas se confundem na imaginação do público, transformando-se em personagens de si, a linha marginal entre realidade e ficção sendo delineada com talento.  Do nordeste aos grandes...  Ler Tudo >>

Pride, Prejudice & Zombies, por Kátia Gerlach

[22-07-2009] | Kátia Gerlach
Na lista dos bestsellers de ficção, o Los Angeles Times traz em terceiro lugar o livro de “co-autoria” de Jane Austen e Seth Grahame-Smith entitulado “Pride, Prejudice and Zombies” (“Razão, Sensibilidade e Zumbis”), a obra de Austen reescrita a partir da inserção de personagens zumbis e ninjas a invadirem o cenário da Inglaterra pré-victoriana no início do século dezenove.  Oitenta e cinco por cento do texto original escrito por Austen manteve-se preservado por Seth, cujo trabalho consistiu em transformar as protagonistas em talentosas ninjas e inserir zumbis maltrapilhos nas festas e ambientes frequentados pelos personagens originais.  Seth também precisou manter as mortes e desaparecimentos e lutas consistentes para que a narrativa não se perdesse.  As modificações não eliminaram o caráter cômico dado por Austen e usaram de ...  Ler Tudo >>

Paris Praias

[21-07-2009] | Manuela Degerine
Paris situa-se longe do mar em quilómetros e em tempo: neste aglomerado populacional com mais de dez milhões de habitantes as saídas na direcção do mar permanecem saturadas durante todo o fim-de-semana. Claro que não falta aqui que fazer... O cinema, o teatro, as conferências, as exposições, as caminhadas e inúmeras outras actividades, claro, consoante a idade e personalidade de cada um, para além do trabalho, não deixam margem para o tédio. Nem sequer para o descanso... Paris solicita demais. Portanto o parisiense é um cidadão esgotado. E, ao fim de algum tempo, nesta cidade com uma cor cinzenta dominante (um dos seus encantos), surge uma ânsia de verde e azul, de areia e far niente... Por isso, para quem no Verão, por razões familiares, profissionais, económicas, fica em Paris, a câmara inventou Paris Praias. Onde é? Podemos, de maneira aprox...  Ler Tudo >>

Manuela Degerine, Verão parisiense

[14-07-2009] | Manuela Degerine
Do feriado de 14 de Julho ao de 15 de Agosto, os parisienses abandonam progressivamente a capital. Restam os turistas... e os apreciadores de uma Paris estival que, durante um ano, esperaram pela metamorfose: uma cidade com menos carros, menos barulho e menos poluição. Paris-Praia à beira do Sena. Calmos passeios de bicicleta – com ou sem Vélib. E, nestas temperaturas agradáveis, até as filas para entrar nos principais museus se tornam menos contrariantes... O museu de Orsay aprofunda o mito da viagem à Itália no século XIX através de três exposições: Voir l'Italie et Mourir (Ver a Itália e Morrer) com nove salas: antes da fotografia (uma sala: Camille Corot, Léon Cogniet); os daguerreótipos (duas salas); a Grande Volta (uma sala); o Risorgimento (uma sala); o olhar arqueológico (uma sala: Pompeia, a erupção do Vesúvio, o Forum romano); povo i...  Ler Tudo >>

CORRESPONDÊNCIA Flip 2009 - (V), Lobo Antunes foi o encantamento, por Sílvia Chueire

[05-07-2009] | Sílvia Chueire
Não ouvi das pessoas ao sair da apresentação de Lobo Antunes ontem senão elogios e um jeito encantado de falar sobre ele. O escritor conquistou a platéia com sua gentileza, seu modo de falar sobre a escrita, seu humor divertido, sua evidente emoção ao falar do Brasil que lhe era próximo por intermédio do avô brasileiro, transformando a entrevista num encontro afetos e literatura entre brasileiros e um português genial. Assistir a Lobo Antunes valeu pela FLIP inteira, era a opinião de todos.Comovido, ao final da palestra, depois de ter sido o único participante a ser demoradamente aplaudido de pé, ele voltou ao meio do palco e pedindo atenção agradeceu a generosidade e a acolhida dos brasileiros e acrescentou: -  Deus lhes pague !( continuarei logo mais )Sílvia Chueire...  Ler Tudo >>

CORRESPONDÊNCIA Flip 2009 - ( IV ), A mesa de Milton Hatoum e Chico Buarque , por Sílvia Chueire

[04-07-2009] | Sílvia Chueire
Cercada de expectativas a mesa de Milton Hatoum e Chico Buarque, “Sequências Brasileiras” começa bastante diferente de todas as outras. A Tenda dos Autores completamente cheia - os ingressos haviam se esgotado em uma hora de venda pela internet – recebeu os dois em meio a flashes de fotografia das duas dezenas de fotógrafos que esperavam e se revezavam espremidos à beira do palco. Chico e Hatoum chegaram elegantemente vestidos e em nenhum momento, apesar do status de “pop star”, a presença de Chico ofuscou a presença ou as palavras de Milton Hatoum, ao contrário, foram conversando sobre o último livro de cada um com naturalidade e bom humor. Hatoum , professor de literatura, discorreu com segurança sobre seu último livro, ‘Órfãos do Eldorado’, fundamentando suas afirmações sobre a estratégia do livro. Chico pareceu mais instintivo e disse de ...  Ler Tudo >>

CORRESPONDÊNCIA Flip 2009 - ( III ), Bernardo de Carvalho, por Sílvia Chueire

[04-07-2009] | Sílvia Chueire
“Os portugueses têm preconceito em relação aos escritores brasileiros. Acham que nós não sabemos escrever em português. Nenhum escritor brasileiro atual vende bem em Portugal”.Bernardo de Carvalho, escritor brasileiro, 49 anos,um dos principais nomes da literatura nacional contemporânea, é jornalista e autor de, entre outros, Aberração (contos), Teatro (romance), Nove noites (romance, prêmios Portugal Telecom e Machado de Assis, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro), Mongólia (romance, prêmio Jabuti e APCA) e O sol se põe em São Paulo (romance). Escritor original, urbano, O filho da mãe é o seu romance mais recente.  Gentil, Bernardo concordou em falar ao Pnetliteratura. Interessou-nos o que ele havia dito mais cedo num determinado momento do debate da FLIP ao falar de seu novo livro “O Filho da Mãe”, romance que se passa em Sã...  Ler Tudo >>

CORRESPONDÊNCIA Flip 2009 - ( II ), Atiq Rahimi e Bernardo de Carvalho – as discordâncias, por Sílvia Chueire

[04-07-2009] | Sílvia Chueire
Atiq Rahimi e Bernardo de Carvalho dividiram uma das mesas desta sexta feira pródiga em discussões interessantes. Ambos falaram do processo criativo e do que pretendiam com a literatura. E discordaram um do outro. O que é bom para variar num evento em que todos celebram a literatura e poucas divergências aparecem claramente.“Não existe uma literatura universal”, disse Bernardo, autor de romances em que o elemento estrangeiro é crucial, como “Mongólia” e “O filho da mãe”. E explicou: “Existe uma guerra geopolítica de imposição de literaturas. Na China, onde estive antes de escrever ‘Mongólia’, não existe o menor interesse pela literatura brasileira. Acho que ela nem seria compreendida lá, caso fosse lida. Posso estar sendo pessimista, mas vejo cada vez mais uma política de fechamento, cada bloco cultural defendendo seus interesses....  Ler Tudo >>

Matisse em Baltimore, III - The Matisse Stories de A. S. Byatt

[03-07-2009] | Ana Maria Delgado
A terceira artista da casa, que só no final se revela e é reconhecida como tal, é Mrs. Brown, a funcionária negra da Guiana, o verdadeiro espírito protector e tutelar da casa, o seu totem. Ela acaba por se tornar a personagem central e mais interessante do conto, aliada de Debbie e em permanente conflito com Robin. Sheba Brown é descrita como “um génio da justaposição” (Kelly, 59) – veste-se de modo surpreendente, tecidos floridos, malhas de todas as cores, feitas de restos de lã. Ela confecciona a roupa  que usa com restos de tecidos e roupas usadas que lhe dão. Quando uma elegante e requintada galerista visita a família Dennison para eventualmente expor a obra de Robin, é Mrs. Brown quem  capta a sua atenção e acaba por ser escolhida para expor o seu  recém-descoberto “artwork”. A família Dennison não fazia ideia de...  Ler Tudo >>

Paraty ( 2 ), por Ondjaki

[03-07-2009] | Ondjaki
Acordei, depois das pedras, depois do leve cansaço dos pássaros, e o mundo estava em estado de azul.Lembrei, então, da minha amiga, a garça gaga.Fui feliz pelas pedras. ...  Ler Tudo >>

Paraty ( 1 ), por Ondjaki

[03-07-2009] | Ondjaki
Continua lindo o céu em paraty. Circulam as pessoas nos seus ritmos amenos ou eufóricos.As ruas lindas. As pessoas soltas. Os pássaros fogem das pessoas barulhentas. Acho bem.... Aos autores, oferece a organização uma garrafa de cachaça Maria Isabel. Parece-me bem....  Ler Tudo >>

CORRESPONDÊNCIA Flip 2009 - ( I ), A FLIP, por Sílvia Chueire

[02-07-2009] | Sílvia Chueire
Começa hoje a Festa Internacional de Literatura de Paraty, a FLIP. Reunidos na pequena cidade à beira mar, teremos artistas, literatos, curiosos, estudantes universitários, autores, leitores, jovens, crianças. É isto o que faz interessante a festa de Paraty, a diversidade do público. Limitada, é claro, pela localização da cidade, que fica a três horas e meia, de carro, do Rio e a quatro horas de São Paulo.Seu pequeno Centro Histórico, suas Igrejas, as ruas de pedras irregulares, estarão cheios de gente interessada em literatura, ou nos autores, ou apenas na festa. Shows paralelos, mostras paralelas, discussões literárias nas mesas de bar, sobre estilos, autores, opiniões.Sim, porque teremos, a discorrer de modo informal, os escritores falando sobre suas obras, lendo-as, comentando sobre a questão da criação, respondendo a perguntas do público e ao f...  Ler Tudo >>

Matisse em Baltimore, II - The Matisse Stories de A. S. Byatt

[22-06-2009] | Ana Maria Delgado
Na loja do Museu de Arte de Baltimore encontro um livro de contos, The Matisse Stories, de A. S. Byatt,  autora do romance Possession, vencedor do Booker Prize em 1990  e adaptado ao cinema em 2002. Escritas em 1993,  as Matisse Stories são uma homenagem de A. S. Byatt a Matisse, o seu pintor preferido. Na capa, o enigmático quadro de Matisse, Le silence habité des maisons (1947). Os três contos, “Medusa’s Ankles”, “Artwork” e “The Chinese Lobster”, dialogam com três desenhos de Matisse, respectivamente La chevelure (1931-2), L’Artiste et le modèle reflétés dans le miroir (1937), Nymphe et faune (1931-2), e narram situações do quotidiano – uma professora universitária que vai ao cabeleireiro, um casal de artistas que contrata uma empregada que gosta de fazer malha, e dois académicos que discutem o futuro de uma aluna enquanto almoçam num restaurante chinês. Nestes quadros desenham-se tensões que virão a revelar situações insólitas e facetas inesperadas das personagens, desconhecidas at...  Ler Tudo >>

Las Mujeres de Bolaño

[16-06-2009] | Kátia Gerlach
Quem seriam as mulheres de Bolaño?  Meretrizes, assassinas, poetas ou poetisas?  O escritor Roberto Bolaño, beatnick de origem chilena assumiu estatura nos últimos anos e parte da sua obra ainda está sendo escavada para sair ao público.  Ensaios literários menos recentes não chegam a mencioná-lo, apesar da sua obra característicamente pós-boom na literatura latino-americana.  A sua escrita é pop na atitude, e realista-lírica na linguagem marcada pelo passado poético do autor.  Indo em direção por vezes oposta às tendências dos escritores do boom, o acervo de Bolaño não sofre do vício pela super-técnica e oferece ao leitor mais espontaneidade estética e desfechos sem resignação ou pessimismo.  Os diálogos narrados ao vivo por três atrizes latino-americanos dão vida a três personagens femininas do autor e não diluem o poder da sua pena.  Assim foi a apresentação há algumas semanas atrás no café teatro improvisado da McNally Jackson Bookstore no coração de Greenwich Village, Prince Street...  Ler Tudo >>

Matisse em Baltimore I – a Cone Collection

[11-06-2009] | Ana Maria Delgado
Sempre associei o texto de Herberto Helder sobre o pintor que tinha um aquário e lá dentro um peixe vermelho – com Matisse. O texto é de Retrato em movimento, de 1968, e conta a história do pintor e do peixe vermelho que se transforma em peixe amarelo, depois de passar por mutações negras, ensinando a lição da metamorfose. É que Matisse pintou variações do motivo do peixe vermelho em datas diferentes, de 1909 até 1921. No quadro Zorah sur la terrasse, de 1912, o aquário com peixes vermelhos parece estar fora do contexto mas, por ser um motivo recorrente na obra de Matisse e pela sua colocação no canto inferior direito do quadro, funciona como assinatura do pintor.Hoje é da relação de Henri Matisse com a literatura que gostaria de vos falar.Desde o Romantismo que as artes estão interligadas e os artistas se inspiram e dialogam entre si, independentem...  Ler Tudo >>

O mais recente livro de Azar Nafisi

[27-05-2009] | Kátia Gerlach
“Quem resgatará a imaginação?”Este foi o desafio lançado à platéia por Azar Nafisi, autora do bestseller “Lendo Lolita em Teerã” e de “Things I have been silent about: a Memoir”, ainda sem título oficial para o português.  Em seu mais recente trabalho, que ela faz questão de estressar não ser uma continuação do primeiro, Nafisi traz à luz a conversa inacabada com os seus pais, expondo corajosamente os conflitos familiares, tocando nas chagas que sequer o tempo cicatrizou e cobrindo décadas de mudanças sócio-políticas na história do Irã contemporâneo.  Após a morte de sua mãe, logo seguida pela de seu pai, Nafisi buscou redescobrir a figura materna na coleção de fotos herdada.  A ponto de causar preocupação no marido e na filha, Nafisi passou o período de luto absôrta com as imagens esparramadas sobre a cama, queria penetrar nos olhares capturados da mãe, desvendar os pensamentos de uma mulher enérgica e atormentada pelas perdas sofridas.  Da busca, surgiu a idéia de uma obra auto-biogr...  Ler Tudo >>

Notes Inspiring - poesia e música em Georgetown

[20-05-2009] | Ana Maria Delgado, Ana Maria Delgado
Atrai-me o que é cantabile em tudo, aquilo a que Leonard Bernstein chamou nas Harvard Lectures “A Poesia da Terra”, referindo-se à tonalidade, que em música está presente mesmo na música atonal. Em literatura, seria o sentido; na filosofia, a racionalidade. É isto que guia os meus passos na direcção do Healy Hall, o edifício central da Universidade de Georgetown, sua alma mater, e aí na direcção de Gaston Hall. Este é a “Jóia da Coroa” da Universidade, um auditório imponente de 750 lugares, que tem recebido inúmeros líderes mundiais – ainda há poucos dias este espaço se encheu por completo de público que quis ouvir o Presidente Obama falar sobre a situação económica. Hoje é o Coro de Concertos da Universidade de Georgetown que apresenta, como todos os anos, o seu Concerto Anual de ...  Ler Tudo >>

PEN World Voices Festival of International Literature – 27 de abril a 3 de maio de 2009

[07-05-2009] | Kátia Gerlach
A Casa das Américas abriu os seus salões elegantes para a apresentação de “Mil y una muertes” (2004) por Sérgio Ramírez e traduzido como “One Thousand Deaths plus One” (2009) por Leland H. Chambers.  O autor, considerado uma das mais importantes figuras da literatura latino-americana contemporânea, faz parte da geração subsequente ao boom. Ganhador de vários prêmios literários, inclusive o Prêmio Internacional Alfaguara de Novela I com o livro “Margarita, está linda la mar” (1998), Ramírez abriu mão da carreira literária durante alguns anos para exilar-se voluntariamente na Costa Rica e na Alemanha de onde atuaria ativamente na revolução sandinista que veio a destituir a ditadura Somoza na Nicarágua dos anos oitenta.Numa terça feira primaveril, entre espirros alérgicos sob a nuvem de pólen ...  Ler Tudo >>

Busboys and Poets, uma tarde de poesia em Washington, D. C., “Lendo e Festejando o Mundo e Eu”

[23-04-2009] | Ana Maria Delgado
Busboys and Poets, na intersecção da Rua V com a Rua 14, junto ao corredor da Rua U, Washington, D. C. - uma área do Distrito de Columbia que tem sido um centro da cena cultural e activista com lugares como o Lincoln Theatre, o Howard Theatre, o Bens Chili Bowl, as Bohemian Caverns, o Jazz-Utopia. Era esta a grande zona urbana afro-americana dos EUA, até ter sido ultrapassada pelo Harlem nos anos 1920. A cantora de jazz Pearl Bailey chamou-lhe a Broadway Negra, e em 1968 foi palco de motins que se seguiram ao assassínio do Reverendo Martin Luther King. Hoje em dia, reabilitada e quase sem vestígios de incêndios e destruição, é uma zona residencial e de lojas muito agradável. Muito perto fica a Igreja de St. Augustine, onde as missas são acompanhadas por belíssimos espirituais negros cantados ao vivo. Busboys and Poets é um café, restaurante, livraria, espaço de performanc...  Ler Tudo >>

Os livros do Senhor Presidente

[15-04-2009] | Ana Maria Delgado
Um pequeno passeio pelo amplo espaço da livraria da Universidade de Georgetown em Washington, D.C., leva-nos a uma prateleira onde foram expostos cinco livros, com o letreiro “What President Obama is reading”. Podemos assim seguir as preferências do Presidente Obama em matéria de leituras, observando estes cinco livros que revelam alguns dos seus temas de reflexão. Dois autores negros, três mulheres, duas biografias de Lincoln, os destaques de um Presidente que aparece na capa do número de Inverno / 2009 da Ms. Magazine, edição especial da tomada de posse, exibindo uma t-shirt preta sob camisa branca e gravata vermelha, em pose de quase Super-homem, com a seguinte frase: “This is what a feminist looks like.”  A gerência da livraria está atenta a cada vez que o Presidente Obama menciona um livro numa entrevista ou é fotografado com um livro na mão, sobretudo porque isto signific...  Ler Tudo >>

“Dirty Laundry: Loads of Prose”, por Kátia Gerlach

[27-03-2009] | Kátia Gerlach, Kátia Gerlach
O tema “onde escrevem os escritores”, suas manias e hábitos, os subterfúgios para conseguirem produzir a criatura que pede desesperadamente para nascer, é um tema que metaforicamente dá muito pano para a manga.  Nas últimas colunas, tratamos de falar sobre colônias ou retiros espirituais como Yaddo no estado de Nova Iorque, a casa que praticamente iniciou Truman Capote no ofício.  Falamos sobre os cafés e confeitarias como a Hungarian Pastry Shop no Upper West Side cujas mesas servem de reflexo para a alma e apóiam papel, caneta, laptop e cotovelos, durante horas, enquanto algum líquido esfria no copinho de papel (pouco importa se chá ou café, com uma gota de leite o gosto não se distingue!).  Este, ou aquele, lugares auspiciosos, verdadeiros escritórios ambulantes já que para escrever não se precisa de muitos recursos.  Compartilhar cama e mesa com a musa inspiradora, passar algumas horas acompanhado pela voz secreta que conduz a mão e faz o escritor derramar o preto no branco, o univ...  Ler Tudo >>

Escrevendo na Confeitaria, por Kátia Gerlach

[24-02-2009] | Kátia Gerlach
The Hungarian Pastry Shop, uma confeitaria húngara, próxima ao campus da Columbia University e com vista para a bela catedral St John the Divine, abriga durante todas as estações do ano escritores, lado a lado a estudantes universitários, misteriosos filósofos urbanos (aqueles que, desprovidos de livros ou material qualquer de trabalho, sentam-se a mesa com um copo de papel transbordando o líquido espesso do café puro e contemplam o nada ou o tudo ao seu redor) e turistas (os que ousam sair do circuito Times Square-Estátua da Liberdade e se arriscam até Morningside Heights). Os croissants, biscoitos e strudels de sabores variados encantam os visitantes e os frequentadores habituais como Rivka Galchen, Julie Otsuka, Nathan Englander e outros escritores contemporâneos. As manhãs na confeitaria são mais tranquilas. Rivka Galchen conta que começa o seu dia com três biscoitos e café...  Ler Tudo >>

Yaddo: Making American Culture, por Kátia Gerlach

[11-02-2009] | Kátia Gerlach
Até meados de fevereiro, a New York Public Library oferece a exposição “Yaddo: Making American Culture” organizada sob a curadoria de Micki McGee, sociologista da Universidade de Fordham. Yaddo, cujo nome rima com Shadow (“Sombra”), denomina o retiro artístico localizado na região de Saratoga Springs, estado de Nova Iorque, onde uma seleção de escritores, artistas plásticos e músicos hospedaram-se desde 1926 em busca da musa inspiradora ou de uma fraternidade criativa. Segundo Katrina Trask, fundadora da casa, espalhados por quatrocentos acres os seus convidados seriam capazes de beber da fonte de Hippocrene e encontrariam o Fogo Sagrado para acenderem as suas tochas diretamente na chama.Com o advento da industrialização, surgiu a necessidade de um refúgio das pressões do quotidiano, a quietude requerida para que se pudesse concentrar na criação artíst...  Ler Tudo >>

O autor e os seus leitores

[05-02-2009] | Manuela Degerine
Acabam de ser publicados pelo IMEC, o instituto Mémoires de l'Édition Contemporaine, com o título Journal de Deuil (Diário de Luto), os fragmentos que, num ritmo mais ou menos regular, Roland Barthes escreveu de 26 de Outubro de 1977, após a morte da mãe, até ao dia 15 de Setembro de 1979. Estes fragmentos encontravam-se redigidos em fichas mas separadas do arquivo onde o autor classificava as ideias, citações e reflexões que lhe serviam de base de trabalho. Os leitores reconhecerão no livro a maneira como Roland Barthes passa da sensação à palavra – o discurso amoroso; ou, aqui, o luto – através de textos curtos que, a pouco e pouco, vão traçando uma figura complexa. Encontramos neles a dor, a falta, o vazio, a lembrança: o discurso plurifacetado do luto. Por exemplo, neva em Paris. Roland Barthes sofre: "Ela não estará mais aqui ...  Ler Tudo >>

Selected Shorts, por Kátia Gerlach

[01-02-2009] | Kátia Gerlach
 Contos assombrosos numa noite de inverno, esta era a proposta dos organizadores do evento literário da semana na série “Selected Shorts” (Contos Selecionados) organizada pelo Symphony Space ao longo do ano. Afora, a noite temperada por um frio impassível transformava o teatro em abrigo para os rostos e mãos vulneráveis ao vento do caminho. Joyce Carol Oates, uma das escritoras americanas mais prolíficas da história, subiu ao palco, alta e esguia, com um lenço azul estampado ao pescoço, trajes simples, para apresentar o seu conto que seria lido em seguida. Oates revelou ao público o pano de fundo de “Thanksgiving” (Ação de Graças): uma lembrança muito pessoal da sua própria infância, quando a sua mãe se ausentou por alguns dias devido a problemas de saúde. O conto é linear, simples e ainda assim revelador dos murmúrios d...  Ler Tudo >>

Half Way to a Slow Motion Song

[30-01-2009] | Vanessa de Oliveira Godinho
Uma pedra, por vezes nem é bem pedra, é um bocado de asfalto, Uma pedra precisa de tempo para ser pedra, sem tempo é asfalto a sol azul....O sol e o reflexo do pó no tempo do chão.....O tempo, do chão, da pedra, da roda, e o carro um corpo falante acelerado,......Pisa o pé, roda o carro, fatiga a vida e a míope agita-se.....O calhau,Continua no mesmo lugar,Por baixo a nudez do céuPor cima a negritude sempre estrelar do cosmos,O amigo calhau ali acostado, finalmente, Pergunta-lhe:Vais aonde Miss baby?Vais aonde nesse vestido colorido cheio de batom?Fazer quê com essa boca cheia de palavras?Descansar aonde esse cabelo cheio de barulho?Vais aonde Miss baby, com essa pressa toda?Próximos, muito próximos, perigosamente juntos, a face dela abriu por sobre o asfalto. O pé de delicados dedos jurou sangue à sandália carnalmente fashion. Apeteceu-lhe chorar. Não tanto pela dor...  Ler Tudo >>

A Virgem e a Revolucionária

[18-01-2009] | Manuel Dégerine
A realidade na vida quotidiana, um e um são dois, a Terra à volta do Sol e o preço das laranjas lançam-nos por vezes na busca de uma trancendência. O jornal Le Monde de 7 de Janeiro de 2009 apresenta o novo filme de Manoel de Oliveira num artigo de Jean-Luc Douin intitulado As angústias místicas dos ricos e, nesta sociedade em que o católico praticante se tornou quase tão raro como o urso dos Pirinéus, os debates teológicos e as aparições da Virgem ganham um atractivo insólito: Oliveira ri-se dos teólogos que conseguiram convencer Alfreda de que a Virgem era rica e, por conseguinte, Jesus também, o qual passava as noites no jardim das Oliveiras, propriedade dos avós. Seria a Virgem loura? Eis o tipo de angústia que põe o juízo de uma bela senhora a arder. Também o semanário Télérama de 7 de Janeiro, num artigo de Jacques ...  Ler Tudo >>

O amor é um fio por entre as pernas, por Vanessa Godinho

[16-01-2009] | Vanessa de Oliveira Godinho
Dito assim, parece que feri o teu nome, usei a espada, extorqui-te o sangue. Dito assim, um quarto de hotel não resiste. O medo entra sem bater, explode no braço branco que me empurra para dentro. Tudo o que resta, resta no limiar da porta, resta na força da sombra e do abraço. A bondade da luz deveria ter uma cadência mais calma. Poderia então ter sido a história feita do mel das despedidas, ter sido contada de trás para frente, e o que quer que dali resultasse, teria sido menos bonito do que aquilo que não faltou. A minha alma serena sentada na tua nostalgia.  O espaço está cheio de palavras que morrem, a vida engorda, é tudo tão insípido. Queria ouvir-te bater no meu coração as cinco da tarde, suspeitar a tua voz na minha nuca, pressentir a tua mão no voo das tranças negras. Haveria de regressar a ti da mesma maneira de todas as vezes. Com o fim igual ao ...  Ler Tudo >>

Manuela Dégerine, O mistério e a máscara

[31-12-2008] | Manuela Dégerine
Com uma temperatura perto dos zero graus, o sol não consegue aquecer a multidão que serpenteia à frente do museu de Orsay... Tanto a colecção permanente como a exposições temporárias, em particular Picasso/Manet, atraem, todos os dias, muitos milhares de visitantes. De facto, para além desta exposição-vedeta e das Correspondências, que confrontam Paul Cézanne com E. Kelly e Edouard Manet com V. Bélin, há ainda, no museu, duas exposições que merecem a visita. A primeira, Le mystère et l'éclat, O mistério e o brilho, propõe um percurso pela colecção de pastéis, em treze salas, que vão de uma introdução, O renovamento do pastel no século XIX, com exemplos da utilização do material não só antes (dois retratos do século XVIII) mas também depois (três o...  Ler Tudo >>

O Teste do Ácido do Refresco Elétrico - Tow Wolfe, por Kátia Gerlach

[13-12-2008] | Kátia Gerlach
A comemoração de quarenta anos desde o lançamento de “O Teste do Ácido do Refresco Elétrico” contou com a presença do autor, Tom Wolfe, num teatro do Upper West Side, lotado por uma audiência quase tão eclética quantos os personagens desta história nada fictícia escrita no apogeu da era hippie.  Os anos sessenta, apesar de marcados pela guerra do Vietnam e protestos de paz em todo o país, significaram também uma virada para a classe média americana, a descoberta de liberdade e afluência sem precedente.  A democracia vigente tolerava manchetes de jornal que chegavam a sugerir o assassinato do então presidente Richard Nixon.  Os jovens se rebelavam e formavam comunidades auto-sustentáveis, descobrindo meios financeiros que propiciavam a independência dos pais.Tom Wolfe, jornalista de renome, começou o livro com a idéia de uma ...  Ler Tudo >>

Morreu Michel Laban, por José Pimentel Teixeira

[27-11-2008] | José Pimentel Teixeira
Doente há já alguns anos morreu ontem em França Michel Laban, professor na Sorbonne, especialista de literaturas africanas em língua portuguesa, seu divulgador, tradutor ("Nós matámos o cão tinhoso", de Honwana; contos tradicionais moçambicanos e cabo-verdianos, "De profundis" de Cardoso Pires, entre outras obras), ensaísta, autor de detalhada obra sobre autores moçambicanos, angolanos, santomenses, guineenses e cabo-verdianos, que originaram os oito volumes de  "Entrevista com Escritores" (editados pela Fundação Engenheiro António de Almeida), inestimáveis documentos sobre os processos de formação literária nesses países.(ver ma-schamba)...  Ler Tudo >>

As Ondas de Virginia Woolf, por Kátia Gerlach

[24-11-2008] | Kátia Bandeira de Mello-Gerlach
As Ondas (1931), o sétimo livro de Virginia Woolf, veio ao palco pela primeira vez em Nova Iorque a partir da iniciativa do Lincoln Center de introduzir grandes obras literárias ao público através da música ou de encenação teatral, numa série entitulada The Literary Muse (A Musa Literária).O tratamento admirável dado à obra de Woolf pela diretora inglesa Katie Mitchell transporta o público ao mundo da autora e dos solilóquios de seus seis personagens, cujas vidas acompanha-se desde os tempos de escola até a crise da meia idade. Diversos atores compartilham do palco durante duas horas em que se ouve a leitura intercalada do livro original, auxiliada por uma multitude de sons, imagens filmadas in loco e refletidas na tela gigantesca ao fundo, e o movimento cronometrado dos atores, que representam e colaboram com a produção da sonoplastia e cinematografia simultâneas.Para ...  Ler Tudo >>

Ricardo Rangel. Homenagem de Amigos, por José Pimentel Teixeira

[21-11-2008] | José Pimentel Teixeira
Pioneiro do jornalismo fotográfico Moçambique, olhar único na sua mescla de paixão e ironia, há pelo menos uma década que Ricardo Rangel vem assistindo a uma sucessão de homenagens oficiais. Mais que merecidas, e duplamente pois Rangel não as troca por particular vénia, mantendo-se dono daquele tom jovial, corrosivo, que convoca os circundantes. A pensarem, nisso que lhe são decerto homenagens privadas quotidianas. Que me lembre desde que alguém em Portugal se lembrou de o condecorar como Oficial da Ordem do Infante (1998) seguiram-se a moçambicana Nanchingwea e a francesa Cavaleiro das Artes e Letras (2007). Agora a Universidade Eduardo Mondlane atribuíu-lhe o doutoramento honoris causa, coincidindo com a evocação dos seus 50 anos de actividade profissional como fotógrafo. Efeméride saudada com uma exposição retrospectiva apresentada no Centro Cultural Franco-Moçambicano, "Ricardo Rangel. História, histórias ... 50 Anos de fotojornalismo em Moçambique" – os franceses atentos...  Ler Tudo >>

Moçambique: Das Palavras Escritas, por José Pimentel Teixeira

[17-11-2008] | José Pimentel Teixeira
Foi agora lançado em Maputo o recente livro "Moçambique. Das Palavras Escritas" (Afrontamento, 2008), obra colectiva dedicada à reflexão sobre a literatura moçambicana, organizada por Margarida Calafate Ribeiro e Maria Paula Meneses, ambas investigadoras do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. A sessão pública ocorreu no Instituto Camões local, e contou com uma apresentação a cargo de Nataniel Ngomane e de M. Calafate Ribeiro.O livro contém 12 textos da autoria de académicos brasileiros, ingleses, moçambicanos e portugueses e 3 de escritores moçambicanos: Borges Coelho, que aborda a distinção entre a escrita da história (seu ofício) e da literatura, Patraquim, relacionando a escrita poética e o percurso da história, e Saúte, que evoca o início da sua escrita, despoletada pelo histórico assassinato em ...  Ler Tudo >>

Away de Amy Bloom, por Katia Bandeira de Mello-Gerlach

[11-11-2008] | Katia Gerlach
“Away” é uma daquelas palavras da língua inglesa que não encontra equivalente em outras.  Pode significar passado ou futuro, excluindo apenas o presente.  Pode se referir à ausência física ou psicológica.  Uma palavra de nuances e por isso escolhida por Amy Bloom como título para o seu último livro, lançado recentemente.A autora, que vive em Connecticut, esteve em Nova Iorque, no teatro do Symphony Space para uma leitura do primeiro capítulo do novo livro e discussão sobre o processo criativo.  O livro trata da história de uma refugiada russa recém chegada a Nova Iorque, havendo passado pelo processo de triagem em Ellis Island, e que, por motivos pessoais, resolve retornar ao país de origem à pé, na rota oeste, passando pela Califórnia, o estado de Washington e o Alasca (estreito de Bhering).  A jornada se dá em busca da felicidade idealizada, o reencontro com a filha perdida nos progroms de Stalin.Segundo Bloom, “Away” define-se como uma novela picaresca do século XIX para o século XX...  Ler Tudo >>

Dois livros de Nelson Saúte, por José Pimentel Teixeira

[30-10-2008] | José Pimentel Teixeira
Dois novos livros de Nelson Saúte. Oito anos depois da dupla "O Apóstolo da Desgraça" (contos, 1999) e "Os Narradores da Sobrevivência" (romance, 2000) é o seu regresso à ficção com este "Rio dos Bons Sinais" (edição portuguesa D. Quixote, edição brasileira Língua Geral), dez contos com auto-retrato incluído. Neles mergulha o autor no constante vai-vem entre "tradição" e "modernidade", este casamento cosmológico que vai fazendo o seu Moçambique actual, feito de aparentes rupturas e de um sondável continuidade, essa que Saúte explora em breves mergulhos nos ritos diários, em particular no ritos da morte, esses que ele, muito sabiamente, descortina como momentos da perenidade e do esclarecimento. E neles mergulha, falsa aparência de morbidez, numa escrita que recusa a exotização, da vida e da morte. Também por isso um olhar aqui único, no seu naturalidade. Cosmopolita.  Apenas em edição moçambicana surge também "Escrevedor de Destino...  Ler Tudo >>

Idlewild Books, por Kátia Gerlach

[29-10-2008] |
 Na contramão do mercado, nasceu a Idlewild Books, uma livraria boutique localizada a poucas quadras da Union Square em Manhattan e com uma proposta inovadora: selecionar livros de ficção lado a lado com guias turísticos e culinários de determinado país ou região do mundo. Vizinha de uma gigantesca Barnes & Nobles, a Idlewild encarou o quadro econômico atual e acendeu a luz no mezanino de um edifício na 19th Street, esquina com a Broadway. O interior da livraria não poderia ser mais aconchegante, as colunas de madeira clara e brilhante, o ambiente despojado com cantos e cadeiras onde o visitante pode passar horas folheando livros raros e de edição limitada. Nas noites de quarta-feira, a Idlewild oferece eventos patrocinados pelo New York Council for the Humanities com escritores, tradutores e críticos. A lista completa destes eventos pode ser encontrada na revista em rede. Considerando que apenas seis porcento da literatura estrangeira é traduzida anualmente para o idioma de Shakespear...  Ler Tudo >>

Tormentas de Mandrake e de Tintin no Congo , por José Pimentel Teixeira

[28-10-2008] |
Jornalista cultural, durante mais de década e meia residente no "Expresso", editor, poeta e prosador, António Cabrita emigrou há alguns anos para Moçambique onde actualmente é docente universitário, editor e (sempre) homem de jornal, feito personagem de Maputo. O patrício vizinho acaba de publicar em Portugal "Tormentas de Mandrake e de Tintin no Congo", uma edição da Teorema. Contos a trazerem uma ternurenta galeria de personagens em finais de puberdade, confusas adolescências e iniciais andares, um desenho da geração que brotou nos finais de 1950s, prosa onde se adivinha a reconstrução de uma memória própria, em traços pícaros que o próprio autor serem devedores de Fernando Assis Pacheco e Dinis Machado. Sob os ícones da BD é desta gente que se fala: "Nós éramos miúdos de liceu e após uma partida de bilhar e três palpites sobre miúdas e política, sentávamo-nos invariavelmente ao lado daquela mesa onde os três cinquentões discreteavam sobre as singularidades d...  Ler Tudo >>

20º curso de literatura portuguesa

[26-10-2008] | José Pimentel Teixeira
Iniciado esta semana o 20º curso de literatura portuguesa, uma referência no panorama literário de Maputo. Actividade anual iniciada nos anos 1980s pelo então Adido Cultural português José Soares Martins (o historiador José Capela, especialista na historiografia moçambicana) os cursos são realizados pelo Instituto Camões e pela Universidade Eduardo Mondlane. A efeméride - esta é mais antiga actividade cultural regular no país - foi salientada com a produção de uma exposição documental e iconográfica, incluindo registo das presenças em Maputo no âmbito destes cursos de José Saramago e Eduardo Lourenço, em inícios dos anos 1990s, uma produção da Leitora do Instituto Camões na Universidade Eduardo Mondlane, Maria da Conceição Siopa, também organizadora do curso. Contand...  Ler Tudo >>

Eça de Queiroz no Centro Cultural Calouste Gulbenkian de Paris, por Manuela Degerine

[25-10-2008] |
O centro cultural da fundação Calouste Gulbenkian de Paris tem um papel fundamental na difusão da cultura portuguesa em Paris. No programa deste Outono há, entre numerosos outros eventos, uma conferência internacional sobre a Europa e o Japão dos séculos XVI a XIX (já decorrida nos dias 16 e 17 de Outubro), um colóquio sobre Manoel de Oliveira, uma homenagem a Eduardo Prado Coelho, outro colóquio sobre Camilo Pessanha, uma conferência sobre D. Francisco Manuel de Melo, um seminário sobre a iconografia no teatro... Ontem Eça de Queiroz foi o tema de duas conferências. Na primeira, Elena Losada Soler, depois de sublinhar a frequência do adultério feminino na literatura do século XIX, mostrou que o romancista começara por adoptar a conclusão mais banal: Luísa morre no fim de O Primo Basílio. No entanto, mesmo nesta obra, Eça já se dis...  Ler Tudo >>

“Off the Page” de Carole Burns, por Katia Gerlach

[20-10-2008] |
Para aqueles interessados nos segredos dos bastidores da ficção, o livro “Off the Page”, editado por Carole Burns, contribuinte do jornal em rede do Washington Post, divulga um pouco do processo criativo de escritores ilustres como Edward P. Jones, Joyce Carol Oates, Jhumpa Lahiri, Marisha Pessl, Alice McDermott, Martin Amis, Russell Banks, Michael Cunningham, e outros.  A.S. Byatt conta que começa as suas novelas pensando em cores, ao invés de idéias ou palavras.  Richard Bausch declara que não se ensina a escrita, porém paciência, rigor, teimosia, a capacidade de fracassar e a vida como ela é em geral.  Será que os escritores se degladeiam com a realidade?  Onde buscar inspiração caso a musa não apareça?  Os personagens fictícios se baseiam em pessoas conhecidas, nascem da pura imaginação do criador, ou são uma mistura de am...  Ler Tudo >>

Exposição Picasso/Manet no Museu de Orsay em Paris (até ao dia 1 de Fevereiro), por Manuela Degerine

[20-10-2008] |
Paris homenageia neste momento Picasso com três exposições: Picasso e os Mestres no Grand Palais; Picasso e Delacroix no Museu do Louvre; e Picasso e Manet no Museu de Orsay. A exposição no Museu de Orsay é inteiramente dedicada ao trabalho inspirado por um quadro de Manet: O Almoço no Campo. Começa com o apontamento de Picasso num envelope usado, provavelmente em 1932, quando visita a retrospectiva da obra de Manet no Museu de l’Orangerie: “Quando vejo o Almoço no Campo de Manet, digo a mim mesmo: dores para mais tarde”. E, de facto, em 1954, Picasso copia as quatro personagens do quadro num caderno: uma verdadeira cópia, fiel à obra de Manet; porém, a partir de 20 de Fevereiro de 1960, começa uma série de variações sobre este quadro, que o conduzirão, ao longo de dois anos e meio, a realizar 27 quadros, 140 desenhos e 3 linóleos, que expõe em Julho de 1962 na galeria Louise Leiris.O quadro de Manet representa quatro personagens: um homem, sentado na relva, mostra uma mulher nua, a qu...  Ler Tudo >>

State by State: um panorama antológico, por Kátia Gerlach

[13-10-2008] | Kátia Gerlach
Em decorrência da homogeneização cultural americana nas últimas décadas, fortalecida pelo movimento de migração interna e uma concepção urbana inovadora, o traçado das fronteiras interestaduais veio se apagando e hoje os americanos, insulares como um todo, continuam em busca de identidade. Relatos auto-biográficos e afins compõem o interessante livro State by State, A Panoramic Portrait of America (Estado por Estado, Um Retrato Panorâmico da América), lançado nesta sexta-feira pelos editores Matt Weiland e Sean Wilsey, que se beneficiaram de um filme caseiro, uma espécie de YouTube mais demorado, para explicar o processo de criação e dar voz a alguns dos cinquenta autores da antologia.  A idéia do livro nasceu de um antigo programa do governo americano (“WPA Federal Writers Project”), parte do New Deal do presidente F.D. Roosevelt lançado nos anos trinta e que subsidiou durante três décadas, em torno de seis mil escritores americanos, com uma verba de cinquenta e sete milhões de dólare...  Ler Tudo >>

Best American Short Stories 2008, por Kátia Gerlach

[07-10-2008] | Kátia Gerlach
Esta antologia, que vem sendo editada há trinta anos, contou neste ano com a edição de Salman Rushdie, primeiro escritor estrangeiro a participar de um processo seletivo marcadamente americano, embora abrangendo escritores canadenses.  Os contos advêm de diversas publicações nos Estados Unidos e Canadá (New Yorker, Granta, Iowa Review, Harper, dentre outras) e Salman Rushdie teve em mãos 120 histórias, das quais vinte vieram a ser publicadas com base nos elementos da surpresa, do humor e da energia.  Em 2008, as questões domésticas (o drama familiar, os desentendimentos entre pais e filhos, as separações, o individualismo) e religiosas prevaleceram.  O papel de Deus e da religião fixaram-se como preocupações em âmbito geral, visando tapar o buraco existencial onde se encontram os protagonistas e personagens afins.Nas palavras de Rushdie, atualmente profess...  Ler Tudo >>

Nuits Blanches, por Manuela Degerine

[06-10-2008] | Manuela Degerine
A expressão francesa "nuit blanche" designa uma noite durante a qual não dormimos ou por insónia ou por nos dedicarmos a outras actividades – entre as quais, de há alguns anos a esta parte, podemos apontar um evento com o mesmo nome. As "Nuits Blanches" começaram em Paris e difundiram-se rapidamente, não só pela França, mas também pelo mundo. A noite passada tornou-se assim ocasião para milhão e meio de pessoas circularem durante toda a noite pela cidade, participando em mais de duzentas manifestações artísticas que, com frequência, associavam cinema, música e arte contemporânea, das quais dou alguns exemplos: um ecrã gigante na Torre de Saint-Jacques, um espectáculo de kung-fu na Comédie Française, o concerto poético de Patti Smith, sequências de filmes à moda de bollywood... Bons argumentos para ...  Ler Tudo >>

Marias deste Mundo, por José Pimentel Teixeira

[05-10-2008] |
"Marias Deste Nosso Mundo" (Ndjira, 2006), de Maria Helena Massena Ferreira. Médica pediatra do Hospital Central, professora universitária (presumo que jubilada), de ascendência portuguesa e residente em Moçambique desde os anos 50, quando aportou já mãe à então colónia. Na nota biográfica descrevendo-se como de um núcleo familiar oposicionista ("Democratas de Moçambique"?, não está explícito).Livro de memórias, sem objectivos literários, consta de 5 pequenas histórias (e um poema), das muitas que a médica terá para recordar. Esse o seu interesse central, o eco da permanência das "doenças da fome" - tantas vezes esquecida quando apresentadas no seu avatar subnutrição -, descritas com alguma minúcia bem como a sua recorrência no mundo infantil. Acompanhando-as vem também a memória da desestruturação das redes familiares que a guerra provocou, de como fez grassar não só as doenças como a incapacidade dos núcleos familiares se reproduzirem.São sempre textos s...  Ler Tudo >>

Novo Livro de Ondjaki «Avô Dezanove e o segredo do Soviético»

[03-10-2008] | Vanessa Godinho
Quando leio livros de Ondjaki, como Os da minha Rua e o último, Avô Dezanove e o segredo do Soviético, envolvo-me de nuvens mansa melancolia, visito infância, visito lugares com cheiros que não se apagam, cheiros de manga, de sal, de ruas sem medo de corridas de inocência. Assistir ao lançamento do Romance «Avô Dezanove e o segredo do soviético» foi uma corrida contra o trânsito garrafeiro de Luanda. A sala tardia estava já composta, borbulhando de pessoas de início tímidas, que arreliadas por uma criança atrevida cheia de perguntas inocentes, desabotoaram-se e testaram as suas ideias sobre o autor. Este como lhe é habitual, resolveu-as com uma seriedade amiga de muito humor. Este Romance de manga e sal, escorre sobre Luanda nos anos oitenta e fala histórias de crianças da praia do Bispo e o modo como desacompanharam as obras do Mausoléu de Agostinho Neto...  Ler Tudo >>

Clarice Lispector – A Hora da Estrela, por Sílvia Chueire

[03-10-2008] | Sílvia Chueire
Deparar-me com os olhos de Clarice a saltarem da penumbra da sala de exposições olhando direto nos meus e ler a sua frase “Ver é a pura loucura do corpo”, foi uma surpresa. Não se espera ir a uma exposição cenográfica que assinala os 30 anos de morte da escritora e da publicação de A Hora da Estrela seu último livro publicado em vida, e dar com a escritora, a mulher, ali, tão próxima. Este é o efeito que tem no espectador a exposição “Clarice Lispector - A Hora da Estrela”, que estará no Centro Cultural Banco do Brasil, o CCBB no Rio de Janeiro, até dia 05 de outubro próximo.Com a cenografia a cargo de Daniela Thomas e Felipe Tassara, somos conduzidos ao universo de Clarice cuidadosamente e no modo silencioso, à meia-luz, que propicia a introspecção.Cercados de frases de seus livros, fotografias ampliadas do rosto de ...  Ler Tudo >>

Crónica novaiorquina - Doses de Hiper-realismo?

[03-10-2008] | Kátia Gerlach
Comprovando a tendência atual da atração pelos reality shows, as novelas históricas, os documentários a la Michael Moore, Nova Iorque termina o mês de setembro com alguns eventos que refletem a vontade do público contemporâneo de explorar a realidade na sua crueza, querendo-a apenas afinada pela sofisticação artística dos que a embrulham em peças de teatro, filmes, séries de televisão, revistas fotográficas, dentre outros.A Man For All SeasonsVoltou a estrear na Broadway, a peça A Man For All Seasons (Um Homem Para Todas as Estações), escrita por Robert Bolt (1925 – 1995) em 1960. Inspirado na sua admiração por Sir Thomas More, Bolt trouxe para o palco, sem romantismo, o confronto moral entre More e Henrique VIII, confronto este que culminou na ruptura entre a coroa inglesa e a Igreja Católica em 1532. Com Frank Langella como protagonista...  Ler Tudo >>

Babar em visita a Nova Iorque - uma exposição encantadora

[03-10-2008] | Katia Gerlach
Assistimos na semana passada a abertura da exposição "Drawing Babar, Early Drafts and Watercolors" na Morgan Library and Museum em Nova Iorque.Espalhados por três salas do museu, os desenhos e aquarelas de Jean de Brunhoff (1899-1937) e de seu filho e sucessor Laurent de Brunhoff (n. 1925) oferecem um registro extraordinário sobre o método de trabalho de ambos, artistas plásticos transformados em escritores.Desde as origens de Babar, o pequeno elefante que perde a mãe na floresta, e exerce o papel de protagonista nas diversas histórias da coleção, até a introdução da Rainha Celeste, os rascunhos em exposição mostram o processo de criação em sua essência e a integração entre a arte plástica e a ficção.  Na edição semanal da revista New Yorker (22 de setembro), um artigo de Adam Gopnik discursa sobre as...  Ler Tudo >>

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Editor: António Manuel Pacheco

Tua coxa é lisa


Tua coxa é lisa, o lado de dentro. Você é peixe de uma única escama, liso com ela e sem ela. Meus dentes não te rasgam, escorregam, escoriar tuas pernas é um descuido que me agrada. A mulher raspa tua cabeça, dinâmica debaixo d’água pra te salvar das Iemanjás. Azar dela, eu não preciso de oxigên...  Ler Tudo >>
[04-02-2012]  |  Andréa del Fuego
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Do "Livro das Pequenas Coisas"


5

Só o canto, que nem sei o que seja, me possui. Como se houvesse aqui uma faúlha de eternidade.

Casimiro de Brito
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[03-02-2012]  |  Casimiro de Brito
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Entreacto


Repassada do desejo daqueles risos que se perderam e da lembrança dos encantos que nunca chegaram a acontecer, está a casa, palco deserto, onde outrora fantoches ensaiavam uma monótona coreografia. Aí, já não cabem as aparentes histórias nem o som de vidas a fenecer. Ouve-se, somente, o rangido ...  Ler Tudo >>
[02-02-2012]  |  Julieta Ferreira
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Ohne Wasser


Ninguém sabia por que ela criava amebas ambíguas no aquário.  Não tinha peixes.   Com a sua cara de sardas, frequentava o Café Flor e sorvia Kir Royal em copo de Campari.  Sentia o beijo lambido que o argelino lhe dera na orelha, ainda de manhã.
Ele vestia black-tie.
Ela mal sentia a boca ...  Ler Tudo >>
[01-02-2012]  |  Kátia Bandeira de Mello-Gerlach
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Bomba atómica


A bomba vai explodir. Já está armadilhada. Só falta digitar o código de acesso e premir o botão.
— Vou-te deixar.
D. sufoca no ar que o rareia e leva as mãos ao peito. A dor fragmenta-se em inúmeros pedaços de amor tóxico. D. cai no soalho, fulminado por palavras terroristas, uma bomba at...  Ler Tudo >>
[31-01-2012]  |  Bruno Barão da Cunha
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Anotações


Ver é diferente de dizer o que se vê. Ver apenas, não incomoda o mundo. O homem está no remate da sua vida, mesmo que ignorasse como dedilhar o tempo há um espelho na parede, antes usado sobretudo para o ensaio de esgares mulherengos. Esse artefacto tem-lhe servido para desconvocar o eco da casa...  Ler Tudo >>
[30-01-2012]  |  Gabriela Ludovice
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Tintureiro


O china era mais cuidadoso com o ferro de passar. Seu empregado, ao contrário, usa-o como se fosse um trator. O resultado são as feridas em minhas costas. Às vezes, ele joga água em excesso sobre a roupa, e o contraste com o ferro quente tem-me provocado constipa&cced...  Ler Tudo >>
[29-01-2012]  |  Álvaro Cardoso Gomes
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O adeus


Nos clássicos movimentos de um cumprimento, a mão do doutor Proença desprendeu-se. Acidente: que, no aperto de dona Josefa, não houve ardor.
Ao sentir coisa grudada aos dedos, num gesto de automática defesa a senhora sacudiu. Projectada, a mão do doutor Proença caiu, enérgico desamparo, no em...  Ler Tudo >>
[28-01-2012]  |  Augusto Baptista
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Correspondências

Uma viagem à índia - 13

O tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os senti...  Ler Tudo >>
[05-08-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 12

"[...]a verdade é o dinheiro." CantoX, 16   "Ea estranheza é esta: mais contida fica a prostituta à medida que o vinhoavança." CantoX, 22   "Opior sítio para estar vivo é entre aquilo que um dia nos exige e aquilo que oeter...  Ler Tudo >>
[26-07-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 11

"Entre  dois cães raivosos em batalha, não há espaço para a pausa."Canto IX, 3 "[...] o melhor lado não é perfeito, porque é lado - e um lado tem sempre o lado oposto."Canto IX, 33 "O inesperado insinua-se no que parece definitivo e ninguém se conhece antes de morrer. Ámen.&...  Ler Tudo >>
[19-07-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 10

"O que é o passado? Tempo que cada vez ocupa menos espaço [...] O presente - agora neste momento - ocupa todo o espaço que nos rodeia." Canto VIII, 2 "Núpcias da História com a Imaginação provocaram mais filhos e cópulas divertidas do que núpcias da Verdade com a boa memória[...]; mas...  Ler Tudo >>
[12-07-2011]  |  Susana Leite
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Andrei Rodosski – Entre escombros e flores, não deixar que a chama se extinga

Neste ano, em que se assinalam 95 anos sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro (26 de Abril de 1916), foram editados, em São Petersburgo, no volume XXVI da revista literária “Sfinx” (“Esfinge”), 10 poemas do escritor, traduzidos em russo (“Álcool”, “A queda”, “Nossa Senhora de Paris”, “Salomé”, “Certa...  Ler Tudo >>
[10-07-2011]  |  A. L. Simões Gamboa
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Uma viagem à índia - 9

"A idade certa para conquistar o mundo é hoje. O homem levanta as interdições, avança, e quando se prepara para saltar: cai."Canto VII, 2 "Cair como a folha da árvore, tranquila e lenta, e subir como certos animais - a águia ou o avião guerreiro. A mobilidade inspira.[...]Canto VII, 3...  Ler Tudo >>
[05-07-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 8

"Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São ...  Ler Tudo >>
[30-06-2011]  |  Susana Leite
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Uma viagem à índia - 7

"[...] quem relembra inventa: tudo começa de novo."Canto III, 5 "A intensidade com que se é esmagado não importa, de facto, o que importa é a intensidade que nos resta depois de sermos esmagados."Canto III, 75 "Se o progresso dependesse dos domingos, ainda andávamos de carro...  Ler Tudo >>
[24-06-2011]  |  Susana Leita
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Balanço Literário da Década

Balanço Literário da Década

Terá início em Setembro no CNC um ciclo que tem por objectivo fazer o balanço literário da última década. Organizado em parceria com a PNETLiteratura – um site que visa aproximar a lusofonia literária, contará com a intervenç&atild...  Ler Tudo >>
[21-09-2010]  |  Editor
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Traduzindo...
Coordenação: Maria do Carmo Figueira

CONCURSO

No site http://disquiet.com/thirteen.html, aparecem links para 16 (dezasseis!) versões diferentes do poema “Autopsicografia” de Fernando Pessoa em inglês. O poema é tão conhecido na língua em que foi escrito que qualquer uma das versões provoca gr...  Ler Tudo >>
[29-10-2010]  |  Maria do Carmo Figueira
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Colaborações Literárias
(reservado o direito de selecção)
                                                       Álamo Oliveira

as amigas de taunton

as minhas amigas de taunton gostam da américa devagar    como se fosse de mim. sabem cantar como ...   Ler Tudo >>
[15-01-2012]  |  Álamo Oliveira
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                                                       Álvaro Gomes

A seta, a montanha, o rio, a treva

Toda minha existência sonhei encontrar um poema que me transmitisse sentimentos autênticos. Em vão...   Ler Tudo >>
[16-01-2012]  |  Álvaro Cardoso Gomes
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                                                   António Ganhão

O Despertar dos Verbos

Título: O Despertar dos Verbos Autor: Mário Domingos Editora: Edium Editores Ano: 2011   O Despertar...   Ler Tudo >>
[30-01-2012]  |  António Ganhão
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                                                        António Lobo

POKER COM POSÊIDON ... PARTE II

  ‘ Tirem os chapéus depressa” disse o saltitao que continuava com os olhos esbugalhados pelo susto,...   Ler Tudo >>
[28-03-2011]  |  António Lobo
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                                      António Manuel Pacheco

Tolstói e o Diabo

Um dos mais inquietantes personagens de Tolstói é um jovem russo de vinte e seis anos que        l...   Ler Tudo >>
[27-01-2012]  |  António Pacheco
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  De Maceió-Alagoas – Brasil              Carlito Lima

ATÉ O DOMINGO AMANHECER

- Doutora, na verdade estou cansada, enjoada de meu marido, casei-me cedo aos 18 anos, hoje com 25 ...   Ler Tudo >>
[02-12-2011]  |  Carlito Lima
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                                                           Daniel de Sá

Em nome de Deus

“Em nome de Deus amém”. Assim começa, como muitos outros, o documento em que a Marquesa de Arronche...   Ler Tudo >>
[06-01-2012]  |  Daniel de Sá
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KARAKARIOKA (V) – Perto dos guarda-sóis

Em estado de alarme, abriu os olhos para o céu. Cegou-se com aquela luz ofuscante que fazia tudo fi...   Ler Tudo >>
[11-08-2011]  |  Editor
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                                     Eduardo Bettencourt Pinto

Domingo

A manhã avança lentamente, cinzenta. As árvores têm um silêncio pesado, inabitável, enquanto o Inve...   Ler Tudo >>
[02-02-2012]  |  Eduardo Bettencourt Pinto
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                                                   Francisco Rogido

Crônicas Implacáveis – Diário de Tuvalu IV - Os Efeitos maléficos de Hollywood

Os Efeitos Maléficos de Hollywood Quando adolescente, eu queria ser um desses jovens fo...   Ler Tudo >>
[03-01-2012]  |  Francisco Rogido
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                                                            Nuno Vieira

João (2ª parte)

Ainda não tinha falado com a mãe sobre a mudança, ia falar, estava nos seus planos falar. Faltava ...   Ler Tudo >>
[26-10-2011]  |  Nuno Vieira
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                                                Urbano Bettencourt

Imagens do Concelho de São Roque do Pico

Não é um livro recente. Mas  o facto de ir numa segunda edição e, mais do que isso, o reconhecimen...   Ler Tudo >>
[02-02-2012]  |  Urbano Bettencourt
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                                                   Vamberto Freitas

Cultura Para Todos Os Gostos, E Para Quem Não Tem

Todos os homens têm o direito de ser estúpidos, mas o camarada MacDonald abusa do privilégio. Leon ...   Ler Tudo >>
[03-02-2012]  |  Editor
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A Senhora da Roda de Prata

Ele observava a Lua, como fizera em quase todas as outras noites anteriores. Cotovelos pousados, n...  Ler tudo >>
[14-12-2011]  |  Paulo Serra
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Poema

quando o sol se abre em nós a tua cara resplandece fulgor de lua prata no olhar mãos de mel que serp...  Ler tudo >>
[14-11-2011]  |  Paulo Serra
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A poesia do cotidiano de Ronaldo Cagiano

I                     O sol nas feridas é um inventário lírico da trajetória de Ronaldo Cagiano (196...  Ler tudo >>
[01-02-2012]  |  Adelto Gonçalves
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Dicke: a reparação de uma injustiça literária

I                     Em algum lugar, este articulista já escreveu – e repete-o agora – que, daqui a...  Ler tudo >>
[02-02-2012]  |  Adelto Gonçalves
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LITERATURA JURÍDICA
Parceria

Espaço-parceria para Literatura Jurídica

Espaço disponível... 
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[11-06-2010]  |  Vítor Coelho da Silva
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Espaço editorial

Espaço reservado a eventual Parceria.... 
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[28-10-2008]  |  Vítor Coelho da Silva
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Literatura Popular
Literatura Infanto Juvenil

O Pé de Cereja e o Encanto do seu pé

Tenho um pé de cereja encantado ao lado do último olhar. Em frente, um botão de púrpura calado. Pela mão esquerda enxergada colho uma letra breve. O dedo indica-me a clave e perguntou-lhe: ­- Sol, ... 
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[31-07-2011]  |  Aval Ariam Sanchéz
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MAQUILLAGE. SAIGON. TAKE 3. 1943.

Há um lábiopintado rouge deolhar                           olhar derouge esguio paraa direita      direita  apara esguio em                                                                   em ceguei... 
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[30-07-2011]  |  Aval Ariam Sanchéz
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Sexto planeta desta sesta (Calão Minderico)

No quadrazal da classe do touquim piámos que as da classe da piação seriem gambiadas nos quintos planetas de cada sesta porque os charales que jordarem as do joão das penhas à Classe do Mestre Migança... 
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[16-11-2010]  |  Editor
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Monte Selvagem já reabriu

Ná página Crianças do Público de hoje, o destaque de Helena Melo vai para Montemor-o-Novo. (Agasalhem as crianças e visitem o Monte Selvagem.) Depois de três meses encerrado para manut... 
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[04-02-2012]  |  Letra Pequena                                                  Ver Mais >>
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FLIP 2011 - Mesa 06 - Pontos de fuga - valter hugo mãe

Valter que veio da nossa mãe pátria Portugal - nos emociona com seu texto simples, bem humorado e sincero. É lindo mesmo,ver-nos brasileiros respeitados e reconhecidos por nosso jeito de ser e viver por nosso irmão colonizador.

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