As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste. João Cabral de Melo Neto
Ainda as Correntes, como entes queridos a delirem-se devagar no ferro dos dias, na estranheza da ausência. Eis o belo texto aí lido pelo escritor uruguaio Milton Fornaro.CADA PALABRA ES UN PEDAZO DE NOSOTROS MISMOS “Dijo Dios: ‘Haya luz’, y hubo luz. Vio Dios que la luz estaba bien, y apartó Dios la luz de la oscuridad, y llamó Dios a la luz ‘día’ y a la oscuridad la llamó ‘noche’.” Esto que acabo de leer está en el Génesis, el primer libro de la Torá hebrea, que es también el primer libro de la Biblia.Allí hay un relato de cómo el Creador, Yhavé, Dios, hace el mundo. Como habrán advertido por lo que leí, que podría corroborarse más adelante si se continuara con la lectura, el Creador construye el universo de una manera muy singular: primero nombra y luego hace. La palabra entonces, ya desde aquel principio, se ...
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Regressa-se da Póvoa e sentimo-nos mais pobres. Em casa, voltamos a ligar a televisão à hora dos telejornais, o mundo, como um aluvião de desgraças, invade-nos a sala e os ouvidos. Regressam, pela manhã, as filas de trânsito, as filas congestionadas de antanho, irresolúveis e eternas. Agora, cedo bem cedinho não encontramos à mesa do pequeno-almoço escritores a falar de livros, pessoas dispostas à conversa sobre a escrita e o mundo dos escritores. De volta a casa, torna-se o amador em coisa desasada, sem quem o ouça, quem consigo partilhe o gosto pelas páginas. O Manuel da Silva Ramos, antes de partir, confessava ter sérias dificuldades em explicar ao seu gato o que consigo se passara. E temia responsabilizá-lo por, regressado, não ter cama feita, comida na mesa e chófer à porta: «Gato, então o meu jantar?!» Faz parte da vida. Chega...
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A bonita lembrança de Rosa Lobato FariaO vento destas CorrentesO capacete mineiro de Manuel da Silva RamosA Barbie com defeito de produçãoAurelino a tocar e a dizer poesiaA incrível história de Malangatana descendo de um hotel pela janela na horizontalPorque foi tão difícil a Manuel Jorge Marmelo chegar a Cabo VerdeE, sim, a leitura de Paulo Moreiras que aqui irá chegar em breveTal como a de Maria Teresa HortaE a de Vítor Burity da SilvaE as histórias de Alice e sua irmã gémeaE a boina branca de Manuel Rui a servir como gpsE Germano de Almeida que pelo seu tamanho dispensa gpsE o sorriso e simpatia de Gilda Nunes BarataE a bela intervenção de Mário ZambujalE uma anedota de Onésimo: Um bêbado que dizia «Eu bebo, bebo, mas não passa, porque as minhas mágoas sabem nadar»E o traço de angústia nas palavras de Ricardo Menendéz Sa...
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Quatro da manhã. Lá em baixo ainda anda gente... (cantaria o Sérgio Godinho) São os resistentes das Correntes. É a última noite, a já famosa noite de sábado. Aurelino vai a casa buscar a guitarra. Falta-lhe um espanhol para o quadro ficar completo, assim à Picasso. Venha um argentino, e tenha-se o Pablo Ramos, venha uma outra porteña, e tenha-se Cristina Norton. E tenham-se canções e poemas e tangos. Mesmo que ele seja Peronista, mesmo que ela seja anti-Peronista. A música a uni-los, intervalada com as canções portuguesas nas vozes insuspeitas de Manuel Alberto Valente, Onésimo ou até Milton Fornaro. Maria Teresa Horta cerra os olhos, deixa-se ir. Manuel da Silva Ramos pede uma outra canção; milonga? Tiago Gomes vai distribuindo a Bíblia entre o bar e a ampla sala de estar do hotel. João Paulo Sousa liberta-se um pouco de si mesmo, mais uns ...
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Os lançamentos de livros são um outro must das edições das Correntes. O ano presente não escapou à regra e muitos têm sido os livros aqui apresentados em primeira mão. Eis alguns deles: Manuel da Silva Ramos lançou «Três Vidas ao Espelho», obra que considera «não como uma mala de cartão, mas uma caixa de Pandora cheia de gargalhadas», mais dizendo ser um livro «que ri e dói em andamento», um romance «alegre e reparador» em torno de um elogio ao emigrante português e do universo singular dos contrabandistas da Raia. A conhecer, a história de dois emigrantes de sucesso durante os anos da Velha Senhora, duas personagens que se arrancaram ao chão de uma aldeia perdida entre pedras e solidão, nos arredores de Vilar Formoso.Ana Luísa Amaral lançou «Inversos - Poesia 1990-2010», obra que reúne ...
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O título deste post parece coisa de antanho, que de «correntes» em escolas já lá vai o tempo. Isto, descontado o aparte de hoje em dia muitos professores se sentirem acorrentados às escolas, mas isso por via de outros quinhentos para aqui não chamados. Falar de Correntes nas escolas, bem ao contrário, na Póvoa significa apenas falar de um dos vectores mais bem sucedidos sobre os quais se constrói este Encontro de Escritores. Escritores que não se cingem às mesas de debates para público adulto, mas que, todos os anos, são convidados a partilhar as suas experiências de vida e de escritas com os alunos de diversas escolas da região. Por estudar está a mais-valia que daqui por uns anos esse facto poderá constituir para a afirmação da cidade enquanto pólo difusor de cultura e de criação. Este ano o tema proposto aos autores para desenv...
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1. Afinal, o Papa morreu ou não?2. O Onésimo, já chegou?3. E o Albano Martins, nunca foi convidado?4. Sabias que ele era primo direito do Eugénio de Andrade?5. E a pessoa rude e desagradável que o Eugénio era?6. E o meu Zippo, Milton?7. E o Bolaño, já foi lançado?8. Conhecem os Bolaño, alguém perguntava?9. E o rato da Europa?10. O rato ou o rapto?11. E correu bem a mesa? Claro, com quatro pernas!12. E o Paulo Moreiras, como vai conseguir ultrapassar aquela ansiedade?13. Cognac?14. E as estrelas?15. No céu ou na ter...
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Leitura do texto desenvolvido a partir do mote:«Pedra a pedra, o poeta constrói o poema» algumas aproximações entre pedras, poemas e poetas: O poeta monumenta as emoções; por isso há poemas e livros que se confundem com catedrais.O poeta, como as pedras, faz-se de matéria-silêncio.Se o poeta quiser uma pedra pode ser um poema.O poeta é um pedreiro cujas pedras traz no peito.O poeta é um lapidário de sentimentos.O poeta, como as pedras, precisa de solidão para medrar.O poeta poetiza pedra a pedra, mas convém que não transforme os poemas em muros de lamentações.Pedra a pedra o poema se constrói, mas convém que não se confunda com o imobilismo das pedras.Há quem olhe para a pedra dos poemas como se olhasse para calçadas. Por isso há quem pise a poesia, desconhecendo pisar a vida, esse solo frágil.Enquanto pedr...
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Dia de trabalhos forçados para este escriba aqui na Póvoa. Presença numa mesa de debate pela manhã, ao meio-dia e picos lançamento de um livro, à tarde encontro numa escola preparatória (ébês, como lhes chamam hoje…) de Rates. Agora, terminada a gesta, sentindo-me, fisicamente, mais um pobre escritor na Póvoa de Varzim, darei antes conta de alguns digestivos de circunstância em matéria de conversas havidas. Ao pequeno-almoço a boa surpresa do reaparecimento de Manuel Rui, já mais restabelecido da sua tensão alta – nada que a presença aqui hoje na Póvoa dos seus netos, que presumo terem vindo expressamente para ouvir o avô, não ajude a colmatar a maleita mais depressa do que quaisquer comprimidos. Ala-Arriba, como aqui se diz, no relógio do dia, passando às pobres viandas servidas ao almoço. O vinho, diga-se, deixou tamb&eacu...
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Não está fácil, confesso que não está fácil. A edição das Correntes deste ano parece-me com dificuldades em impor o seu ritmo habitual. Talvez seja do mau tempo que por aqui se tem abatido, talvez seja das muitas caras novas ainda pouco à-vontade com o modus vivendis habitual do Encontro, talvez seja da ausência de alguns «habituais» que vão chegando a conta-gotas. Mas lá vão chegando, Michael Kegler, o alemão mais português do Brasil que conheço, sempre interessado na cultura portuguesa, sempre perguntando por novidades, mostrando-se atento ao correr da blogosfera, ele e a sua sempre meritória Nova Cultura. Depois, Catherine Dumas, Ana Luísa Amaral, e, hellas, ao jantar, Francisco José Viegas, logo granjeando particulares atenções, tal como ao almoço acontecera com a chegada de Zuenir Ventura, este à hora do alm...
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A primeira mesa de debate marcou o dia de ontem. Sujeita a mote no mínimo desconcertante, logo, logo, para muitos que ignoravam a proveniância da frase a glosar, tudo se clarificou ao saber-se da lavra de quem saíra: Agustina Bessa-Luís. Eduardo Pitta foi o primeiro a fazer a "confissão" sobre uma frase que lhe pareceu «arrevesada e disparatada» e outros, embora não explicitamente, lhe seguiram o exemplo. Analisando, de uma forma ou de outra, o aforismo, os circunstantes-palestrantes lá foram levando a água ao moinho das suas comunicações, uns trazendo texto preparado, outros desenvolvendo no momento. Ana Luísa Amaral e Pitta leram alguns poemas, escalpelizando os seus sentidos, Francisco Moita Flores optou por ir directo às emoções, contando, de alguma forma, a sua vida e o modo como chegou à escrita. Noutro plano de intervenção, o escri...
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Como peixe na água, mulher de letras que é há muitos anos, Isabel Alçada, actual Ministra da Educação, passeou o seu charme pelas Correntes d'Escritas, onde esteve encarregue de abrir a edição deste ano, lado a lado com José Carlos Vasconcelos. O jornalista, director do «JL», abriu as hostilidades biografando a carreira da ministra, mais, e naturalmente, fazendo-o sublinhando o seu percurso enquanto professora e depois, com Ana Maria Magalhães, autora de sucesso com a série infanto-juvenil «Uma Aventura», que, segundo as contas de Vasconcelos, rondará hoje a cifra dos onze milhões de exemplares vendidos. É obra - vincou antes de passar a um discurso encomiástico sobre o papel de relevo de Isabel Alçada à frente do Plano Nacional de Leitura. A ministra sorriu e agradeceu. Discursou em seguida para estabelecer, com modéstia, uma certa ...
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É a nova revista das Correntes, contendo textos (contos, poesia, ensaio) diversos de vários autores participantes e um dossier homenageando Agustina Bessa-Luís. Vai andar por aí, ou por aqui, para ser mais assertivo, de mão em mão, de escritor em escritor. Dela, um poema breve, de A.M. Pires Cabral:«Eis um computadorno lixo. E todaviao crânio de lata teve memória dentro- gigabytes dela! -.fez as quatro operações,aceitou versosno seu imavuladobranco virtual.Agora já não somanem subtrai,nem geme poemas, nem sublunhaerros de ortografia.Os pingos de solda, precáriosmetálicos neurónios,perderam a memória.Já que te antecipaste,companheiro,diz-me como é não funcionar.E se a ferrugem dói.(Como se Bosch tivesse enlouquecido)»...
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Corroborando o sentido de voto do júri do Prémio Literário Casino da Póvoa, repego a recensão que assinei aquando da saída do livro para o mercado livreiro.A literatura é um espelho do tempo. Tirada banal, sem dúvida, mas que colhe por inteiro aqui escrever-se à luz do novo romance de Maria Velho da Costa. De gestação literária pouco prolífica ou regular, a autora de «Maina Mendes», «Casas Pardas», «Missa in Albis», «Dores» ou um mais recente «Irene, ou o Contrato Social», não necessita, porém, de continuados encontros com os escaparates das novidades para se instituir como uma das nossas melhores mãos à escrita. Este poderoso «Myra», se preciso fosse, confirma-o, oferecendo-nos um magnífico photomaton do Portugal em que vivemos. No seu pior, entenda-se.Esqueçam os rodriguinhos, as pa...
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O romance «Myra» (edição Assírio & Alvim), de Maria Velho da Costa, acaba de ser distinguido com o Prémio Literário Casino da Póvoa. A escritora sucede assim a Gastão Cruz, vencedor no ano transacto, e a Ruy Duarte Carvalho, vencedor no ano imediatamente anterior. Na deliberação do júri pode ler-se que, por maioria, o voto foi entregue a «Myra» «tendo em atenção a grande qualidade literária da obra, a modernidade dos processos narrativos e a corajosa abordagem de temas de grande actualidade». Apenas dois dos membros do júri manifestaram voto noutro sentido. Vergílio Alberto Vieira votou no romance «A Mão Esquerda de Deus», de Pedro Almeida Vieira, e Patrícia Reis votou no romance de Inês Pedrosa «A Eternidade e o Desejo», ambos editados na Dom Quixote. Foram ainda finalistas os seguint...
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A más horas, embora não tão más como prometem as más horas das noites seguintes, deixo estas notas primeiras do primeiro dia das Correntes. Com o mar poveiro a rugir ("cachão/ rugidor e monótono") a cinquenta metros da janela do quarto de hotel, regressemos antes a Lisboa. Santa Apolónia. Duas da tarde. A carruagem número 1 do alfa pendular arranca sob um céu cinzento. Lá dentro escritores, um ou dois jornalistas. O sorriso de simpatia de Mário Zambujal, a boina impecavelmente branca de Manuel Rui sempre acompanhado pela sua dedicada Alice. Maria Teresa Horta com as suas leituras nas mãos, a estreante Tânia Ganho, o estreante Tiago Gomes, o estreante Manuel da Silva Ramos, o estreante Eduardo Pitta... Nesta edição das Correntes há muitas caras novas. Nas Correntes, entenda-se. A conversa corre ao ritmo balouçante do pendular e ao contrá...
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Manuel da Silva Ramos nasceu em 1947, na Covilhã. Estudou Direito em Lisboa e depois exilou-se em França, fugindo ao Fascismo. Aos 21 anos, com "Os Três Seios de Novélia", ganha o Prémio de Novelística Almeida Garrett de 1968, instituído pela Editorial Inova e Portugália Editora. Publica depois três livros em parceria com Alface: "Os Lusíadas" (1977), "As Noites Brancas do Papa Negro" (1982) e "Beijinhos" (1996). Volta definitivamente a Portugal em 1997 depois de ter ganho uma Bolsa de Criação Literária atribuída pelo Ministério da Cultura. Em 1999 publica "Portugal, e o Futuro?", "O Tanatoperador", "Adeusamália" e "Coisas do Vinho", com ilustrações de Zé Dalmeida. Em 2000, depois de uma viagem de investigação a Moçambique, publica o seu romance mais am...
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Manuel Rui Alves Monteiro nasceu na cidade do Huambo no dia 4 de Novembro de 1941. Romancista, poeta, contista, ensaísta, crítico, tem uma obra vasta publicada. É o autor do Hino Nacional, versão angolana da Internacional, Hino da Alfabetização, bem como de outros poemas que integram o cancioneiro angolano. Presença assídua nas Correntes d'Escrita, este ano estará presente como orador na segunda mesa de debate, dia 25, às 10h30, subordinada ao tema Pedra a Pedra Constrói-se a Poesia, juntamente com Maria Teresa Horta, Pedro Teixeira Neves, Rosa Alice Branco e Tiago Gomes, com moderação de José Carlos Vasconcelos.Caro Manuel Rui, é já uma das figuras de cartaz, se assim se pode dizer, das Correntes d’Escritas. Que tipo de relação tem com este encontro de escritores em particular?Uma relação quase placentária como se as corrent...
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Luís Diamantino é o vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Para além de professor, é também um dos principais impulsionadores e apoiantes das Correntes d'Escritas. Natural, por conseguinte, que lhe colocássemos algumas questões a respeito.Onze anos de Correntes. O que vos leva a apostar na literatura enquanto autarquia?A história deste encontro de escritores escreve-se com o trabalho realizado no passado, pela nossa Biblioteca Municipal, na procura da promoção do livro e da leitura. Prende-se também com a Póvoa de Varzim, berço de Eça de Queirós, Gomes de Amorim, Rocha Peixoto e terra com ligações muito fortes a Camilo, Agustina Bessa Luís, Alexandre Pinheiro Torres, António Nobre, José Régio, Luísa Dacosta…Fizemos uma grande aposta no plano editorial, criando uma colecçã...
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Ivo Machado nasceu nos Açores em 1958. Publicou: Alguns Anos de Pastor, poesia, 1981; Três Variações de um Sonho, poesia, 1995; O Homem que nunca existiu, teatro, 1997; Cinco Cantos com Lorca e Outros Poemas, poesia, 1998 (homenagem particular ao poeta de Granada, tendo sido convidado a apresentar o livro naquela cidade andaluza durante as comemorações do centenário do nascimento de Garcia Lorca e, em Fevereiro de 2002, traduzido e editado naquele país numa edição bilingue, pela LITERASTUR); Nunca Outros Olhos Seus Olhos Viram, novela, 1998; Adágios de Benquerença, poesia, 2001; Os Limos do Verbo, poesia, 2005; Verbo Possível, poesia, 2006. Ainda em 2006, publica Poemas Fora de Casa, antologia que reúne a sua poesia, celebrando assim os vinte e cinco anos da publicação de Alguns Anos de Pastor, seu primeiro livro. Parte da sua poesia está traduzida para castelhano,...
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Catherine Dumas é professora catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade de Sorbonne Nouvelle-Paris III. Centrou durante muito tempo os seus estudos e actividades universitárias na ficção portuguesa contemporânea (tese de doutoramento sobre a obra de Agustina Bessa-Luís) e especializou-se nos últimos anos em poesia de língua portuguesa que traduz para o francês.É colaboradora da revista Colóquio/Letras. Estará presente nas Correntes d'Escritas para moderar a primeira mesa de debate, dia 24, às 17h00, no Auditório Municipal.É a primeira vez que vem às Correntes d’Escritas?Não, já estive aqui faz agora alguns anos, pela mão inspirada de Ana Luísa Amaral.Estará na Póvoa a moderar uma mesa de debate, mas presumo que a sua vinda se prenda igualmente com o facto de nesta edição das Correntes Agustina Bessa-...
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Ana Luísa Amaral, poeta e professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é uma das presenças habituais nas Correntes d'Escritas, cujo prémio literário, de resto, já venceu, em 2007, pelo seu livro «A Génese do Amor». Este ano, no dia 24 do corrente, às 17h00, participará como oradora na primeira mesa de debate, subordinada ao tema «Escrevo para desiludir com mérito». A seu lado estarão Eduardo Pitta, Fernando J. B. Martinho, Francisco Moita Flores, Gilda Nunes Barata e Zuenir Ventura, moderados por Catherine Dumas. Nesse mesmo dia, às 22h00, lançará o seu novo livro, «Inversos - Poesia - 1990-2010», com o selo da Dom Quixote.A que tipo de lógica obedece a sua escrita, é um projecto racionalizado ou antes o resultado de uma intimação?Quando estou a escrever, não tenho um projecto de poema. Há, natural...
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valter hugo mãe. Escritor. Também artista plástico. Também cantor (dos Governo). Poeta, sim. Ex-editor. Prémio Saramago. Autor de quatro romances, o último deles o poderoso «a máquina de fazer espanhóis» (Objectiva). Aqui na primeira pessoa, sobre o romance.Valter, ainda não restabelecidos por completo do impacto do teu romance anterior, já temos outro romance teu em mãos, não menos desarmante, não menos insólito, não menos brutal. A que ritmos obedece a tua escrita?Escrevo compulsivamente, por uma necessidade de converter tudo numa hipótese de comunicação, de expressão que resulte na partilha. Quando alguma coisa me emociona, me altera, sinto-me compelido a assacar-lhe uma utópica fotografia que possa ser vista pelos outros, para que se emocionem ou alterem como eu. Por isso, todos os dias são palavras. É como se as palav...
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Com formação em Filosofia pela Universidade de Oviedo, Ricardo Menéndez Salmón (Gijón, 1971) era já autor de uma obra diversificada quando, em 2007, com a publicação de «A Ofensa» (Porto Editora) se transformou numa das referências da nova literatura castelhana. Era o primeiro livro de uma trilogia sobre o Mal, a que agora a chancela portuguesa acrescenta o segundo título, «Derrocada», a ser lançado nas Correntes d'Escritas 2010. Com ele falámos a respeito de literatura e, em particular, dos seus livros e do seu modo de estar à escrita. Na Póvoa do Varzim, Ricardo Salmón participará na 9ª mesa de debate, dia 27, às 16h00, subordinada ao tema «Cada palavra é um pedaço do Universo». Será também orador na última mesa de debate das Correntes, a ter lugar em Lisboa, no Instituto Cervan...
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Manuela Ribeiro é, em grande parte, a alma das Correntes d’Escritas. Sempre presente, sempre disponível, sempre amiga, sempre com um sorriso, os escritores são os seus meninos dos olhos. Meninos, pois claro, então quem lhes trata da comida, das camas lavadas no hotel, das viagens a tempo e horas agendadas e marcadas? E quem trata de os ter, a horas marcadas, nas respectivas mesas de debate, de os levar às escolas? É simples, temos todos uma dívida para com a Manuela. Amante da literatura, tentei-a para me responder a algumas questões. Reservada, longe de querer tirar o protagonismo seja a quem for, Manuela avança de forma telegráfica, embora assertiva. Ficará a conversa para depois! Antes da primeira edição das Correntes, alguma vez julgaste ser possível levar a cabo um encontro de escritores com tamanha importância e projecção? Sim, sem dúvida. ...
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Telegrama Filha: queres água ou nuvem?Não penses, responde Água! Eu sabia Dentro de tiO lago imenso da semente inicial. Inverno «tantos amigos entre un inviernoY outro nos van dejando»Mario Benedetti É verdade, Benedetti, se alguns se libertaramOutros se cansaram deste mar que, não sendo meu,Não abandono À ausência não há quem se acostume,Outro mar não é o mesmo mar, e a nostalgiaDe outro Inverno é pesadelo Como num exílio vamos ficando sós, Benedetti Agora, se puderes, diz-me:- Como será o próximo Inverno? «De que lado adormeces?Alma: nada te dói?»Eugénio de Andrade Tenho dores e medo.Ando cabisbaixo num sorvedouro de loucura.Medo de adormecerDo lado do coraçãoE beber a almaNo temor do abismo e da ilha. Medo!?...Tenho medo de nada me doer. em ...
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Há muitos anos, longe estava eu de imaginar que um dia publicaria livros e andaria na roda-viva de escritores em encontros pelo país, comprei dois livrinhos de crónicas de nome estranho: «(Sapa)teia Americana» e «Que Nome É Esse, ó Nézimo?» Não conhecia, na altura, o Onésimo nem a sua escrita, mas pelo título creio ter no imediato vislumbrado um estar à escrita cheio de boa-disposição e de ironia. Só mesmo alguém com espírito aberto poderia dessa forma soberba «brincar» com a sua original graça de nascença. Lidas as crónicas confirmei o pressentido: tinhamos não só um estar à escrita cheio de fina e refinada ironia, mas tinhamos também prosa de grande erudição e sabedoria. No mais, encontrei nessas páginas um correr de casos e acasos, aventuras e desventuras do seu viver e ...
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Todos os anos as Correntes trazem até ao público novos autores. Se há, sem dúvida, e bem, aqueles que são repetentes, quase escritores "da casa", outros há que ano após ano ali vão surgindo, num muito curioso e profícuo encontro de gerações e modos de estar à escrita. Este ano dois autores (entre muitos outros) de uma geração recente ali estarão como convidados. Falo de José Carlos Barros e de José Mário Silva. Deles, fui ao baú das estantes resgatar dois escritos que provavelmente muito poucos conhecerão; são textos que publicaram nos idos de 80 e 90, respectivamente nas páginas do extinto «DN Jovem» e, no caso de Mário Silva, numa edição de autor colectiva que veio a lume em 1995, também da lavra de autores que colaboravam no supracitado destacável cultural do &...
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É dos editores portugueses de maior crédito e currículo. Entre outros afazeres no mundo das Letras, Nelson de Matos foi Director Editorial nas chancelas Arcádia (1974/76) e Moraes (1976/1980). De 1981 a 2004 foi editor da Dom Quixote, onde desenvolveu um vasto trabalho de edição com os nomes mais significantes da literatura portuguesa contemporânea. Hoje "exerce" por conta própria, enquanto responsável editorial das Edições Nelson de Matos. Eis as suas impressões sobre as Correntes d'Escritas. Costuma ir às Correntes d'Escrita? Se sim, porquê?Sempre que sou convidado tenho procurado estar presente, acho uma iniciativa importante e que merece ser apoiada.Para que servem os Encontros de Escritores?Para que eles convivam entre si e com as pessoas que os lêem e querem fazer-lhes perguntas, como estas…Os editores também não deveriam encontrar-se regu...
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Patrícia Reis, escritora e editora da revista «Egoísta», é um dos jurados do Prémio Literário Casino da Póvoa 2010. Enquanto autora, acaba de editar um romance, «Antes de Ser Feliz» (Dom Quixote). Era bom que trocássemos com ela umas ideias sobre o assunto e foi o que fizemos.Na qualidade de membro do júri do Prémio Literário Casino da Póvoa, como reputarias a qualidade geral dos dez livros finalistas?Os dez livros finalistas são um apanhado das diferentes sensibilidades dos vários elementos do júri. Serão vistos, decerto, em pé de igualdade. Pessoalmente, há uns que me agradam mais do que outros, o que me parece normal.Que importância para ti assumem os prémios literários?Os prémios literários têm duas vertentes: a da exposição e mediatização do autor e respectiv...
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De um número inicial de 160 concorrentes, restam dez os candidatos ao Prémio Literário Casino da Póvoa. Instituído em 2004, no valor de 20 mil euros, são os seguintes os finalistas deste ano, escolhidos por um júri constituído por Patrícia Reis, Carlos Vaz Marques, Dulce Maria Cardoso, Fernando J.B. Martinho e Vergílio Alberto Vieira:A Eternidade e o Desejo, Inês PedrosaA Mão Esquerda de Deus, Pedro Almeida VieiraA Sala Magenta, Mário de CarvalhoMyra, Maria Velho da CostaO apocalipse dos trabalhadores, valter hugo mãeO Cónego, A. M. Pires CabralO Mundo, Juan José MillásO Verão Selvagem dos Teus Olhos, Ana Teresa PereiraRakushisha, Adriana LisboaTrês Lindas Cubanas, de Gonzalo CelorioPara decidir qual o nome vencedor e que irá suceder a Gastão Cruz, os jurados reunirão pela última vez a 23 de Fevereiro, dia anterior ao a...
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Dia 23Axis Vermar22h00Patrícia ReisAntes de Ser FelizDom QuixoteTiago GomesObra PoéticaBailes del SolDia 24Axis Vermar22h00Ana Luísa AmaralInversos - Poesia 1990-2010Dom QuixoteInês BotelhoO Passado Que SeremosPorto EditoraJ.J. Armas MarceloA Ordem do TigreTeoremaLourenço Pereira CoutinhoCinco de OutubroSextanteManuel da Silva RamosTrês Vidas ao EspelhoDom QuixoteTânia GanhoA Lucidez do AmorPorto EditoraDia 25Casa da Juventude12h30Paulo KellermanChega de FadoDerivaPedro Teixeira NevesHistórias do Barco da VelhaTrinta Por Uma Linha17h00Isaac RosaO País do MedoPlanetaZuenir VenturaInveja, Um Mal SecretoPlanetaNovotel Vermar / 22h00Héctor Abad FaciolinceReceitas de Amor para Mulheres TristesQuetzalMilton FornaroCadáver Precisa-seQuetzalPablo RamosOrigem da TristezaQuetzalPedro EirasSubstâncias PerigosasLivro do DiaRui VieiraVozes no EscuroEdições Nelson de MatosVV.AA AntologiaDesacordo Ortogr&aac...
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Ao contrário do que se possa pensar, o Correntes d'Escritas não é um evento para o qual apenas convergem escritores. Antes se tem revelado igualmente ocasião perfeita para encontro de editores, livreiros e outros agentes literários. Ora comparecem acompanhando os seus autores, ora surgem interessados em ouvir aquilo que os escritores têm a dizer, ora ali se deslocam com o intuito eventual de fazerem alguma contratação para as suas fileiras literárias. Seja como for, todos eles ao longo destes anos têm também contribuído para fazer do encontro uma verdadeira festa em torno da palavra. Espaço privilegiado para dar a conhecer autores e obras, o desejo dos pequenos editores em ali marcar presença tem-se feito notar, tanto mais que, como é óbvio, até há pouco tempo quase apenas ali se viam representantes das chancelas mais sólidas ou inserida...
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Depois de uma edição comemorativa dos dez anos de vida à altura dos pergaminhos de qualidade de que já pode gabar-se, o Correntes d'Escritas está de volta para a sua 11ª edição, a decorrer entre 24 e 27 de Fevereiro, na Póvoa do Varzim. É bem certo que este ano não se repetirá o número de escritores presentes que no ano passado atingiu o impressionante número de 130! , mas não menos certo é que a organização do evento (honras primeiras para Manuela Ribeiro e Francisco Guedes) se esmerou para voltar a apresentar um programa de actividades de luxo.Fiel ao seu espírito promotor do debate e da convivência entre escritores e público, previstas estão novas mesas de debate, lançamentos de livros, leitura de poesia, sessões nas escolas, espectáculos teatrais, exposições, para além da atribuiç...
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Conheça as vantagens em ser membro da PNETliteratura
Tua coxa é lisa, o lado de dentro. Você é peixe de uma única escama, liso com ela e sem ela. Meus dentes não te rasgam, escorregam, escoriar tuas pernas é um descuido que me agrada. A mulher raspa tua cabeça, dinâmica debaixo d’água pra te salvar das Iemanjás. Azar dela, eu não preciso de oxigên...
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Repassada do desejo daqueles risos que se perderam e da lembrança dos encantos que nunca chegaram a acontecer, está a casa, palco deserto, onde outrora fantoches ensaiavam uma monótona coreografia. Aí, já não cabem as aparentes histórias nem o som de vidas a fenecer. Ouve-se, somente, o rangido ...
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Ninguém sabia por que ela criava amebas ambíguas no aquário. Não tinha peixes. Com a sua cara de sardas, frequentava o Café Flor e sorvia Kir Royal em copo de Campari. Sentia o beijo lambido que o argelino lhe dera na orelha, ainda de manhã. Ele vestia black-tie. Ela mal sentia a boca ...
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A bomba vai explodir. Já está armadilhada. Só falta digitar o código de acesso e premir o botão. — Vou-te deixar. D. sufoca no ar que o rareia e leva as mãos ao peito. A dor fragmenta-se em inúmeros pedaços de amor tóxico. D. cai no soalho, fulminado por palavras terroristas, uma bomba at...
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Ver é diferente de dizer o que se vê. Ver apenas, não incomoda o mundo. O homem está no remate da sua vida, mesmo que ignorasse como dedilhar o tempo há um espelho na parede, antes usado sobretudo para o ensaio de esgares mulherengos. Esse artefacto tem-lhe servido para desconvocar o eco da casa...
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O china era mais cuidadoso com o ferro de passar. Seu empregado, ao contrário, usa-o como se fosse um trator. O resultado são as feridas em minhas costas. Às vezes, ele joga água em excesso sobre a roupa, e o contraste com o ferro quente tem-me provocado constipa&cced...
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Nos clássicos movimentos de um cumprimento, a mão do doutor Proença desprendeu-se. Acidente: que, no aperto de dona Josefa, não houve ardor. Ao sentir coisa grudada aos dedos, num gesto de automática defesa a senhora sacudiu. Projectada, a mão do doutor Proença caiu, enérgico desamparo, no em...
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O
tédio e a melancolia contemporâneos juntaram-se nesta viagem à Índia para caminharem
em direção à explicação sobre o que é a viagem. A contemporaneidade dá
justificação a tudo: ao bom, ao mau, e a esse ponto zero, nulo e justo, o
tédio, que consome o homem. As paixões, os homicídios e os senti...
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"[...]a verdade é o dinheiro." CantoX, 16 "Ea estranheza é esta: mais contida fica a prostituta à medida que o vinhoavança." CantoX, 22 "Opior sítio para estar vivo é entre aquilo que um dia nos exige e aquilo que oeter...
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"Entre dois cães raivosos em batalha, não há espaço para a pausa."Canto IX, 3 "[...] o melhor lado não é perfeito, porque é lado - e um lado tem sempre o lado oposto."Canto IX, 33 "O inesperado insinua-se no que parece definitivo e ninguém se conhece antes de morrer. Ámen.&...
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"O que é o passado? Tempo que cada vez ocupa menos espaço [...] O presente - agora neste momento - ocupa todo o espaço que nos rodeia." Canto VIII, 2 "Núpcias da História com a Imaginação provocaram mais filhos e cópulas divertidas do que núpcias da Verdade com a boa memória[...]; mas...
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Neste ano, em que se assinalam 95 anos sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro (26 de Abril de 1916), foram editados, em São Petersburgo, no volume XXVI da revista literária “Sfinx” (“Esfinge”), 10 poemas do escritor, traduzidos em russo (“Álcool”, “A queda”, “Nossa Senhora de Paris”, “Salomé”, “Certa...
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"A idade certa para conquistar o mundo é hoje. O homem levanta as interdições, avança, e quando se prepara para saltar: cai."Canto VII, 2 "Cair como a folha da árvore, tranquila e lenta, e subir como certos animais - a águia ou o avião guerreiro. A mobilidade inspira.[...]Canto VII, 3...
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"Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São ...
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"[...] quem relembra inventa: tudo começa de novo."Canto III, 5 "A intensidade com que se é esmagado não importa, de facto, o que importa é a intensidade que nos resta depois de sermos esmagados."Canto III, 75 "Se o progresso dependesse dos domingos, ainda andávamos de carro...
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Terá início em Setembro no CNC um ciclo que tem por objectivo fazer o balanço literário da última década. Organizado em parceria com a PNETLiteratura – um site que visa aproximar a lusofonia literária, contará com a intervenç&atild...
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No site http://disquiet.com/thirteen.html, aparecem links para 16 (dezasseis!) versões diferentes do poema “Autopsicografia” de Fernando Pessoa em inglês. O poema é tão conhecido na língua em que foi escrito que qualquer uma das versões provoca gr...
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Tenho um pé de cereja encantado ao lado do último olhar. Em frente,
um botão de púrpura calado. Pela mão esquerda enxergada colho uma letra breve.
O dedo indica-me a clave e perguntou-lhe: - Sol, ... Ler Tudo >>
No quadrazal da classe do touquim piámos que as da classe da piação seriem gambiadas nos quintos planetas de cada sesta porque os charales que jordarem as do joão das penhas à Classe do Mestre Migança... Ler Tudo >>
Ná página Crianças do Público de hoje, o destaque de Helena Melo vai para Montemor-o-Novo. (Agasalhem as crianças e visitem o Monte Selvagem.)
Depois
de três meses encerrado para manut... Ler Tudo >>
Valter que veio da nossa mãe
pátria Portugal - nos emociona com seu texto simples, bem humorado e sincero. É lindo mesmo,ver-nos brasileiros respeitados e reconhecidos por nosso jeito de ser e viver por nosso irmão colonizador.